Depressão – Fisiologia, tratamento, terapia nutricional, suplementação …

Última Atualização: 11/08/2021

Diagnostico:

O diagnostico da depressão é baseado em sintomas, sendo dois de extrema relevância: o humor depressivo e a anedonia,  a perda de interesse pelo prazer. Existem outros sintomas levados em consideração, porém os outros são similares em outras patologias.

Alterações Bioquímicas:

  • Vit B12
  • Folato sérico
  • Folato eritrocitário
  • Vit. D
  • Zinco

– As vitaminas B12 e Folato sérico foram encontradas diminuídas em pacientes com depressão. Essas vitaminas do complexo B são parte essencial na produção de neurotransmissores.

Foi associado a deficiência de vit. D à distúrbios do humor ativo, com aspectos de transtorno cognitivo assim como risco elevado par depressão. (1)

Objetivo do tratamento:

Varia de acordo com a subtipagem e a gravidade dos sintomas apresentados.

Para casos leves, a psicoterapia pode ser suficiente, já para casos graves, ela é essencial, porem não é suficiente.

  • Controle da inflamação sistêmica.
  • Ajuste do eixo HPA
  • Aumento na produção de serotonina

Tratamento médico:

Geralmente pacientes que fazem o uso de antidepressivos tendem a variar de peso. (1)

Farmacologia:

O tratamento atual farmacológico é baseado na modulação de neurotransmissores monoamínicos. (2)

Inibidores de monoamina oxidase:

A monoamina degrada a serotonina na fenda sinaptica. Sua inibição aumentaria a disponibilidade de serotonina.

A literatura apresenta esses inibidores como o melhor tratamento para a depressão porem eles são repletos de efeitos colaterais, não sendo a droga de primeira escolha.

Antidepressivos tri cíclicos:

Atuam em três neurotransmissores

Inibidores seletivos de recaptação de serotonina:

Inibe a serotonina de ser recapitada, aumentando sua quantidade circulante.

São a primeira linha de tratamento.

Pode apresentar efeitos colaterais: Disfunção sexual, ganho de peso, queda de cabelo, náuseas e  dores de cabeça

Obs: Não adianta utilizar remédios contra a recaptação de serotonina se não houver uma produção adequada de serotonina. Se não houver um controle da inflamação periférica, o triptofano não seguira a via de produção de serotonina.

Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina:

Terapia nutricional:

Resumo:

  • Controle do peso
  • Evitar restrições severas, tanto calóricas, quanto de CHO
  • Aumentar fontes de Triptofano
  • Antioxidantes
  • Chás, cacau, café;
  • Micronutrientes: ácido fólico

Suplementação nutricional:

  • Ômega-3: – 1-3 g/dia; sendo 720-1000mg de EPA / dia, sendo pelo menos 60% EPA; 40% DHA
  • Vit. D
  • Curcumina – 30-80mg/dia
  • Magnésio – Citrato; Lactato; Cloreto – 200-1000mg/dia – Capsulas gastro-resistentes + Vit. B6
  • Zinco – 25mg/dia
  • Resveratrol – 15-80mg/kg/dia
  • Ácido Fólico
  • Creatina

Probióticos:

1 – Prescrição:

  • Bifidobacterium bifidum – 1 BLH/UFC
  • Bifidobacterium Lactis – 1 BLH/UFC
  • Lactobacillus acidophilus – 1 BLH/UFC
  • Lactobacillus brevis – 1 BLH/UFC
  • Lactobacillus casei – 1 BLH/UFC
  • Lactobacillus salivarius – 1 BLH/UFC
  • Lactococcus lactis – 2 BLH/UFC

2 – Prescrição:

  • Lactobacillus casei – 3×103
  • Lactobacillus acidophilus 3×107
  • Lactobacillus Bulgaricus 7×109
  • Bifidobacterium breve 5×108
  • Bifidobacterium  Longum 1×109
  • Streptococcus Thermophilus 3×108

Orientações nutricionais:

Controle do peso:

A depressão entre outros transtornos são conhecidos por influenciar tanto no comportamento alimentar quanto em outros hábitos de vida, como fumar, beber e autocuidado. (1)

A restrição calórica por 8 semanas acompanhado de terapia complementar foi capaz de gerar benefícios na condição da depressão.

Ômega-3:

(+ Sobre o ômega-3)

O Omega-3 é capaz de ajudar pelo aumento na fosfatase alcalina intestinal, capaz de diminuir a produção de citocinas pró-inflamatórias como o  TNF-α, IL-6, IL-2, IL-1β que foram relacionadas à depressão. (3)

Tanto o EPA quanto o DHA também são capazes de diminuir a inflamação através do seu precursor acido araquidônico. EPA  e DHA combinam com o acido, levando a uma diminuição tanto celular quanto plasmática do acido araquidônico, diminuindo a inflamação. (3)

Outra possibilidade é que o EPA é capaz de diminuir a produção de acido araquidônico através da inibição da delta-5-desaturase. (3)

O EPA compete com o acido araquidônico pela fosfolipase A2 e ajuda a bloquear o processo de síntese de eicosanoides pró inflamatórios.

O EPA pode estar parcialmente relacionado com a habilidade do cérebro de aumentar a neurotransmissão dopaminérgica e serotonérgica. Ele também foi associado com N-acetyl-aspartate, um marcador neuronal de homeostase, sugerindo um efeito neuroprotetor. (3)

O EPA também pode melhorar a depressão pela diminuição da interferon gama, citocina inflamatória,  que diminui a transformação do triptofano em serotonina.

Estudo mostrou uma redução de 20% no score de ansiedade após a suplementação de 2,5g de Omega-3.

O Omega-3 foi relacionado ao aumento das concentrações de BDNF, aumentado a plasticidade sináptica, e aumentando a capacidade do cérebro de neurotransmissão, tanto dopaminérgica quanto serotoninérgica.

É proposto também que o EPA é capaz de inibir a liberação do CRH, que da o “start” no eixo HPA, que estimularia a formação do cortisol. Então possivelmente ele esta relacionado a redução do cortisol sérico.

As combinações mais significativas para a depressão é de EPA puro e EPA sendo > 60% da formulação do omega3, sendo ate 1g já o suficiente.

Doses acima de 1g EPA não obtiveram resultados.  (3)

Creatina:

(+Sobre a creatina)

A creatina ajuda na ressintese de energia,  a produção de energia é otimizada, sendo então um suplemento sinérgico, junto a B3, ao triptofano, melhorando a produção de serotonina e melatonina, favorecendo a saúde cognitiva do sujeito.

Vitaminas do complexo B:

Principalmente a B12, B9, B6. (1)

São conhecidas por apresentarem efeitos na saúde neurológica e cerebral, e a ingestão adequada é importante para indivíduos com transtornos psiquiatricos. (1)

Magnésio:

(+Sobre o magnésio)

Fontes: nozes, sementes de girassol, vegetais  de folhas verdes e grãos integrais, semente de abobora.

A ingestão alta de zinco, gordura, cálcio, fibra café, chá reduzem a absorção de íons mg no intestino.

Psicotrópicos, sedativos, diuréticos, antibióticos, Inibidor de bomba de prótons, aumentam o risco de deficiência de magnésio.

O mg tem papel modulatório no sistema nervoso central

Uma baixa ingestão de mg foi associada a um maior risco de desenvolvimento de depressão, ansiedade em adultos ou com uma resposta ruim ao tratamento antidepressivo.

O mg atua como antagonista natural do cálcio e bloqueia o receptor de glutamato. Resultando no funcionamento alterado das sinapses.

O mg aumenta a expressão de BDNF no córtex pré frontal, que geralmente esta reduzido em pacientes depressivos. O mg atenua a resposta  do eixo HPA  reduzindo a inflamação.

Ele normaliza o ciclo de sono/vigília.

A vit. B6 melhora a absorção do mg, principalmente na sua forma piridoxal fosfato.

Aspartato, citrato, lactato e cloreto de magnésio são os mais biodisponiveis do que o oxido de magnésio ou sulfato.

A suplementação deve ser feita em Capsulas gastro-resistentes

Dosagem de 200-1000mg.

Zinco:

(+Sobre o zinco)

Fontes: Germe de trigo, castanha do para, contra-file, alcatra, aveia, orégano, coentro, semente de linhaça.

A deficiência de zinco altera o eixo hipotálamo-hipofise-adrenal, aumentando os níveis de cortisol e promovendo um quadro de estresse crônico.

A deficiência de zinco é encontrada em pacientes com transtorno depressivo maior, depressão pos parto e em mulheres com TDPM (versão mais forte da TPM)

O zinco pode ser um bom biomarcador para depressão. Se atentar aos níveis séricos de zinco.

O equilíbrio dos níveis intracelular e extracelular de zinco é crucial para manter a homeostase do zinco em muitas regiões do cérebro, incluindo aquelas envolvidas na fisiopatologia da depressão, como hipocampo, amígdala e córtex cerebral.

A suplementação 25mg/dia de Zn foi capaz de diminuir os scores de depressão.

O Zn atenua o eixo HPA

Possui efeito antiinflamatorio e antioxidante, reduzindo a peroxidação lipídica e PCR

Melhora a homeostase de receptores glutaminérgicos (função antagonista a NMDA) e consequentemente a neurotransmissão das monoaminas.

Resveratrol:

(+Sobre o resveratrol)

O resveratrol tem sido implicado como um agente neuroprotetor.

Seu efeito antiinflamatorio atenua o eixo HPA, reduzindo os níveis séricos de cortisol plasmático. Isso foi visto com doses de 80mg/kg/dia. Nessa dosagem, o resveratrol também foi capaz de aumentar a expressão da SOD, aumentando a capacidade antioxidante do cérebro.

Aumenta a neurogenese, com aumento das monoaminas, regulando as funções cerebrais. A regulação das monoaminas influencia no comportamento, melhorando atividade do sistema de recompensa  (mesolimbico), normalmente hipoativado na doença, e melhorando a hipomobilidade de resposta ao ambiente.

Parece que o resveratrol esta ligado a volta do prazer no sistema de recompensa, alem de aumentar as quantidade de dopamina.

Doses de 15-80mg/kg/dia foi semelhante a alguns antidepressivos, como a fluoxetina, desipramina e cetamina.

Ele esta relacionado a redução da ativação da microglial (ligada a inflamação) reduzindo a expressão de NFKB, aumentando o BDNF.

Vitamina D:

(+ Sobre a Vit. D)

Fontes: Leite de soja, ostra, sardinha, camarão refogado, leite em pó, peixe de água doce, salmão.

A deficiência de Vit. D impacta tanto na síntese de neurotransmissores, como na do BDNF.

Cerca de 65% dos indivíduos com depressão apresentam níveis baixos de Vit. D

A vit. D é reconhecida como um importante nutriente para a saúde do cérebro. (1)

Uma das funções da vit. D é aumentar a expressão da enzima tirosina hidroxilase, importante na síntese de catecolaminas. Os baixos níveis dessa vitamina reduzem a transmissão sináptica, via BDNF.

A Suplementação de Vit. D gera uma ativação das células de Pannet melhorando a produção de peptídeos antimicrobianos (AMP), otimizando a resposta anti TNF-α.

Possui diversas ações antiinflamatorias. Dentro desse contexto, ela reduz a expressão do interferon gama, que gera uma diminuição da indolamina-3-oxidase – IDO, aumentado a disponibilidade do triptofano para a formação da serotonina.

Triptofano:

(+Sobre o triptofano)

Fontes: queijos, leite, iogurtes, carnes, peixes, lentilha, soja, semente de abobora, aveia, frango

Cacau:

(+ Sobre o cacau)

O consumo diário de 250-600mg/dia de polifenois do cacau tem demonstrado melhorar os sintomas da depressão clinica.

Seus efeitos estão relacionados as quantidades de epicatequinas, que possuem efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes.

Café / Cafeína:

(+ Sobre a cafeína)

>= 4 xícaras por dia (>=550mg/dia de cafeína)

Os estudos relatam uma associação positiva entre o consumo de café e menor prevalência de depressão, dependente da dose. Porém cuidado com pacientes ansiosos, e com outras condições clinicas, como refluxo, gastrite…

A cafeína estimula a liberação de dopamina, melhorando o sistema dopaminérgico. A dopamina é responsável por comportamentos de motivação, que normalmente estão reduzidos em pessoas depressivas.

Fitoquímicos:

Os fitoquímicos que se mostraram mais promissores na saúde mental foram três subclasses de flavonoides: flavonóis, antocianinas e flavonas. (1)

Os compostos fenólicos presentes no cacau, no café, e no chá podem gerar diversos benefícios relacionados ao sistema nervoso central. Eles são capazes de melhorar a saúde mental, a plasticidade neuronal, o comportamento e humor e a cognição.

Os efeitos agudos relacionados aos chás, que se mostraram capazes de reduzir o risco para depressão estão relacionados a L-theanina. E os efeitos crônicos são relacionados aos flavonoides presentes.

Probióticos:

(+ Sobre microbiota)

Meta-analises tem mostrado que o uso de probióticos pode melhorar sintomas de humor em pacientes com depressão leve a moderada, quando utilizado múltiplas cepas. (2)

Tem surgido um nome para os probióticos capazes de influenciar o cérebro, os psicobióticos.

Foram propostos quatro mecanismos principais que explicam pelo menos em parte a ação dos probióticos na melhora dos sintomas de depressão. (2)

– Controle do eixo HPA e diminuição da  via inflamatória. Os probióticos agiriam atenuando a hiperatividade do eixo HPA através da redução da expressão de IL-6, citocina responsável pela estimulação do eixo,  normalizando a resposta imune, e diminuindo comportamentos depressivos. (2)

– O nervo vago pode ter influencia na comunicação entre probióticos e o cérebro, sendo algumas cepas capazes de diminuir a ansiedade, comportamentos depressivos, e o estresse induzido por corticoesterona. (2)

– Os AGCC produzidos pela microbiota através da metabolização das fibras agem na comunicação entre cérebro e intestino. Os AGCC apresentam propriedades imunomoduladoras afetando a saúde do hospedeiro pela inibição da histona desacetilase, ativando  receptores acoplados à proteína G, e facilitando a produção colônica de serotonina. (2)

– Alguns neurotransmissores são modulados pela microbiota, por exemplo o triptofano, que é absorvido no intestino e transportado para o CNS  para a síntese de serotonina. (2)

A disbiose gera o LPS, que  se liga ao receptor TLR-4, induzindo uma cascata inflamatória via NFKB, que gera o aumento de citocinas, incluindo a interferon gama, que diminui a produção de serotonina.

Estudos mostram que algumas espécies de lactobacillus e bifidobacterium podem produzir GABA.  Geralmente pacientes com depressão apresentam uma expressão diminuída de GABA. (4)

Antioxidantes:

(+Sobre Antioxidantes)

Estudos recentes relataram que níveis reduzidos de antioxidantes, especialmente a glutationa – GSH, estão associados a maior gravidade do sintoma anedonia (perda do interesso no prazer).

A redução da glutationa gera um aumento no estresse oxidativo com consequente aumento na inflamação, piorando o quadro geral do paciente.

Açafrão:

(+ Sobre a cúrcuma / açafrão)

30-80mg/d entre 4-12 semanas

Eficaz no alivio dos sintomas de pacientes com ansiedade leva a moderada. Efeitos comparáveis ao fluoxetina. Reduz os escores de ansiedade e depressão em mulheres com TPM.

Através de suas propriedades antioxidantes a curcumina é capaz de reduzir o interferon-gama potencializando a conversão do 5-HT em serotonina.

Kava-kava:

100-300mg /d entre 3-25 semanas – NÃO é de prescrição nutricional.

Demonstrou ter efeitos ansiolíticos semelhantes a medicamentos utilizados para depressão e ansiedade. Apresentou diversos efeitos colaterais, enjoo, vômitos, alterações hepáticas…

Ginkgo biloba:

240mg/d entre 4-24 semanas

Redução significativa nos scores de ansiedade e depressão em comparação ao placebo.

Lavandula angustifólia:

80mg – 100mg/d entre 4-10 semanas

Atividade ansiolítica comparável a medicamentos como paroxentina e lorazepam. O cha de lavanda também pode aumentar o efeito do citalopram, um antidepresivo.

Rhodiola rósea:

200mg-680mg/d entre 2-12 semanas

O extrato da raiz reduz sintomas  de ansiedade e depressão quando comparado ao placebo, mas é menos eficaz que antidepressivos como a sertralina.

Matricaria recutita – camomila:

220-1100mg/dia por 8 semanas

Pacientes com transtorno de ansiedade generalizada leve a moderada, o extrato de camomila demonstrou atividade ansiolítica modesta quando comparado ao placebo.

Valeriana officinalis:

(+ Sobre a Valeriana)

81-600mg/dia por 4 semanas

O extrato de valeriana reduziu sintomas em pacientes com transtorno da ansiedade, apresentando efeitos similares ao diazepam.

Possui uma ação mais gabaérgica.

Artemisia absinthium:

750-1500mg/d entre 6-10 semanas

Reduziu significativamente os escores dos sintomas da depressão em pacientes com doença de crohn.

Outros tratamentos:

– Exercícios físicos são de extrema importância pois ajudam a regular o eixo HPA.

– O otimismo foi visto como uma forma de melhorar a condição de depressão.

Fisiopatologia:

A depressão é um distúrbio do pensamento e do humor, com sintomas emocionais, cognitivos e comportamentais decorrentes da visão do eu, do mundo e do futuro de maneira excessivamente negativas.

Fatores de risco:

  • Idade: Pico de prevalência entre 20-30 anos e entre 50-60 anos.
  • Sexo: a mulher apresenta 2x mais risco p/ depressão, principalmente devido a variação hormonal.
  • Genética: pais, principalmente mães com depressão aumentam 40% as chances dos filhos desenvolverem a doença.
  • Ansiedade: Geralmente os sintomas aparecem entre 1 e 2 anos antes da depressão.
  • Estressores psicossociais: Abuso físico/ sexual/  emocional, luto, problemas financeiros
  • Estressores biológicos: Gravidez, Pós parto, Menopausa
  • Foi visto que a qualidade da dieta está relacionada com a prevenção contra o risco para depressão. (Pós VP)

Super ativação do eixo HPA:

Pacientes com depressão apresentam uma hiperatividade do eixo HPA (hipotálamo-pituitaria-adrenal). Um dos motivos pelo qual isso acontece é pelo estresse crônico que gera um downregulation de receptores no hipocampo responsáveis pelo feedback negativo no hipotálamo. E  como consequência temos  o aumento do cortisol, vez  que o feedback deixou de acontecer.

Inflamação excessiva:

O estresse por sua vez ativa receptores do tipo TLR-s que ativam a liberação de citocinas pró-inflamatórias (IL-6, IL-2, IL-1, TNF-α, Interferon gama), que por sua vez são capazes de ativar ainda mais o eixo HPA.

Outro problemas que deve ser considerado é a inflamação intestinal de baixo grau. Essa inflamação além de por si só já ser um problema, ela é capaz de desviar o triptofano da via de produção de serotonina para a via de produção do acido quinolinico, que prejudica a disfunção sináptica.

Além disso,  o aumento do interferon-gama impede a síntese de serotonina ao inibir enzimas essenciais.

Esse excesso de inflamação gera uma redução da neuroplasticidade, ocorre uma diminuição no numero de sinapses neuronais, gerando uma disfunção sináptica.

Pois a inflamação é capaz de inibir a via do mTOR, que por  sua vez diminui a produção de receptores na barreira do hipocampo. HIPOCAMPO? Cérebro? Neurônios? Confirmar!!

O estresse crônico (>5 semans) inicia um processo de redução no numero de células da micróglia e na expressão de marcadores microgliais, assim como atrofia de astrócitos no córtex pré-frontal (células com características mais anti-inflamatórias).

A depressão hoje é uma doença inflamatória. Essa inflamação gerada aumenta a atividade da enzima IDO, gerando problemas no sono.

Diminuição do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro – BDNF:

A neuroinflamação e a disfunção do eixo HPA juntas afetam o processo de  neuroplasticidade através da redução da expressão do fator neurotrofico derivado do cérebro – BDNF, gerando dificuldades na consolidação das memórias, na concentração, no raciocínio, e ate alterações no apetite.

A redução no BDNF geralmente resulta em um aumento significativo do apetite com aumento  de peso.

Alterações de genes da produção de monoamina:

As alterações na plasticidade neuronal causa atrofia dos astrócitos  no córtex pré-frontal, gerando diminuição da capacidade anti-inflamatória e desregulando os níveis basais de glutamato.

O aumento da atividade do sistema glutaminérgico tem sido associado ao humor deprimido, enquanto uma redução da atividade glutaminérgica pode exercer ação antidepressiva.

Depressão esta associada com diminuição das monoaminas, e aumento do glutamato. (Pós VP)

Sintomas Cognitivos:

  • Atenção prejudicada
  • Pensamentos negativos
  • Sensopercepção diminuída – Menor percepção sensorial
  • Alomnésias – Distorção de memórias, deixando-as negativas
  • Alterações na fala – Menor volume, mais vagareza, sem afetividade
  • Perseveração de temas – Sempre volta a temas negativos
  • Hipomnesia de fixação – Dificuldade de registrar novas informações

Indivíduos com depressão geralmente apresentam alterações tanto na produção quanto na disponibilidade de serotonina, dopamina e noradrenalina, os quais são importantes para a regulação do comportamento e do humor.

O cérebro parece ser mais sucetivel aos ROS/RNS devido ao alto conteúdo de AG insaturados; alto consumo de oxigênio e devido a escassez de sistemas antioxidantes.

Transtorno depressivo maior – TDM:

É a principal forma de depressão, caracterizado por episódios depressivos recorrentes. No qual um único episodio pode durar 2 semanas ou mais.

Apresenta 5 sintomas ou mais do sistema de diagnostico.

O inicio da depressão geralmente é gradual e de curso episódico, onde há momentos de “alegria” entre os momentos depressivos.

A ansiedade tende a vir antes da depressão. E o estresse, seja farmacológico, psicológico é de extrema importância nesses pacientes.

Dentre os paciente depressivos, é necessário haver uma segmentação, pois existem diversos tipos de depressão.

Síndrome de Burnout: É uma doença causada pelo excesso de trabalho, e pelo excesso de dificuldade imposta no trabalho.  Geralmente ocorre quando o profissional planeja ou é pautado por objetivos muito difíceis/impossíveis.

Já foi identificado sintomas de depressão em pacientes com SII

A depressão é uma doença poligênica, que não possui um gene dominante.

A depressão maior é caracterizada pelo humor depressivo e pela falta de interesse em atividades prazerosas, acompanhada de mudanças nos padrões de sono, dificuldade de concentração, perda de libido, falta de energia, sentimento de inutilidade ou culpa, pensamentos de morte ou suicídio e distúrbios no apetite. (5)

Indivíduos com depressão geralmente relatam perda do interessse em comer e tendem a identificar sua perda de peso como um problema. Porém um histórico de privação alimentar ou uma restrição calórica autoimposta moderam a probabilidade de se comer em excesso durante um episodio agudo de distúrbio de humor. (5)

A obesidade é considerada preditiva de um futuro episódio depressivo. (5)

Ciclo circadiano:

A disrrupção do ciclo circadiano é de grande importância nas desordens de humor. (4)

Alguns estudos  mostraram que diversos genes CLOCK predispõe para desordens do humor. (4)

Referências Bibliográficas:

1- Mahan LK, Escott-Stump S, Raymond JL. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13a. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. 1227 p.

2- Goh KK, Liu YW, Kuo PH, Chung YCE, Lu ML, Chen CH. Effect of probiotics on depressive symptoms: A meta-analysis of human studies. Psychiatry Res [Internet]. 2019;282(September):112568. Available from: https://doi.org/10.1016/j.psychres.2019.112568

3- Liao Y, Xie B, Zhang H, He Q, Guo L, Subramaniapillai M, et al. Efficacy of omega-3 PUFAs in depression: A meta-analysis. Transl Psychiatry [Internet]. 2019;9(1). Available from: http://dx.doi.org/10.1038/s41398-019-0515-5

4- Wagner-Skacel J, Dalkner N, Moerkl S, Kreuzer K, Farzi A, Lackner S, et al. Sleep and microbiome in psychiatric diseases. Nutrients. 2020;12(8):1–18.

5- Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.