Doença inflamatória intestinal – Fisiopatologia, tratamento, recomendações nutricionais

Última Atualização: 17/09/2020

A doença inflamatória intestinal engloba tanto a doença de Chron como a colite ulcerativa.

Diagnóstico:

É utilizado o exame de calprotectina fecal, que estabelece o diagnostico da doença, diferenciando a DII da síndrome do intestino irritável. (1)

Alterações bioquimicas:

  • Calprotectina Fecal: positivo nas fezes.

A calprotectina indica um processo de inflamação intestinal. Ela representa a consequência direta da desgranulação dos neutrófilos, em resposta à lesão da mucosa. (1)

Objetivo do tratamento:

Tratamento médico:

 Farmacologia:

Terapia nutricional:

Resumo:

  • Testar intolerâncias alimentares, utilizando apenas aqueles bem tolerados. Não restringir alimentos tolerados (ex: fontes de lactose).
  • Refeições menores e mais frequentes tendem a ser mais bem toleradas.
  • Modificar a ingestão de fibras se necessário (diminuição).
  • Considerar o uso de pré e probióticos

Orientações nutricionais:

Suplementação nutricional:

  • Suplementar vitamínicos contendo Acido fólico, B12, B6.
  • Suplementar Omega-3.
  • Observar a necessidade de suplementar Vit. D

Microbiota:

(+Sobre microbiota)

A disbiose é um ponto chave na doença inflamatória, pois se é observado uma mudança tanto na composição quanto na função dessa bactéria.

Tem se observado um tripé: Inflamação + Disbiose+ estresse oxidativo

Foi visto que a Roseburia Hominis e a Faecalibacterium prusnitzii são as principais bactérias que definem  a disbiose presente na colite ulcerativa. (2)

A doença não tem cura, mas remissão.

Deve haver um maior cuidado com pacientes com lesões intestinais e imunossuprimidos, pois pode gerar uma bacterioidemia.  Por isso prebióticos tendem a ser mais seguros nesse sentido.

A inulina parece ser uma boa opção visto que ela fermenta menos do que outros prebióticos como o FOS.

O uso de prebióticos deve acontecer de forma gradual:

  • Inicia-se em 2g por 5 dias
  • Depois aumenta para 5g
  • Assim por diante

O apêndice tem se mostrado como um mecanismo de recolonização do intestino pós diarreias, “limpezas” intestinais. Aqueles que retiram o apêndice tem um risco aumentado para o desenvolvimento da doença de crohn ate 4 anos depois, pois há uma facilidade maior para ocorrer a disbiose.

Prebióticos / probióticos:

(+Sobre microbiota)

Não existem ainda estudos longos comprovando a efetividade de pré/probióticos. (2)

  • Escherichia Coli Nissle 1917 – Na manutenção e remissão da colite (2)
  • VSL #3 (Visbiome) –  (2)

Crises:

Não existe um tratamento dietético único para reduzir os sintomas ou diminuir as crises da DII.

Permeabilidade intestinal:

Devido a uma maior permeabilidade intestinal, tomar cuidado com a ingestão de determinados alimentos.

Outros tratamentos:

Fisiopatologia:

Fatores de risco:

  • Genética
  • Fatores ambientais
  • Consumo de carne ? consumo elevado de gorduras?
  • Excesso de AG Omega-6 que causam uma inflamação sistêmica.

Apesar de ainda não haver uma causa esclarecida, já se sabe que há o envolvimento da interação do sistema imunológico com fatores genéticos e ambientais (microbiota e fatores nutricionais).

Na doença ocorre uma alteração a resposta a microflora que gera uma resposta exacerbada da inflamação intestinal. Essa inflamação é responsável por danos no TGI.

Ocorre uma perda da tolerância  à bactérias intestinais. Essa perda se deve principalmente a três  motivos:

        – Mutação genética codificando a suscetibilidade

        – É necessário um gatilho para “ativar” a inflamação

        – Há um colapso da tolerância a microbiota intestinal.

Há um risco aumentado para câncer, que apesar de não bem estabelecido pode estar relacionado ao aumento da inflamação, aos fatores nutricionais, e ao aumento do estado proliferativo das células.

Sintomas:

  • Diarreia
  • Febre
  • Perda de peso
  • Anemia
  • Intolerancias alimentares
  • Desnutrição
  • Deficit de crescimento
  • Manifestações extraintestinais (artríticas, dermatológicas e hepaticas)

Referências bibliográficas:

1- Willimson MA, Snyder LM. Wallach – Interpretação de Exames Laboratoriais. 10a. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 1225 p.

2- Floch MH. The Role of Prebiotics and Probiotics in Gastrointestinal Disease. Gastroenterol Clin North Am. 2018;47(1):179–91.