Transtorno de compulsão alimentar – TCA – Binge eating disorder – BED

A compulsão alimentar se caracteriza pela ingestão, em um período de duas horas, uma quantidade de alimentos maior do que outras pessoas consumiriam em circunstancias análogas. (23)

Porém, a definição da compulsão alimentar é considerada controversa por incorporar elementos subjetivos em sua definição, como a quantidade de alimentos para se configurar excesso. (23)

Diagnostico:

É uma desordem pouco reconhecida pois raramente os pacientes procuram ajuda, em grande parte por vergonha. (2) Inclusive, os pacientes com compulsão alimentar tendem a comer escondido. (2)

Além disso pacientes com TCA tendem ter episódios compulsivos grandes que podem ser mascarados por exageros alimentares “comuns”. (19)

Alguns pacientes também possuem um perfil mais “beliscador”, o que torna o episodio de compulsão menos objetivo, porém, quando se observa um período maior, é possível perceber a ingestão de uma quantidade muito mais de comida se comparado a outras pessoas em um mesmo período. (19)

Outro fator importante é o correto diagnostico diferencial, diferenciando o TCA do Vicio alimentar, que influencia diretamente no tratamento. (20)

Seu diagnostico é baseado na DSM-5 (20), porém, alguns autores tem proposto mudanças no critério diagnostico por haver fatores subjetivos. Dentre eles, se é sugerida uma auto avaliação baseada no peso e na forma do corpo, já que esse é um aspecto que parece diferenciar obesos com e sem TCA, sendo geralmente uma característica central dos transtornos alimentares. (25)

DSM-5:

  • Recorrência de episódios de compulsão (o mesmo da bulimia nervosa)
  • Os episódios de compulsão são associados com pelo menos 3 características:
    • Comer com uma velocidade anormal
    • Comer até se sentir mal de tão cheio
    • Comer grandes quantidades mesmo não sentindo fome física
    • Comer sozinho por vergonha
    • Se sentir mal, envergonhado ou deprimido após comer.
  • Deve haver algum evento estressor antes do episodio compulsivo
  • A compulsão deve ocorrer pelo menos 1x na semana nos últimos 3 meses
  • A compulsão não é associada a um comportamento compensatório depois do comer.

Tratamento:

A psicoterapia é a primeira linha de tratamento, principalmente a terapia cognitivo comportamental, sendo ainda interessante a associação com médicos para o uso e controle de medicamentos como antidepressivos e antiepiléticos, além de um controle nutricional e de peso. (2)

Pacientes diagnosticados com o transtorno de compulsão alimentar devem ter um acompanhamento medico geral, observando questões como diabetes, hipertensão, dislipidemia, dores, desordens do sono, desordens intestinais, asma, e no caso das mulheres, um acompanhamento sobre a função reprodutiva. (2)

É importante ressaltar que a terapia cognitiva tem como ênfase principal a diminuição dos episódios compulsivos, sendo o emagrecimento/perda de peso um objetivo secundário. (21)

Farmacologia:

Foi visto que os benefícios da farmacoterapia não parecem continuar após o fim da medicação. (21)

Lisdexanfetamina – LDX

O único medicamente que é devidamente aprovado para o tratamento da compulsão alimentar é o lisdexamfetamina (LDX), fármaco muito utilizado no tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. (2,28)

LDX em doses de 50-70mg (não 30mg) reduziu significativamente os sintomas da compulsão alimentar, entre outros fatores das desordens alimentares. (2)

A DEA considera o LDX como um fármaco com risco de abuso e dependência, sendo necessário monitoramento. (2)

Sua recomendação é a utilização de 1x ao dia, pela manhã, com ou sem jejum, não sendo recomendado seu uso no período da noite devido ao seu potencial de causar insônia. (28)

Foram visto efeitos na redução da compulsão com 1 semana de tratamento, sendo que esses efeitos perduraram ate a 12ª semana de estudo. (28)

Entre os efeitos colaterais, o mais encontrado foi o de boca seca. e insônia (28)

Inibidores da recaptação da serotonina:

Os inibidores da recaptação de serotonina são considerados os melhores agentes farmacológicos para a compulsão (fluoxetina, fluvoxamina, sertralina). (21, 27)

Dasotraline:

É um medicamento que ainda esta sendo estudado. A dasotralina é um inibidor da recaptação de dopamina e norepinefrina. (28)

Possui um meia vida longa, sendo necessário apenas 1 dose/dia.

Foram utilizado doses de 4-6mg/dia, sendo encontrado resultados de até 4 semanas sem nenhum episodio de compulsão. (28)

Dentre os efeitos colaterais mais comuns temos: insônia, redução de apetite e perda de peso. (28)

Terapia cognitivo comportamental – TCC:

A tcc produziu melhoras significativas nos sintomas de depressão e na concepção da imagem corporal, além de uma acentuada perda de peso. (23)

Terapia Nutricional:

Resumo:

  • Avaliar a Vitamina D (22)
  • Ajustar a ingestão de proteínas (22)
  • Ajustar a ingestão de zinco (22)

Suplementação:

Alimentos interessantes:

Fitoterapia:

  • Extrato seco padronizado de Rhodiola Rosea (3% de rosavina e 3,12% de salindrospideo): 10-20mg/kg (3)
  • Passiflora
  • crocus sativus
  • ashwagandha

Aprender a comer:

Uma estratégia com bons resultados tem sido focada em habilitar as pacientes para que aprendam a fazer sozinhas boas escolhas alimentares(e consequentemente boas escolhas nutricionais), aprendendo a incluir todos os alimentos de forma contextualizada e em quantidade suficientes parra suprir seus sinais internos de fome, saciedade e vontade ( aprendendo, portanto, aprendendo também a respeitar os limites do bem-estar e saúde), separando a comida das emoções, sem a utilização de dietas restritivas. (19)

Vitamina D:

(+Sobre a vitamina D)

É comum uma baixos níveis de vitamina D nesses pacientes, tanto devido a um baixo consumo, como a uma baixa exposição ao sol.

Zinco:

(+Sobre o zinco)

A deficiência de zinco já foi identificada como um alvo no tratamento da anorexia devido ao seu papel na regulação do apetite e do sabor dos alimentos. (22) Além disso, o zinco tem sido estudado na resistência a insulina e na obesidade como algo benéfico. (22)

Rhodiola Rosea:

(+Sobre a Rhodiola rosea)

Um estudo em ratos encontrou benefícios contra a compulsão alimentar com o extrato de rodhiola (3% de rosavina e 3,12% de salindrosídeo) 10 ou 20mg/kg antes da ingestão alimentar. Foi visto que ambas as dosagem gerou uma diminuição da compulsão alimentar, sendo a dosagem maior, mais efetiva. (3)

Passiflora incarnata:

(+Sobre a passiflora)

Foi visto efeitos sobre os sistemas opioidérgicos e gabaérgicos, interferindo em mecanismos comportamentais. Efeitto associado a oleamida, que apresenta ação agonista ao receptor GABA e CB1 (4)

Modulam o sistema gabaérgico, incluindo a afinidade para os receptores GABA A e GABA B, além de efeitos na captação do GABA. (5)

Na pratica, a passiflora tem uma ação interessante na compulsão alimentar, principalmente relacionado a ansiedade.

Outro estudo mostrou que a oleamida atuando no nucleo accumbens, tendo ação agosnita nos receptores CB1 e 5-HT2C, modulando o comportamento alimentar. (6)

Um estudo avaliou que o extrato passiflora por 14 dias foi capaz de melhorar sintomas mentais como disforia, ansiedade, agitação, irritabilidade e o desejo por substanciar que atuassem no sistema de recompensas. (7)

Griffonia simplicifolia:

(+Sobre a griffonia)

As sementes dessa planta são a principal fonte de 5-HTP (componente intermediário para a produção de serotonina), que tem a capacidade de ultrapassar a barreira hematoencefálica, e ser convertida a serotonina, regulando o humor, a memoria, desordens obsessivo-compulsiva, depressão e ansiedade.

Um estudo em animais utilizou a suplementação de 5-HTP (98%purificado da fonte vegetal Griffonia simplicifolia) 1, 2 e 4h antes da ingestão alimentar, e em todos os grupos houve uma diminuição dessa ingestão alimentar, de maneira dose-dependente, sendo utilizados doses de 50, 100 e 200mg. (8)

Em humanos, foi testado a suplementação de 5-HTP via oral, com doses entre 100-150mg, e após 1 e 2h foi visto um aumento significativo de 5-HTP no plasma (havendo uma elevação de 1,5 a 2,3x). (8) Então, acredita-se que a 5-HTP pode ser útil no controle da ingestão alimentar excessiva de alimentos gerada por estresse. (8)

Um estudo com mulheres com sobrepeso avaliou a suplementação de 5-HTP, a partir da Griffonia junto a outros fitoterápicos, com 3 doses 5x ao dia (em jejum pela manha, no meio da manha, antes do almoço, à tarde em jejum e antes do jantar) durante 4 semanas. Foi visto uma redução do IMC, dobras cutâneas, além de um aumento da saciedade. (9)

Camellia sinensis:

(+Sobre o chá verde)

Crocus sativus:

(+Sobre o Crocus)

Um estudo utilizando o extrato de crocus sativus panteado, 176,5mg/dia (padronizado em 0,3%) por 8 semanas reduziu a fome e a frequência de beliscada entre as refeições. (16)

Outro estudo avaliou o efeito do açafrão no apetite, com 30mg de extrato aquoso do crocus sativus ou extrato aquoso de crocina por 8 semanas. Nesse estudo foi visto uma redução do IMC e da massa gorda, com uma redução na ingestão energética, sendo o efeito do extrato mais potente do que da crocina de forma isolada. (17)

Já neste estudo, foi utilizado 15mg 2x ao dia em mulheres com sobrepeso e depressão por 12 semanas, não sendo encontrado efeitos na redução do desejo alimentar, porém, com uma pequena melhora nos scores de depressão. (18)

Ashwagandha – Withania somnifera:

(+Sobre a ashwagandha)

Por meio do seu extrato metanólico poderia oferecer os glicowithanolídeos, exercendo uma melhora no comportamento obsessivo compulsivo, sendo seu efeito comparado a medicamentos padrões como a (fluoxetina). Os autores discutem que um dos possíveis mecanismos seria na inibição da recaptação de serotonina, melhorando sua neurotransmissão pós-sináptica. (13)

Em outro estudo realizado com camundongos resistentes a leptina, foi utilizado a withaferina A (1,25mg/kg) por 21 dias, sendo encontrado uma redução da ingestão alimentar, redução do peso corporal, sendo ambos resultados atribuídos a melhora da sensibilidade à leptina. (14)

Outro estudo avaliou 50 indivíduos sob estresse crônico, utilizando 300mg de extrato de Withania somnifera 2x ao dia por 4 e por 8 semanas. Foi encontrado uma redução acentuada das pontuações de “alimentação emocional” , “alimentação descontrolada” após 4-8 semanas. (15)

Garcinia cambogia:

(+Sobre a garcinia)

A planta apresenta um efeito de inibição de apetite, associado ao seu principal componente, o ácido hidroxicitrico, que inibe a recaptação de serotonina, atuando sobre os mecanismos de saciedade.

Um estudo avaliou a utilização de um produto com a garcinia cambogia, 500mg de extrato seco (a 60% de hidroxicitrato), 200mg de extrato de alga marinha Ascophyllum nodosum e 20 mg de L-carnitina ou placebo, 2x ao dia, 1h antes do almoço e jantar, por 2 semanas (1 semana de wash-out). Foi encontrado uma redução na sensação subjetiva de fome, aumento da saciedade porém sem diferenças na ingestão energética. (10)

Um estudo com 60 pessoas com sobrepeso, por 8 semanas, utilizando 4500mg de extrato de garcinia (60% de hidroxicitrato) teve um aumento na saciedade, pois foi visto um aumento nos restos de alimentos (11)

Uma meta-analise encontrou baixos resultados, sendo a maioria dos estudos sem eficácia, concluindo que a magnitude do efeito é pequena e a relevância clinica é incerta! (12)

Fisiopatologia:

Uma das teorias que tentam explicar os transtornos alimentares se baseia na inabilidade das pessoas em lidar de forma apropriada com as emoções, incluindo até sentimentos positivos. (1) Assim, os indivíduos com desordens alimentares utilizam da compulsão como forma de lidar com essas emoções indesejadas. (1)

O TCA é uma desordem mais balanceada em relação a sua prevalência, ocorrendo em uma taxa de 4:6 entre homens e mulheres, enquanto que desordens como anorexia e bulimia ocorrem em uma taxa de 1:9. Por esse motivo ela é a desordem alimentar mais frequente em homens,(2)

Ele é presente em aproximadamente 2% da população mundial.(27)

Níveis de Compulsão:

  • Suave – 1 a 3 episódios/semana (28)
  • Moderado – 4 a 7 episódios/semana (28)
  • Severo – 8 a 13 episódios/semana (28)
  • Extremo – 14 ou mais episódios/semana (28)

Relação com desordens psiquiátricas:

A maioria dos pacientes diagnosticados com TCA (67%-79%) apresentam ao longo da vida pelo menos uma comorbidade psiquiátrica, sendo as desordens de humor e ansiedade as mais prevalentes, sendo os transtornos de ansiedade menos importantes em relação aos episódios. (1,28) Foi visto que 4 de 5 pacientes adultos diagnosticados com o transtorno da compulsão alimentar apresentam ao menos 1 desordem psiquiátrica ao longo da vida. (2)

Dos pacientes diagnosticados com outras condições psiquiátricas, foram vistos: 65% com desordens de ansiedade, 46% com desordens de humor, 43% com desordens de impulsividade, e 25% com abuso de substancias. (28)

Alguns estudos tem sugerido uma associação entre sintomas depressivos, e a compulsão alimentar, sendo diretamente relacionado os níveis de depressão e de compulsão. (1)

Parece que os indivíduos com TCA que vivem experiências “estressoras” reagem emocionalmente de forma diferente de outras pessoas sem o transtorno. (1) Um estudo avaliou o estado de humor dessas pessoas e encontrou que eles reportam mais eventos negativos, e que eles apresentam uma menor capacidade de tolerar um “humor” negativo quando comparado a pessoas “saudáveis”. (1)

Controle da emoção:

(+Sobre o controle das emoções)

O controle da emoção é um termo utilizado para descrever a capacidade das pessoas de manejar de forma efetiva as “emoções” em resposta aos eventos do dia a dia. (1) É o processo no qual se é definido qual a emoção, quando ela ira acontecer e como será a reação e a expressão dessa emoção. (1)

Indivíduos que regulam suas emoções de forma “adaptativa”, tem a habilidade de modular esses estados afetivos. (1)

Alguns modelos sugerem que a compulsão alimentar é um meio encontrado pelo individuo para amenizar emoções negativas, provavelmente pela falta de estratégias adaptativas para essa modulação. (1,24) A literatura sugere que a compulsão pode melhorar o humor de forma temporária. (1)

Esse modelo afirma que a compulsão alimentar é uma forma de “distração”, para que ele não precise lidar com as emoções, usando a comida como conforto e distração. (1)

Nesse sentido é importante ressaltar que o problema não são as “experiências negativas” mas a falta de estratégias para lidar com elas. (1) A tentativa de suprimir emoções indesejadas tende a gerar comportamentos não saudáveis, como o abuso de substancias, alimentos e até auto injuria. (1)

Estudos tem demonstrado que indivíduos com TCA tem a tendência a suprimir suas emoções e reavalia-las menos. (1)

Um autor sugeriu que a ruminação dos pensamentos é um processo cognitivo importante que é associado a gravidade da psicopatologia da desordem alimentar. (1) Por exemplo, aquelas pessoas que se preocupam com seu corpo/peso e tendem a se comparar com padrões podem acabar mais estressados/preocupado com seu corpo do que os outros. (1)

TCA e estresse:

Dentre os fatores que contribuem para o comportamento compulsivo, o estresse aparece de forma destacada, já que ele ativa o eixo HPA. (24) Esta ativação leva ao aumento de cortisol no plasma, o que aumenta o metabolismo energético, estimulando a ingestão de alimentos. (24)

A condição de ansiedade causada pelo estresse tende a levar a busca do alimento como conforto, numa tentativa de atender a necessidade energética da rede de resposta a esse estresse crônico. (24)

Características:

Alguns estudos tem encontrado que um “alterações no humor” precedem episódios de compulsão. (1)

Um estudo encontrou que raiva/frustração, ansiedade e tristeza/depressão representam 95% do “humor” que precede a compulsão. (1)

Foi visto que alterações no sistema nervoso central, mais especificamente a atividade da serotonina, pode influenciar diretamente o comportamento alimentar, exercendo um importante papel em outros transtornos psiquiátricos. (21)

Indivíduos com o TCA tendem a comer sozinhos devido a vergonha, sendo atormentador por sentimentos de desgosto, culpa ou tristeza. (1)

Um estudo apontou que os pacientes com o TCA ingerem aproximadamente 1000kcal a mais do que individuos sem o transtorno, e com uma ingestão proporcionalmente maior de fastfoods e sobremesas (geralmente com um consumo de gorduras aumentado, e o de proteínas diminuído). (19)

Foi visto que as mulheres tendem a alcançar o sobrepeso mais novas, e com uma maior tendência a realizar dietas, enquanto que os homens geralmente compensam com a pratica frequente de exercícios extenuantes, porém, sendo mais comumente diagnosticados com a síndrome metabólica. (2)

Foi visto que 63% das pessoas diagnosticadas com TCA possuem prejuízos no trabalho e na escola, em questões sociais, e do convívio com a família. (28)

Os episódios compulsivos são mais caracterizados pela quantidade anormal de comida do que pelo desejo de algum alimento especifico. (28)

Compulsão alimentar e mulheres:

Entre as diferenças biológicas, o efeito do estrógeno durante a puberdade parece facilitar o desenvolvimento da compulsão em mulheres geneticamente vulneráveis. (2)

Foi visto que durante a fase lutea, os sintomas e a frequencia são elevados. (2)

Foi visto que mulheres com TCA demonstraram uma menor sensibilidade ao sistema de recompensa, um maior déficit de atenção, e de tomada de decisão, havendo ainda alterações nas funções cerebrais associadas a impulsividade. (2)

Níveis elevados de progesterona e baixos níveis de estradiol foram associados com um aumento da compulsão alimentar, e do “comer emocional” (2) Um outro trabalho do mesmo grupo demonstrou que a baixa de estradiol e progesterona são associados a uma maior desregulação dos episódios de compulsão alimentar

Entre as mulheres, a compulsão alimentar é associada com, menarca precoce, disfunção menstrual, partos com bebes com alto peso ao nascer, além de um aumento na duração dos estágios 1 e 2 do trabalho de parto. (2)

Características comuns dos pacientes com TCA:

  • Não reconhecem seu problema central – procuram tratamento para tudo, menos para a compulsão. (19)
  • Baixa autoestima – Não reconhecem seus méritos/conquistas, e tem dificuldade em cuidar de si. (19)
  • Impulsivo – Apresentam dificuldade de controle, muitas vezes não se dão conta de exageros. (19)
  • Desorganizado – Tem grande dificuldade no planejamento alimentar, assim como de perceber gatilhos. (19)
  • Problemas com imagem corporal – Não apresentam uma distorção, mas depreciam sua própria imagem. (19)
  • Sofrimento em relação ao comportamento alimentar – Sentem desconfortáveis com o descontrole. (19)

As atividades ideativas são responsáveis pelo curso ideativo, permitindo o pensamento lógico e sua flexibilidade de forma saudável. Foi visto que a população com TCA apresentou déficits nessas atividades, o que pode explicar a dificuldade de perder peso e na adesão de dietas. (23)

A percepção da imagem corporal, e a preocupação com ideal de corpo saudável pode contribuir para o inicio e a manutenção de transtornos alimentares. Estudos tem apontado a predominância do TCA em indivíduos insatisfeitos com o peso e com a aparência foi aproximadamente 4x maior. (23)

Além disso, foi visto que, principalmente nas mulheres, há um certo receio a determinadas palavras, principalmente aquelas relacionadas ao excesso de gordura, tamanho do corpo, peso e etc… (28)

Compulsão e Síndrome metabólica:

(+Sobre a síndrome metabólica)

O TCA é um fator de risco independente para o desenvolvimento da síndrome metabólica, além do desenvolvimento da obesidade. (2)

É importante ressaltar que as consequências de longo prazo da compulsão alimentar não devem ser amenizadas, sendo de grande importancia. (21)

Em um grupo de adultos com TCA, foi visto que 71% apresentam um IMC >30, e mais de 25% das crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade associam a perda de controle e compulsão na hora de comer. (22)

Geralmente pessoas com o transtorno apresentam marcadores inflamatórias ligados a síndrome metabólica, com risco para morbidade e mortalidade aumentadas. (22)

Uma pessoa com o TCA tem 13 mais chances de desenvolver DM2. (22) Além disso, foi visto que 25% dos pacientes diabéticos apresentam o transtorno. (22)

Pacientes bariátricos, o diagnóstico de TCA é o segundo mais prevalente, ficando atrás apenas da depressão. (22)

Foi verificado também que indivíduos obesos com TCA apresentaram déficits na flexibilidade cognitiva, na memória de trabalho e na resolução de problemas. (23)

Pacientes com TCA foram associados a um maior risco de diabetes, colesterol alto, triglicerideos elevados e hipertensão. (28)

Efeitos gastrointestinais:

Pacientes compulsivos reportam com frequência, refluxo e azia, disfagia, inchaço abdominal, dor abdominal, diarreia, constipação, e urgências do trato gastrointestinal inferior. (22)

Doenças autoimunes como a doença de crohn pode ser mais prevalante em pacientes compulsivos. (22)

Efeitos nutricionais:

A analise de pessoas com compulsão demonstrou que geralmente há um maior consumo de carboidratos, açúcar, com elevados níveis de gordura e baixos níveis de proteína. (22)

Geralmente dietas ricas em gorduras são associadas a um baixo consumo de vitaminas A, C, e folato. (22)

Além disso, dietas com um alto consumo de bebidas açucaradas foi associada a um menor consumo de leite, o que reduz a ingestão de calcio e vitamina D. (22)

Sendo importante ressaltar que a vitamina D em pessoas obesas tende a ficar sequestrada no tecido adiposo (22). E é comum que essas pessoas escondam seu corpo, diminuindo ainda mais a exposição ao sol. (22)

TCA e Câncer:

(+Sobre o câncer)

Existem diversos fatores para o câncer nos pacientes com o transtorno de compulsão alimentar, sendo uma relação entre os dois possível. (22)

TCA e Cigarro:

Pessoas com TCA apresentam uma maior dificuldade para parar de fumar, quando param, apresentam um ganho de peso ainda maior, e são mais propensas a fumar durante a gravidez. (22)

TCA e saúde reprodutiva:

Desordens menstruais como a amenorreia, oligomenorreia, e transtorno disfórico pré-menstrual são associados ao transtorno de compulsão alimentar. (22)

A relação entre fertilidade e o transtorno ainda não foi devidamente estudado, porém, a obesidade e a síndrome metabólica estão associadas com a subfertilidade. (22)

TCA e gestantes:

(+Sobre gestantes)

Apesar de em outros transtornos alimentares a gravidez conferir certo grau de proteção (como na bulimia e anorexia), na compulsão ela é um fator de risco. (22)

Gestantes com TCA tem um risco aumentado para o ganho de peso excessivo, e um aumento no risco de uso do tabaco. (22)

Além disso, essas gestantes tendem a consumir menores quantidades de folato, potássio, vitamina C, gerando problemas de formação, somados a um maior consumo de cafeína, que aumenta o risco para um aborto espontâneo. (22)

E após o parto, as pacientes com compulsão alimentar tem um maior risco para a depressão pós parto. (22)

TCA e Sono:

(+Sobre o sono)

Existem uma serie de anormalidade para se observar em pessoas com TCA. (22)

A síndrome do comer noturno é relativamente frequente, acometendo 15-20% dos pacientes, sendo essa sindrome associada a disforia, insônia, anorexia matinal. (22)

Além disso, a obesidade e a compulsão tendem a estar associado a um sono de curta duração. (24)

TCA e saúde óssea:

(+Sobre a saúde óssea)

Doenças ósseas são consequências de longo prazo da compulsão. Tanto devido ao menor consumo de cálcio, menor controle alimentar e menor exposição a vitamina D, como pelo excesso de peso, níveis aumentados de gordura e de cortisol, que são relacionados a menor densidade mineral óssea. (22)

Dieta e TCA:

Alguns autores analisaram a alimentação de indivíduos para avaliar se uma alimentação hipocalórica, hipercalórica, ou períodos de jejum poderiam contribuir para episódios de compulsão. (23)

Embora os indivíduos tenham apresentando um alto consumo de alimentos após o jejum, não foi possível confirmar que isso contribui diretamente para mais episódios, ou mesmo que dietas hipocalóricas ou restritivas sejam “gatilhos” para episódios compulsivos. (23)

Nutrientes e TCA:

A deficiência de algumas vitaminas e minerais tem sido implicada na patologia dos transtornos alimentares, devido ao papel essencial de alguns nutrientes no sistema neuroendócrino. (26)

Hoje acredita-se que há uma via de mão dupla onde uma dieta pobre pode ser a causa ou a consequência de uma desordem alimentar (26)

Nutrientes como triptofano, vitamina B6, ácido fólico, fenilalanina, tirosina, histidina, colina e ácido glutâmico são essenciais na produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e norepinefrina. (26) Neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, apetite e cognição. (26)

Além deles, o ômega-3 também tem influencia na regulação da neurotransmissão dopaminérgica e serotonérgica, capaz de influenciar tanto na depressão como na ansiedade. (26)

Referências Bibliográficas:

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