Vitamina B9 – Ácido fólico – Folato – Metabolismo, recomendações, biodisponibilidade, suplementação…

Última Atualização: 23/08/2021

O acido fólico (Vit. B9) é um termo genérico para compostos que tem atividade similar ao acido pteroilglutâmico. (1,2)

O folato é o nome trivial preferido para pteroilglutamato, embora tanto o folato, quanto o acido fólico possam ser utilizados como termos genéricos para incluir vários poliglutamatos. (1)

Já o acido fólico, por ser a forma química mais estável, é a mais adicionada aos alimentos fortificados. (2)

Exames bioquímicos:

  • Folato sérico – Normal – >14nmol/L  (1)
  • Folato eritrocitário – Normal – >360nmol/L: Reflete os estoques teciduais, um período mais longo. (1)

Os eritrócitos contem  maiores concentrações de folato que o plasma, e acredita-se que essa é a forma de armazenamento da vitamina. (1)

O folato sérico reflete o consumo recente. (1)

O folato eritrocitário reflete os estoques teciduais de folato, abrangendo um período maior. (1)

Recomendações nutricionais:

RDA: 400mcg/dia  – Adultos. (1)

UL: 1000mcg/dia p/ adultos. (1)

Fontes: Fígado bovino, levedo de cerveja, vegetais verde escuros, brócolis, espinafre, ervilhas, grãos, feijão, lentilha, laranja, gema de ovos, leite. (1,2)

É recomendado que toda mulher em idade fértil seja suplementada com folato devido as chances de ocorrem uma gravidez. (1)

O ácido fólico não é considerado tóxico, porém deve haver certa preocupação pelo fato de que altas doses podem mascarar a anemia perniciosa. (1)

Suplementação nutricional:

  • 400 mcg/dia p/ pré-concepção. (1,2)
  • 400 – 600mcg/dia de folato – Gestantes – Antes da concepção. (1,3)
  • 1mg/dia por 2-3 semanas para deficiencia.

Obs: A suplementação de folato corrige a anemia perniciosa, mas não recupera os danos gerados pela deficiência de B12. (3)

Insônia, esquecimento e irritabilidade desenvolvidas durante a deficiência respondem bem a suplementação da vitamina. (1)

Existem algumas evidencias sugerindo que a suplementação de folato acima de 350mcg/dia pode prejudicar a absorção de zinco. (1) Além disso, doses maiores que 1mg/dia mostraram um aumento na excreção de zinco pelas fezes, aumentando a demanda de B2 e B6. (Pos VP)

A suplementação de altas doses para veganos e/ou idosos  não é recomendada  pois podem mascarar uma possível deficiência de vit. B12. (1,2)

A suplementação máxima para nutricionistas é 1mg/dia

Biodisponibilidade:

A biodisponibilidade do folato é, em grande parte, controlada pela absorção intestinal. (1)

A absorção deve ocorrer em pH ótimo, e é uma absorção saturável. (1)

O pH gástrico, e a presença de acido ascórbico ajudam a manter o folato no seu estado molecular funcional. (1)

A deficiência de B12, ocorre prejuízos na atividade da metionina sintetase, havendo uma consequente diminuição da retenção do folato nos tecidos. (1)

A absorção do folato é em parte dependente de zinco, sendo que a deficiência do zinco pode afetar a absorção desse mineral. (1)

A biodisponibilidade do folato do leite ou de dietas nas quais o leite esta presente é consideravelmente maior que aquela do folato livre. (1)

É importante ressaltar que o folato é extremamente instável, podendo haver perdas de cerca de 50%-90% durante o armazenamento e cozimento.  (Pós VP)

Metil folato:

forma ativa do ácido fólico que além de importante na suplementação durante a gestação e lactação, novos estudos comprovam sua importância em distúrbios psicológicos, como depressão, transtorno bipolar, e até mesmo esquizofrenia. Pode ser indicado a pacientes com depressão resistentes a SSRI e pacientes com deficiência de folato. Dosagem usual: até 1mg ao dia. (pós)

Segurança:

Não foram encontrados efeitos adversos relatados pelo alto consumo de alimentos. (2)

Com suplementos, altas doses (>15mg/dia) podem ocorrer desconfortos gastrointestinais, distúrbios do sono e problemas de pele. (2)

Deficiência de folato:

Embora o folato esteja amplamente distribuído nos alimentos, sua deficiência  é comum. (1)

A deficiência de Vit. B12 pode gerar uma deficiência funcional de folato por “inutilizar” o folato disponível. (sequestro). (3)

A deficiência de acido fólico ou da B12 (indiretamente gera a deficiência de folato) são responsáveis pelo desenvolvimento da anemia megaloblástica (ou macrocítica), pois as células de divisão rápida necessitam de grandes quantidades de timidina para a síntese do DNA, prejudicando a medula óssea e promovendo a anemia. (1,3)

O etilismo crônico também é associado com a deficiência de folato. (1,2)

Alguns trabalhos associaram a deficiência de folato com o câncer colorretal. (1)

Algumas drogas também induzem a deficiência, olhar na parte de interação fármaco nutriente. (1,2)

Foi visto também uma associação entre a deficiência de folato e enxaquecas. (pós VP)

Anemia megaloblástica:

Tanto a deficiência de folato quanto a de Vit. B12 resultam na deficiência megaloblástica. Nessa deficiência ocorre a liberação de eritrócitos imaturos na circulação em virtude de falha no processo normal de maturação na medula óssea.  (1)

Podendo ainda haver  baixa contagem de leucócitos e plaquetas, bem como aumento do numero de neutrófilos hipersegmentados. (1)

Interação fármaco nutriente:

Medicamentos como fenitoína, primidona, barbitúricos, metotrexato (drogas quimioterápicas), trimetoprima (antibacterianas), pirimetamina (antimalárica),  nitrofuratoína ou sulfassalazina podem causar a depleção dessa vitamina. (1)

Existe um antagonismo entre o acido fólico e alguns anticonvulsivantes utilizados no tratamento da epilepsia. (3) Drogas como a difenilidantoína (fenitoína), e algumas vezes fenobarbital e primidona, também podem causar a deficiência de folato. (1)

Gestação:

É recomendado a suplementação do acido fólico em gestantes visando diminuir a má formação fetal, com diminuição na má formação do tubo neural. (1,4)

Defeitos no tubo neural:

Encefalia e espinha bífida são defeitos de nascença de etiologia multifatorial, relacionadas ao fechamento do tubo neural. O ácido fólico reduz a prevalência desses casos, sendo a administração indicada para gestantes preconcepção (ate 12 semanas antes) de 600 mcg/dia. (1)

Alguns trabalhos indicam que o acido fólico pode prevenir ate 70% do aparecimento desse defeito. (1)

Desempenho esportivo:

Em atletas bem nutridos, a suplementação não gerou melhoras no desempenho. (4)

Câncer:

(+Sobre Câncer)

O ácido fólico tem sido popularmente empregado em conjunto com drogas anticâncer para promover a entrada do medicamento na célula. (1)

Depressão e demência:

(+Sobre Depressão)

Vários estudos tem  demonstrado associação entre alterações depressivas e concentrações reduzidas de acido fólico. (1) Alguns trabalhos observaram que a terapia com antidepressivos e  ácido fólico foi capaz de aumentar o efeito terapêutico. (1)

Alzheimer:

Concentrações elevadas de homocisteína além de serem relacionadas ao risco cardiovascular, podem também estar relacionadas ao risco aumentado de desenvolvimento da doença de Alzheimer. (1)

Fisiologia:

É uma vitamina hidrossolúvel cuja forma biologicamente ativa é o ácido tetra-hidrofólico – THF. (1)

Desempenha importante papel em tecidos que exigem elevada taxa de renovação celular como os leucócitos, as hemácias, os tecidos do sistema gastrintestinal e o útero. (5)

O folato atua como coenzima em reações de transferência de grupos metil no metabolismo dos ácidos nucleicos e aminoácidos. A síntese do DNA é depende de folato. (2)

Baixas concentrações de ácido fólico e exercícios físicos intensos estão associados ao aumento da homocisteína, que se relaciona com o aumento da incidência de acidente vascular encefálico, demência e prejuízo da saúde óssea.  (5)

A homocisteína é um aminoácido sintetizado no fígado em resposta ao metabolismo da metionina. Sua concentração é dependente de folato, b6 e b12.  (5)

Apesar de existir evidencias dos benefícios da suplementação de B9 sobre as concentrações de homocisteína, ainda não há consenso de que essa suplementação possa melhorar o desempenho esportivo ou minimizar a produção de homocisteína. (5)

Há pouca perda do folato pela urina, pois ele encontra-se ligado à proteína, que o protege, reduzindo a filtração glomerular. (1)

A perda fecal do folato também é pequena. A excreção de cerca de 200 mcg/dia de folato representa a síntese da flora intestinal, não representando o consumo alimentar. (1)

Referências bibliográficas:

1- Cozzolino S. Biodisponibilidade de Nutrientes. 6a. São Paulo: Manole; 2020. 934 p.

2- Lancha Jr. AH, Pereira-Lancha LO. Nutrição e Metaboslimo Aplicados à Atividade Motora. 2a. São Paulo: Atheneu; 2012. 236 p.

3- Rodwell V w., Bender DA, Bothan KM, Kennelly PJ, Weil PA. Bioquímica ilustrada de Harper. 30a. ArtMed; 2017. 817 p.

4- Kerksick CM, Wilborn CD, Roberts MD, Smith-Ryan A, Kleiner SM, Jäger R, et al. ISSN exercise & sports nutrition review update: Research & recommendKerksick, C. M., Wilborn, C. D., Roberts, M. D., Smith-Ryan, A., Kleiner, S. M., Jäger, R., … Kreider, R. B. (2018). ISSN exercise & sports nutrition review update: Research & recommendat. J Int Soc Sports Nutr. 2018;15(1):1–57.

5- Lancha Jr. AH, Rogeri PS, Pereira-Lancha LO. Suplementação Nutricional no Esporte 2a Ed. 2a. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2019. 266 p.