Aminoácidos de Cadeia Ramificada – AACR ou BCAA – Metabolismo, suplementação, fisiologia…

Última Atualização: 24/08/2021

Os aminoácidos de cadeia ramificada – BCAA – são compostos de três aminoácidos: Leucina, Isoleucina e Valina. Eles fazem parte da classe de aminoácidos essenciais, e tem como característica a capacidade de serem metabolizados no tecido muscular, enquanto que os demais aminoácidos são metabolizados no tecido hepático. (1)

Eles podem promover a ressíntese de ATP por meio da oxidação dos BCAA plasmáticos estimulados pelo exercício físico (1)

Alem disso, os BCAA também são considerados moléculas de sinalização, em especial a leucina, pois podem promover a ativação do mTOR, molécula importante para a sinalização do mecanismo de síntese proteica muscular – SPM. (1)

Ao BCAA também é atribuído a melhora da biogênese mitocondrial e remoção de espécies reativas de oxigênio, levando a potenciais benefícios na ressíntese de ATP do músculo  esquelético, assim como evitar ou, ao menos, minimizar o dano muscular induzido pelo exercício (DMIE). (1)

A ativação das vias de sinalização anabólica somente pode coincidir com o aumento da SPM se houver AAE em abundancia para servirem como precursores necessários para a biossíntese da proteína completa. (1)

Existem evidencias que a leucina é a responsável pela resposta anabólica, enquanto que não existe evidencias de tal informação para isoleucina ou valina. (1)

Alguns estudos obtiveram resultados positivos com o BCAA em relação ao dano muscular induzido pelo exercício. Mas foi utilizado a suplementação por mais de 10 dias, e em doses elevadas, 200mg/kg/dia com 2 ou mais vezes por dia. (1)

  • A leucina além de ser um precursor da síntese de proteínas musculares, também pode possuir um papel de reguladora dos sinais intracelulares envolvidos nos processos de síntese proteica.
  • A leucina é capaz de estimular fatores anabólicos como a via do mTOR, 70-kDA, e inibir fatores catabolicos como o MuRF-1 e MAFbx.
  • O excesso de leucina pode prejudicar a síntese proteica por diminuir a captação de outros aminoácidos. (2)
  • O turnover proteico é o processo conhecido como a continua produção, e quebra das proteínas.  O balanço entre elas.
  • O estado anabólico ocorre quando o processo de produção supera o de quebra, que é gerado ou pelo aumento da síntese de proteínas, ou pela diminuição de sua depleção.
  • O estado catabólico ocorre quando o processo de quebra das proteínas supera a produção, sendo as proteínas musculares as principais afetadas no processo.
  • No  estado pós-prandial de uma refeição contendo proteínas,  todos os aminoácidos essenciais estarão “mais” disponíveis no sangue devido a digestão aumentando a oferta de aminoácidos, gerando assim substrato para o aumento da síntese proteica (anabolismo).
  • Apesar de haver a re-sintese das proteínas, seu balanço nunca é positivo devido a perda para a oxidação.
  • Em teoria os Bcaa’s  seriam responsáveis pelo melhor reaproveitamento da reciclagem dos aminoácidos no estado pós-absortivo, de modo a diminuir a perda da re-sintese proteica durante a reciclagem para a oxidação, e para outros tecidos.
  • O turnover proteico é importante para a contração das fibras musculares, pois é responsável pelo aumento da força, independente da massa muscular do individuo
  • A via de sinalização dos bcaa’s só são efetivas se houver  uma ampla gama de EAA para prover os precursores necessários para formar uma proteína completa.
  • Os Bcaa’s são ativamente transportados para dentro da célula,  através de transportadores, que são disputados pelos aminoácidos.
  • Fisiologicamente para o aumento da síntese de proteínas musculares, é necessário uma adequada disponibilidade de outros aminoácidos precursores.
  • Não foi encontrado evidencias indicando que o consumo de BCAA melhora a recuperação muscular  pós exercício de resistência, e nem em ultra maratona. (3,4)
  • Estudos que mostram efeitos positivos, apresentam resultados variados, com uma grande diferença entre os métodos, gerando preocupação em relação aos resultados encontrados. (4)
  • Pouca evidencia respalda o efeito de melhora de desempenho do BCAA. (4)
  • Utilizar BCAA intra treino é utiliza-lo como fonte energética, bem mais cara.
  • Não existe a confirmação da hipótese da fadiga central, relacionada ao triptofano.

Referências bibliográficas:

1.          Lancha Jr. AH, Rogeri PS, Pereira-Lancha LO. Suplementação Nutricional no Esporte 2a Ed. 2a. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2019. 266 p.

2.          Estoche JM, Jacinto JL, Roveratti MC, Gabardo JM, Buzzachera CF, de Oliveira EP, et al. Branched-chain amino acids do not improve muscle recovery from resistance exercise in untrained young adults. Amino Acids [Internet]. 2019;51(9):1387–95. Available from: https://doi.org/10.1007/s00726-019-02776-5

3.          Knechtle B, Mrazek C, Wirth A, Knechtle P, Rüst CA, Senn O, et al. Branched-chain amino acid supplementation during a 100-km ultra-marathon-A randomized controlled trial. J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo). 2012;58(1):36–44.

4.          Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.