Canela – Cinnamonum zeylanicum Blume

Última Atualização: 16/04/2021

Planta:

Também conhecida como canela-da-índia, canela-do-Ceilão. (1)

Nome Farmacêutico:

Cortex Cinnamomi

Parte utilizada:

Casca do caule de arvores jovens (3-5 anos)

Componentes químicos:

  • Os principais componentes da canela são: (2)
    • Cumarina (coumarin)
    • Ácido cinâmico (cinnamic acid)
    • Eugenol
    • Cinamaldeído (cinnamaldehyde)

Óleos essenciais:

Apresenta 4% de óleos essências rico em aldeídos aromáticos (cinamaldeido ou aldeído cinâmico, acido cinâmico, eugenol, cariofileno e linalol) (1)

Taninos

Diterpenoides

Proantocianidinas

Mucilagem

Açúcares:

Sacarose, frutose e manitol, que lhe concedem um sabor adocicado. (1)

Contraindicações e precauções:

  • Em altas doses pode causar hematúria, gastroenterite e até o aborto. (1)
  • Contraindicada na gravidez. (1)
  • Usar cuidadosamente em pacientes com sensibilidade cutânea e de mucosas. (1)
  • Foram vistos que valores 20x maiores que as doses terapêuticas são toxicas. (1)

Atividade farmacológica:

  • Efeito anti-inflamatório (2)
  • Efeito antioxidante(2)
  • Melhora glicêmica – reduzindo níveis séricos da glicose e HbA1c aumentando os receptores GLUT 4, receptores de insulina entre outros. (2)
  • Melhora na composição corporal – Talvez devido a melhor glicêmica. (2)
  • Redução do LDL e aumento do HDL. (2)
  • Atividade carminativa (1)
  • Efeito anestésico, anti-inflamatório e antimicrobiano (1)
  • Ação emenagoga (1)
  • Estimulante do SNC (1)

Posologia:

  • 0,5-1  – Colher de chá/dia
    • Devido a presença da cumarina, a canela pode possuir efeitos hepatotoxicos.
  • 1-6g/dia para indivíduos com diabetes. (3)
  • Planta seca: 2-4g/dia (infusão ou decocção) (1)
  • Tintura: 5-10mL/dia (1)
  • Óleo essencial 0,05-0,2mL /dia (1)
  • Pó 400mg-4g/dia (1)

Verificou-se também que, mesmo após 20 dias sem o consumo do alimento, seus efeitos ainda permaneceram. (3)

Atividade Carminativa:

Os constituintes presentes no óleo essencial da casca da C. zeylanicum apresentam atividade carminativa diminuindo as contrações do musculo liso intestinal, sendo o principal responsável por esse efeito o cinamaldeído. (1)

Ação Emenagoga:

O chá da casca e o óleo essencial podem apresentar uma ação emenagoga. (1)

Efeito anestésico anti-inflamatório e antimicrobiano:

Foi visto que o óleo essencial apresenta um efeito anestésico local, anti-inflamatório e antimicrobiano, sendo recomendado contra microrganismos que provocam moléstias do aparelho respiratório. (1)

Pressão:

  • Tanto a pressão diastólica, quanto a sistólica obtiveram  um redução significativa com a suplementação de canela em baixas quantidades (<2g /dia). (2)
  • Os resultados se mostraram presentes no longo prazo, 12 semanas ou mais. (2)
  • O mecanismo para a queda da pressão ainda não é compreendido, mas acredita-se que pode ser devido a uma propriedade vasodilatadora periférica (estudos em animais). (2)
  • Em altas doses, a canela pode ter efeitos colaterais como dor de cabeça e diarreia, apesar de não ser comum em humanos.

Glicemia:

Alguns estudos têm atribuído os efeitos benéficos da canela na glicemia tanto aos seus polifenóis, quanto à quantidade de cromo presente, que promovem um maior controle glicêmico e uma adequada sinalização da insulina por meio do aumento da atividade da fosfatidillinositol 3-quinase (PI3K), que potencializa a ação desse hormônio. (1,3)

Outros benefícios, encontrados em estudos in vitro ocorrem devido a sua ação antioxidante e a potencialização da ação da insulina, podendo ser benéfica no controle de intolerância à glicose e no DM. (3)

Uma revisão realizada em 2008 descreveu que o consumo de 1-6g/dia de canela por indivíduos com DM2, durante 40 dias, foi associado à redução da glicemia de jejum, dos triglicerídeos e do colesterol total. (3) No entanto, não foram encontrados efeitos na HbA1c. (3)

Lipidograma:

O consumo de canela foi associado a uma diminuição estatisticamente significativa  nos níveis de colesterol total, LDL-c  e triglicerídeos em jejum, além de aumentar o HDL-c. (1,3)

Referências bibliográficas:

1- Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.

2- Mousavi SM, Karimi E, Hajishafiee M, Milajerdi A, Amini MR, Esmaillzadeh A. Anti-hypertensive effects of cinnamon supplementation in adults: A systematic review and dose-response Meta-analysis of randomized controlled trials. Crit Rev Food Sci Nutr [Internet]. 2020;60(18):3144–54. Available from: https://doi.org/10.1080/10408398.2019.1678012

3- Philippi ST, Pimentel CV de MB, Elias MF. Alimentos Funcionais e compostos bioativos. 1a. São Paulo: Manole; 2019. 893 p.