Cacau – Composição, efeitos no organismo, recomendações nutricionais…

Última Atualização :25/01/2021

Cultivo do cacau:

Existem três variedades no cultivo do cacau: Criollo, Forastero e Trinitario, distinguidos pela morfologia da fruta e sua origem geográfica. (1)

O Criollo é o cultivo original. O Forastero representa a maior parte do cacau comercializado mundialmente. Já o Trinitario representa a hibridização entre as outras duas espécies. (1)

Fabricação:

Das sementes ou amêndoa, extrai-se o pó de cacau, de sabor amargo, que é a base para a confecção de chocolates. (1)

Após a colheita, as sementes são removidas dos frutos, amontoadas e cobertas para sofrerem um fermentação natural e, em seguida, submetidas à secagem. (1)

Estrutura química e substâncias bioativas:

O cacau é um alimento rico em flavonoides, pertencente a uma classe de fitoquímicos chamados de polifenóis. (1,2)

É uma boa fonte de catequinas.

O principal ácido graxo do cacau é o esteárico, considerado neutro no aumento do colesterol sérico. Porém, os chocolates não apresentam apenas gorduras advindas do cacau.

Os polifenóis do cacau se encontram armazenados nas células de pigmentos dos cotilédones das sementes juntamente com outros compostos como as metilxantinas, a cafeína, a teobromina e ácidos graxos saturados e insaturados. (1)

Dentre os diversos compostos fenólicos identificados no cacau, os principais são: as catequinas, epicatequinas, procianidinas, sendo desses, aproximadamente 60% flavonoides. (1) No entanto, quantidades menores de galocatequina e epigalocatequina também foram encontradas. (1)

E apesar do elevado conteúdo de compostos bioativos encontrados no cacau, esse teor pode variar segundo a variedade do cacau, seus cultivares e sua distribuição geográfica, além do processamento tecnológico. (1)

As procianidinas representam uma classe dominante de proantocianidinas, e sabe0se que esses compostos ocorrem naturalmente e são os principais compostos responsáveis pela atividade antioxidante do cacau. (1)

Absorção / biodisponibilidade / metabolismo:

Recomendações nutricionais:

  • Há uma melhora da memória/cognição  nas 2h seguintes ao consumo.

Fontes:

  • 35g de chocolate 70% = 80-90mg de flavonoides (2)
  • 100g de chocolate = 237mg de flavonoides  (2)

Orientações nutricionais:

Composição Nutricional:

A concentração de epicatequinas nesse fruto é aproximadamente, três vezes superior à encontrada no chá verde. (1)

Segurança:

Deve-se salientar a fala de consenso em relação às doses e ao tempo de administração nos ensaios clínicos conduzidos relacionados ao extrato de cacau. (1)

Proteção Cardiovascular:

Os principais efeitos benéficos na proteção cardiovascular do cacau estão relacionados a sua ação antioxidante e anti-inflamatória. (1)

Além disso, sugere-se que sua ação benéfica sobre prejuízos na função vascular ocorra por meio da fosforilação/ativação da enzima oxido nítrico-sintase endotelial (eNOS), influenciando, assim, a síntese de oxido nítrico. (1)

Cognição / memória:

Um estudo mostrou que o consumo de 35g de chocolate 70% cacau foi capaz de melhorar a memoria nas 2h seguintes ao consumo, trazendo benefícios para a cognição e aprendizado. (2)

Foi visto que o consumo crônico de cacau gera efeitos positivos na memoria e na função cognitiva, sendo esses efeitos acompanhados de mudanças no fluxo sanguíneo cerebral. (2)

Também foi visto alterações no fator neurotrófico derivado do cérebro – BDNF, uma proteína associada com o crescimento neuronal, com o consumo do cacau. (2)

Um dos mecanismos propostos para essas melhoras é devido a melhora do fluxo sanguíneo através da vasodilatação via síntese de oxido nítrico, que aumenta a oxigenação e a disponibilidade de glicose na região cerebral. (2)

Metabolismo lipídico:

Os polifenóis presentes no cacau foram capazes de reduzir a lipogênese (3) e aumentar a lipólise e oxidação de AGL (3)

Alguns estudos identificaram o cacau como uma alternativa para o aumento da ingestão de fibra visando aumentar o HDL, e reduzir as citocinas pró-inflamatórias plasmáticas e a glicose sérica. (1)

Pressão sanguínea:

Os flavonoides presentes no cacau foram capazes de reduzir a pressão sanguínea em adultos saudáveis de forma aguda. (3)

Vasodilatação:

Os flavonoides no cacau estimulam moléculas envolvidas na vasodilatação e inibem vasoconstritoras. (3)

O consumo de chocolate com cacau foi capaz de aumentar a dilatação mediada por fluxo (FMD – flow-mediated dilatation). (4)

Melhora da resistência a insulina:

Aumentar a adiponectina (melhorando a sensibilidade a insulina com o aumento do GLUT4)

Ação anti-inflamatória:

Ação anti-inflamatória, inibindo Nf-Kβ, TNF-α, IL-6, IL-8…

Ação antioxidante:

Um antioxidante pode ser ativo sob condições particulares e menos sob diferente condições. Assim, não é possível afirmar quais tipos de antioxidantes são mais ativos. (1)

Ação antioxidante, expressando PPARγ reduzindo ROS/RNS

Ação cardioprotetora:

Por meio da atividade antioxidante ao raptar radicais livres, ligar-se a íons metálicos e atuar como agente bloqueador e supressor; Ação anti-inflamatória, pois a inflamação crônica é fator de risco para o desenvolvimento de doenças vasculares, uma vez que desempenha um papel fundamental em todas as fases da formação das lesões vasculares e leva à disfunção endotelial. (1)

Ação anticarcinogênica:

Por sua atuação coo um antioxidante, suas funções reguladoras moleculares no crescimento celular, desenvolvimento, apoptose e melhoria seletiva da função da flora bacteriana intestinal.

Referências bibliográficas:

1- Philippi ST, Pimentel CV de MB, Elias MF. Alimentos Funcionais e compostos bioativos. 1a. São Paulo: Manole; 2019. 893 p.

2- Lamport DJ, Christodoulou E, Achilleos C. Beneficial effects of dark chocolate for episodic memory in healthy young adults: A parallel-groups acute intervention with a white chocolate control. Nutrients. 2020;12(2).

3- Ried K, Fakler P, Stocks NP. Effect of cocoa on blood pressure. Cochrane Database Syst Rev. 2017;2017(4).

4- Hooper L, Kroon PA, Rimm EB, Cohn JS, Harvey I, Le Cornu KA, et al. Flavonoids, flavonoid-rich foods, and cardiovascular risk: A meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Clin Nutr. 2008;88(1):38–50.