Cromo – Biodisponibilidade, Metabolismo, recomendação nutricional, suplementação…

Última Atualização: 05/08/2021

O cromo é um mineral-traço amplamente distribuído no solo. (1)

O cromo trivalente apresenta papel chave na ação da insulina, uma vez que estudos indicam que esse mineral facilita a ligação da insulina ao seu receptor na membrana celular, o que promove aumento da captação de glicose e de aminoácidos, bem como favorece a síntese proteica.

Exames Bioquímicos:

Não existem indicadores clínicos para identificar o estado nutricional do indivíduo em relação ao cromo. (1)

Biodisponibilidade e metabolismo:

O cromo apresenta uma baixa disponibilidade, apenas 0,5 a 2% desse mineral é absorvido pelo organismo. Dentre os fatores que contribuem para essa baixa absorção destacam-se o fitato, zinco, ferro, e o vanádio. (2)

Entretanto, compostos orgânicos derivados do cromo são bem absorvidos, como o picolinato e nicotinato. (1)

Já aminoácidos, oxalato, Vit. C e amido podem aumentar a biodisponibilidade do cromo. (1,2) Ademais, o percentual de absorção é inversamente proporcional à quantidade de cromo ingerida. (1,2)

O cromo é principalmente armazenado em ossos, fígado, baço, músculos e tecido adiposo, totalizando um pool corporal ao redor de 0,4 – 0,6 mg. (1,2)

Sua absorção ocorre por difusão passiva; no entanto, em determinadas condições outros mecanismos podem operar. (1)

Uma vez absorvido, o Cr se mantém na correte sanguínea ligado principalmente à transferrina, proteína que se liga de forma reversível a dois íons metálicos, o Cr e o Fe, com maior preferência para o ferro. (1)

Por esse motivo, sem se sugerido que o excesso de ferro, hemocromatose, pode interferir no transporte de cromo, pela competição pela ligação à transferrina. (1)

Porém não sabemos se o contrário também é verdade, alguns estudos em humanos tem demonstrado que a suplementação de cromo não afeta o estado nutricional do individuo em relação ao ferro, ao passo que outros estudos mostram que a suplementação poderia diminuir essa saturação de transferrina. (1)

Recomendação nutricional:

35 mcg / dia – Homens (3)

25 mcg / dia – Mulheres entre 19 e 50 anos. (3)

Fontes: condimentos, fígado, leveduras, tubérculos, brócolis, alho, suco de uva, vegetais e legumes, grão integrais, cereais integrais, leguminosas/feijões, nozes, cogumelos, ameixas e passas, cerveja, vinho, queijos, ovos…

A escassez de dados clínicos fidedignos que assegurem e estabeleçam quantidades adequadas de ingestão dificulta a definição de parâmetros que determinem as recomendações nutricionais.

A ingestão de cromo não dieta não pode ser determinada por nenhuma base de dados já existente. (1)

Suplementação nutricional:

A forma mais utilizada é o picolinato de cromo, que é mais bem absorvida quando compara a outras formas comercializadas no mercado.  

A suplementação do picolinato apresentou apenas uma leve diminuição da glicemia de jejum. (2)

A suplementação de 200 – 800 mcg/dia não foi capaz de aumentar a massa magra ou reduzir a gordura corporal. (3)

Obs: Não existem estudos mostrando que essa suplementação no longo prazo é interessante, por isso não deve ser utilizado por mais de 3 meses.

A suplementação em doses excessivas pode gerar um aumento do estresse oxidativo. (Pós-VP)

Sabe-se que indivíduos que não apresentam alterações de glicemia, de insulina e que sejam eutróficos não se beneficiam do uso deste mineral. (1)

Toxicidade e segurança:

Quando ingerido, o cromo III possui baixo grau de toxicidade, principalmente pela sua baixa absorção.  (1)

Estudos em ratos  mostraram que doses de 100mg/kg desse elemento é segura. (1)

Em humanos, tratamento de 1000mcg/dia por 64 meses não resultaram em nenhum efeito toxico. (1)

Mecanismos associados à bioatividade do cromo:

O cromo é um elemento essencial para a normalidade do metabolismo de carboidratos e lipídios apesar de recentemente alguns questionamentos terem sido levantados. (1)

Desde 1950 tem sido demonstrado que o cromo tem papel importante na tolerância à glicose, mantendo sua normalidade, de modo que sua deficiência prejudica a utilização desse carboidrato.

O cromo é associado a uma redução na vontade de comer doces. (Pós-VP)

Já foi visto que o cromo é um importante fator no transporte de ferro. (pósVP)

Cromo e metabolismo da glicose:

Modelos em animais e humanos de diabetes tipo 2 mostraram uma maior excreção urinaria de Cr. Por isso, especula-se que indivíduos diabéticos poderiam se tornar deficientes em Cr e que esta condição poderia exacerbar os sintomas de diabetes. (1)

Ao que tudo indica, o aumento na produção de insulina em função do  aumento da glicemia resulta em um aumento da perda de Cr. (1)

O cromo esta diretamente relacionado a isso pois o aumento das concentrações de insulina estimula o transporte e o influxo do cromo para as células, com consequente associação a cromodulina intracelular, intensificando a atividade tirosinoquinase do receptor de insulina, o que, em última instancia, acarreta aumento da translocação do GLUT4 para a membrana plasmática. (2)

Nesse contexto, indivíduos com diabetes tipo 2 descompensado poderiam se beneficiar com a suplementação do cromo. (2) Um estudo mostrou que 400mcg/dia de picolinato foi benéfico na melhora da sensibilidade a insulina. (1)

Pela falta de dados clínicos consistentes, a American Diabetes Association (ADA) e a Associação europeia de estudos sobre o diabetes não recomendam a suplementação de cromo trivalente como tratamento do diabetes. (1)

Cromo e SOP:

(+Sobre a SOP)

O picolinato de cromo reduziu a glicose de jejum e os níveis de insulina, e aumentou a sensibilidade à insulina em pacientes cm síndrome do ovário policístico após 3 meses de tratamento.

Cromo e o colesterol:

O cromo é capaz de inibir a enzima HMG-CoA redutase que é relacionada a síntese de colesterol. Quando um paciente esta com colesterol elevado pode ser interessante uma formulação com cromo. (Pós-VP)

Alguns estudos demonstraram  que os níveis de colesterol total, LDL e triagilglicerois parecem diminuir, enquanto HDL  e apolipoproteina A parecem aumentar. (1)

Cromo e HIV:

Alguns estudos tem sugerido que a suplementação de cromo pode atenuar  alguns efeitos colaterais associados a terapia antirretroviral. (1)

Pacientes com HIV normalmente desenvolvem resistência à insulina, o que torna o mineral cromo interessante para o tratamento. (1)

Além disso, foram vistos efeitos na diminuição dos triglicerídeos. (1)

Cromo e estresse oxidativo:

O cromo trivalente parece ter participação na inibição do estresse oxidativo e na secreção de citocinas inflamatórias. (1)

Um estudo mostrou que a suplementação de 400mcg/dia de picolinato de cromo foi capaz de diminuir a inflamação e o estresse oxidativo. (1)

Considerações sobre cromo e exercício:

Sugere-se que o aumento da captação de aminoácidos – decorrente da melhora na sensibilidade à insulina –  favoreça a síntese proteica. Contudo estudos mostraram que a suplementação de cromo não foi capaz de promover o aumento da massa muscular, bem como diminuir a gordura corporal. (2)

A suplementação com cromo não apresenta evidencias expressas que corroborem seu uso com o intuito de promover o ganho de massa muscular. (2)

Fisiologia geral:

O cromo existe em diversas formas, das quais a trivalente e a hexavalente são as mais comuns. (1) Sua forma hexavalente é reconhecida como toxica, podendo produzir irritação local e atémesmo corrosão em virtude de seu alto poder oxidante. (1)

A forma trivalente é mais estável e, geralmente, encontra-se nas plantas, ligadas a complexos orgânicos, provavelmente como forma de reserva destas. (1)

Referências bibliográficas:

1- Cozzolino S. Biodisponibilidade de Nutrientes. 6a. São Paulo: Manole; 2020. 934 p.

2- Lancha Jr. AH, Rogeri PS, Pereira-Lancha LO. Suplementação Nutricional no Esporte 2a Ed. 2a. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2019. 266 p.

3- Kerksick CM, Wilborn CD, Roberts MD, Smith-Ryan A, Kleiner SM, Jäger R, et al. ISSN exercise & sports nutrition review update: Research & recommendKerksick, C. M., Wilborn, C. D., Roberts, M. D., Smith-Ryan, A., Kleiner, S. M., Jäger, R., … Kreider, R. B. (2018). ISSN exercise & sports nutrition review update: Research & recommendat. J Int Soc Sports Nutr. 2018;15(1):1–57.