Estratégias no esporte

Treino em Jejum

Durante o período pós-prandial com oferta de carboidratos, a predileção de substratos para geração de energia esta em torno da glicose, ao passo que, no período em jejum, esta em torno dos ácidos graxos. (1)

Estudos verificaram que seis semanas de treinamento em jejum, 1 a 1,5 horas por dia, a cerca de 70% do VO2max, quatro vezes na semana, além de aumentar a degradação de triglicerídeos intramusculares, aumentaram a intensidade do exercício físico correspondente à oxidação lipídica máxima e à atividade das enzimas citrato sintase (primeira enzima do ciclo de krebs) e beta hidroxiacil-CoA desidrogenase (Enzima envolvida na betaoxidação).  (1)

Porém, conforme a musculatura se torna mais seletiva para o uso de ácidos graxos, há o comportamento contrario quanto ao uso da glicose, podendo limitar o rendimentofisico em atividades de maior intensidade. (1)

Train Low compete high

O conceito desse protocolo parte do principio de as competições serem realizadas com alto aporte de carboidrato, mas com períodos de treinamento em restrição moderada ou severa desse nutriente. (1)

Essa restrição visa reduzir os níveis de glicogênio muscular e, diante a maior demanda energética imposta pelo exercício físico, aumentar a biogênese mitocondrial e o uso de ácidos graxos como substrato energético, para que nos períodos de competição o glicogênio muscular seja mais poupado. (1)

Do ponto de vista enzimático, a restrição de carboidratos aumenta a atividade de enzimas mitocondriais, inclusive as envolvidas na betaoxidação, mas limita a atividade da enzima piruvato desidrogenase, a qual mantém o fluxo de piruvato (derivado da glicose) para a mitocôndria. Assim, o manejo envolvendo a restrição de carboidratos limita o desempenho físico nas atividades de maior intensidade, precipitando a fadiga muscular. (1)

Sleep low

A estratégia sleep low tem como princípio o aumento da oxidação de ácidos graxos e redução da oxidação de glicose, porem buscando não prejudicar o rendimento físico, especialmente em atividades mais intensas. (1)

Alguns autores já identificaram que indivíduos que ficaram privados de carboidrato após sessão de treinamento noturna aumentaram a oxidação de ácidos graxos e reduziram a de glicose na sessão da manha, juntamente da maior expressão de genes envolvidos na biogênese mitocondrial. (1)

Essa estratégia se diferencia da train low, pois não há uma restrição severa de carboidratos, apenas uma alocação  estratégica entre as sessões. (1)

Referências bibliográficas:

1- Lancha Jr. AH, Longo S. Nutrição do Exercicio Físico ao Esporte. 1a. São Paulo: Manole; 2019. 262 p.