Esofagite – Fisiologia, tratamento, terapia nutricional…

Última Atualização: 23/08/2021

Fisiopatologia:

Esofagite crônica: Resultado da exposição prolongada ao ácido estomacal, que gera a inflamação, erosão, ulceração, cicatrização, estenose e até disfagia em alguns casos. (1)

Geralmente causado pela doença do refluxo gastroesofágico – DRGE. (1)

Esofagite aguda: pode ser causada por refluxo, ingestão de algum agente corrosivo, infecção viral ou bacteriana, entubação radiação ou infiltração eosinofílica. (1)

Agentes irritantes como o tabagismo, ou uso crônico de aspirina ou AINE podem aumentar os risco de esofagite. (1)

A gravidade da esofagite decorrente do refluxo gastroesofágico é influenciada pela composição, frequência e volume do refluxo gástrico; tempo de exposição do esôfago; saúde da barreira mucosa; taxa de esvaziamento gástrico. (1)

Um fator de risco comum para a esofagite é a hérnia hiatal, no qual parte do estômago fica acima do diafragma, que separa o esôfago do estômago, gerando assim um maior contato do esôfago com o ácido estomacal, consequentemente aumentando as chances de uma esofagite.  (1)

Esôfago de barrett:

É uma condição pré-cancerosa no qual o epitélio escamoso normal do esôfago distal é substituído por um epitélio anormal. (1)

Estima-se que 5% a 15%  dos indivíduos com DRGE tem esôfago de BARRETT. (1)

Tratamento medico:

O tratamento primário é conter o refluxo esofágico com a supressão  da secreção ácida. (1)

Geralmente inibidores da bomba de prótons, que diminuem a produção de ácido pela célula gástrica parietal são os mais eficazes. (1)

O objetivo é elevar o pH gástrico acima de 4 durante os períodos em que o refluxo tem maior chance de acontecer. (1)

Tratamento nutricional:

  • Os principais fatores são a bebida alcoólica, a cafeína e o tabaco. (1)
  • Gordura, chocolate, café, cebola, pimenta, especiarias, alimentos cítricos e vinho podem interferir também. (1)
  • Em relação as pimentas, a quantidade de capsaicina é relevante. (1)
  • O café pode ser ingerido desde que em pequenas quantidades.
  • Não há a necessidade de eliminar alimentos se eles não afetam os sintomas. (1)
  • É proposto que a goma de mascar por aumentar as secreções salivares, pode ser útil na elevação do pH do esôfago, mas não existe comprovação.(2)
  • Em momentos de crise, alimentos como tomate, suco de frutas cítricas, refrigerantes causam dor. (1) Nesses momentos uma dieta líquida é mais tolerada e mais recomendada.(1)

Orientações nutricionais:  (1)

  • Evite refeições ricas em gorduras (aumentam o tempo do trânsito intestinal)
  • Evite comer entre 3 e 4 horas antes de dormir
  • Evite fumar
  • Evite bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas (vinho e cerveja)
  • Evite a cafeína
  • Evite realizar atv. vigorosas logo após comer
  • Evite roupas apertadas (principalmente mulheres)
  • Evite alimentos ácidos e muito condimentadas quando houver crises
  • Se estiver aciona do peso, perca peso
  • Elevar a cabeceira da cama em 15 a 20cm

Referências bibliográficas:

1- Mahan LK, Escott-Stump S, Raymond JL. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13a. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. 1227 p.

2- Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.