Boldo – Peumus Boldus – Metabolismo, efeitos no organismo, eficácia, indicação…

Última Atualização: 23/08/2021

Nome Botânico:

Peumus Boldus Molina

Nome Farmacêutico:

Folium Boldi

Planta:

Também conhecido como boldo do chile ou boldo verdadeiro.(1,2)

Componentes Químicos:

Alcaloides:

A folha de P. Boldus contém vários alcaloides derivados do grupo isoquinolinico, sendo a boldina o principal alcaloide. (2) Suas folhas apresentam um  grande numero de boldinas, a quem se deve grande parte do seu efeito no organismo humano. (1)

É importante ressaltar que a boldina é rapidamente absorvida (30min) quando administrada por via oral e concentrada preferencialmente no fígado. (2)

Flavonoides:

Ramnetina, isorramnetina, kaempferol. (2)

Óleos essenciais:

Apresenta 1-3% de óleos essenciais, p-cimeno, ascaridol, 1,8-cineol, linalol, terpinen-4-ol, α-terpinol, fenchona, limoneno. (2)

Resina

Taninos

Cumarinas

Atividade Farmacológica:

Dentre as diversas atividades no organismo podemos citar:

  • Efeito antioxidante (1)
  • Efeito hepatoprotetor (1)
  • Efeito gastroprotetor (1)
  • Efeitos Antiespasmódicos (2)
  • Efeitos Coleréticos (2)

Efeito Colerético:

Os alcaloides são responsáveis por sua atividade colerética, em que a boldina é descrita como a responsável por essas ações. (2)

Substâncias coleréticas são responsáveis por estimular o fígado na produção de bile. (2)

Inibição da acetilcolinesterase

Efeito antioxidante:

A ação antioxidante advinda da boldina ocorre pelo restauro de enzimas antioxidantes, inclusive com atuação mitocondrial no aumento da superóxido dismutase dependente de manganês (MnSOD) em fígado e pâncreas. (1)

Além disso, a boldina mostrou a capacidade de sequestrar radicais hidroxila e peroxila em ratos. (2)

Efeito Hepatoprotetor

A infusão das folhas contem também diversos compostos fenólicos, que juntamente com a boldina exercem ação hepatoprotetora contra xenobióticos uma vez que agem nas fases de destoxificação hepática e diminuem o processo de peroxidação lipídica. (1)

Foi visto também uma capacidade de proteger o fígado de danos provocados por tetracloreto de carbono em ratos. (2)

Efeito Gastroprotetor:

Sua ação no estomago se deve a presença das catequinas, que tem demonstrado uma potente atividade antiurease e antiaderência da bactéria Helicobacter pylori. Portanto, as folhas de boldo apresentam ação gastroprotetora, mais especificamente contra o câncer de estomago. (1)

Efeito no Trato Gastrointestinal:

Estudos em animais tratados com boldo apresentaram relaxamento e melhora do trânsito intestinal. (2) Tem sido sugerido que a boldina seja responsável por esse efeito, pois já demonstrou atividade relaxante da musculatura lisa. (2)

Posologia:

  • Planta seca: 2 a 5 g/dia (2)
  • Pó: 2 a 10 g/dia (2)
  • Infusão: 2 a 5 g/dia (2)
  • Tintura (1:5, etanol 80% v/v): 10 a 20mL/dia (2)
  • Extrato fluido (etanol 80% v/v): 1 a 2mL/dia (2)
  • Extrato Seco (4:1): 400mg/dia (2)

Extratos disponíveis no mercado brasileiro:

Extrato seco de Pneumus Boldus padronizado em 0,10 a 0,15% de boldina. (2)

Contraindicações:

  • Obstrução  das vias biliares (2)
  • Gestantes (esparteína – atividade ocitócica). (2)
  • Na infância e na lactação pode haver neurotoxicidade pelos alcaloides. (2)
  • Não se deve utilizar o óleo essencial de boldo por conter ascaridol, uma substância toxica, podendo inclusive gerar danos renais. (2)

Toxicidade:

A boldina em doses elevadas é toxica e pode causar efeitos narcóticos ou convulsivantes. (2)

Referências Bibliográficas:

1.          Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de alimentação, nutrição & dietoterapia. 3a Ed. São Paulo: Editora Pitaya; 2016. 1308 p.

2.          Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.