Adoçantes – Visão geral, tipos de adoçantes, potencia…

Última atualização: 13/04/2021

tipos de adoçante / potência:

Stevia:

É um adoçante natural extraído da Stevia Rebaudiana; (1)

Inclui o esteviosideo e o rebaudiosídeo, sendo a 300 e 450 mais potentes que a sacarose, respectivamente. (1)

Mogroside:

É um triterpenoide tipo cucurbitano, extraído da fruta Siraitia grosvenorii. (1) Ele é capaz de promover entre 250 e 450 vezes a doçura da sacarose dependendo da concentração. (1)

Recomendações Nutricionais:

FDA – AI: 5mg/kg (2)

Fisiologia:

Animais preferem gostos doces porque a doçura implica que o alimento é uma potencial fonte de calorias e nutrientes. (1)

Os adoçantes são capazes de promover um alto grau de doçura porém reduzindo a quantidade de calorias ofertadas. (1)

Alguns estudos epidemiológicos demonstraram que o consumo de alimentos açucarados pode ser um fator relevante no ganho de gordura devido ao excesso de energia ingerida. (1)

Receptores de sabor:

Recentemente foi descobertos os receptores do sabor doce, que além do paladar, atuam na homeostase da glicose, na secreção de hormônios, como as incretinas, entre outros, tendo um importante papel na regulação fisiológica e sendo uma possível linha terapêutica no tratamento da obesidade e do diabetes. (1)

Nos mamíferos existem duas famílias de receptores acoplados a proteina G,  a do tipo 1 – T1Rs (Receptor do tipo 1) e a família do tipo 2 – T2Rs. (1)

A T1Rs esta envolvida na detecção do doce, do umami. (1)

T2Rs contribui  para detectar  moléculas de sinalização do sabor amargo.  (1)

Canais de ion detectam os sabores salgado e azedo.  (1)

Já é bem estabelecido que a sensação do gosto doce é alcançada através de 2 heterodimeros  de sub unidades do T1Rs, o T1R2 e o T1R3. (1)

A partir disso se é sugerido que os receptores T1R2/T1R3 na língua e em outros órgãos não servem apenas para sinalizar o sabor, mas estão envolvidos com a percepção da glicose, na expressão de transportadores de glicose, na secreção hormonal e na manutenção da homeostase. (1)

Foi visto também que esses receptores são expressos nas células B-pancreaticas, no qual eles respondem a ingestão de açúcar secretando insulina. (1)

Em condições normais, o açúcar  interage com o receptor nas células B, liberando insulina, porém,  os níveis elevados de glicose tendem a diminuir a expressão desses receptores nas células, o que interfere na liberação de insulina. (1)

Obesidade e diabetes:

(+ Sobre a obesidade) (+Sobre o Diabetes)

Alguns estudos tem demonstrado que o consumo no longo prazo de adoçantes está relacionado a intolerância à glicose, mais especificamente ao diabetes tipo 2, principalmente devido ao aumento do acumulo de gordura(1) e das alterações geradas na microbiota. (1,2)

O longo uso de adoçantes com baixa ou sem calorias pode não ser tão efetivo no controle do peso, isso porque apesar de ele adicionar pouca calorias ele pode aumentar o apetite e promover o aumento da ingestão calórica, o que leva ao ganho de peso e obesidade. (1)

Os adoçantes são aprovados e altamente utilizados nas indústrias, sendo utilizado principalmente o acesulfame-K (acesulfame potassium); advantame, aspartame, neotame, sacarina e a sulcralose. (1)

Nos EUA, a recomendação é de restringir o açúcar adicionado a menos de 10% do GET, visando reduzir os problemas relacionados à saúde publica. (1)

Microbiota:

(+ Sobre a microbiota)

Um estudo mostrou alterações na microbiota intestinal, principalmente com o uso da sacarina, em diversas doses, e efeitos. (2) E essa alteração na microbiota intestinal foi capaz de gerar uma resistência a insulina, que no longo prazo é comparável com a gerada pelo açúcar. (2)

Porém, é preciso ressaltar que a dosagem utilizada de adoçante foi a AI (Acceptable daily intake), que é alta, e talvez não condiz com a realidade. (2)

Referências Bibliográficas:

1- Jiao Y, Wang Y. The effects of sweeteners and sweetness enhancers on obesity and diabetes: a review. J Food Bioact. 2018;4:107–16.

2- Suez J, Korem T, Zeevi D, Zilberman-Schapira G, Thaiss CA, Maza O, et al. Artificial sweeteners induce glucose intolerance by altering the gut microbiota. Nature [Internet]. 2014;514(7521):181–6. Available from: http://dx.doi.org/10.1038/nature13793