Hipertensão Arterial – Fisiologia, tratamento, terapia nutricional…

Última Atualização: 15/09/201

Diagnostico:

Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual no consultório (>18 anos):

  • Ótima: 120-80 mmHg (1)
  • Pré-Hipertensão: 120-139 e 80-89mmHg (5)
  • Hipertensão estagio 1: 140-159  – 90-99 mmHg (1,2)
  • Hipertensão estágio 2: 160-179 – 100-109 mmHg (1)
  • Hipertensão estágio 3: >180 – >110 mmHg (1)
  • Hipertensão sistólica isolada: >140 – <90 mmHg (1)

Obs: Quando a pressões sistólica e diastólica se situam em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para a classificação da pressão arterial. (1)

Alterações bioquímicas:

Objetivo do tratamento:

O tratamento da hipertensão arterial compreende dois tipos de abordagem: farmacológica, com uso de drogas anti-hipertensivas e modificações de estilo de vida que favoreçam a redução da pressão arterial. (1)

Tratamento médico:

Farmacologia:

O tratamento padrão para a hipertensão inclui diuréticos e B-bloqueadores, embora outros fármacos (B-inibidores da ECA, bloqueadores alfa-receptores e antagonistas do cálcio) sejam igualmente eficazes. (5)

OBS: Todos esses fármacos podem afetar o estado nutricional. (5)

Diureticos:

Os diuréticos reduzem a pressão arterial em alguns pacientes, promovendo a depleção de volume e a perda de sódio. (5)

Terapia nutricional:

Resumo:

  • Controle do peso (1)
  • Atividade física (1)
  • Controle da ingestão de sódio, limitar a no máximo 1500mg/dia(1,5)
  • Diminuição do consumo de bebidas alcoólicas (1)
  • Inclusão de frutas, verduras, oleaginosas (1)
  • Aumento no consumo de cálcio (5)
  • Aumento do consumo de magnésio (5)
  • Adequar Vitamina D (5)

Obs: a necessidade de sódio diária é de 500mg (cerca de 1,2g de sal). Sendo a quantidade máxima saudável de sódio para ingestão 2000mg (aprox. 5g de sal)

Orientação p/ o paciente:

Preconizar a não ingestão de produtos industrializados, além do preparo de refeições com pouco sal, e da não utilização do saleiro a mesa. (1)

Sódio:

(+Sobre o sódio)

Diversas evidencias apoiam a redução da pressão arterial e a diminuição do risco cardiovascular com a diminuição do sódio na dieta. (5)

Foi visto que as menores pressões sanguíneas foram obtidas por aqueles que ingeriram o menor nível de sódio na dieta DASH. (5)

Quanto menor o sódio menor a pressão arterial. (5,6)

Estudos rigorosamente controlados da curva dose-resposta fornecem as evidencias mais convincentes dos efeitos do consumo de sódio sobre a pressão arterial. (6) Cada um desses ensaios testou três ou mais níveis de ingestão de sódio, e cada um constatou relações dose-resposta estatisticamente significativas, diretas ou progressivas. (6)

As atuais diretrizes dietéticas recomendam limitar a ingestão de sódio a 1500mg/dia (5)

Emagrecimento:

(+Sobre o emagrecimento)

Praticamente todos os ensaios clínicos que estudam a redução de peso e a pressão arterial apoiam a eficácia da perda de peso na redução da pressão. (5) De forma geral, antes mesmo do peso ideal ser alcançado, ja ocorre uma redução da PA. (6)

Cálcio:

(+Sobre o cálcio)

Mecanicamente, uma baixa ingestão de cálcio aumenta a concentração de cálcio intracelular. Por sua vez, essa alta concentração aumenta os níveis de 1,25-vitamina D3 e hormônio da paratireoide, causando influxo de cálcio às células musculares lisas vasculares e maior resistência vascular. (5)

Canela:

(+Sobre a canela)

A canela foi capaz de reduzir a pressão arterial quando consumida no longo prazo em doses baixas (<2g / dia).  A recomendação e de 0,5 – 1 Colher de chá / dia no Max. (2)

Magnésio:

(+Sobre o magnésio)

O magnésio é um potente inibidor da contração do musculo liso vascular atuando como um vasodilatador da regulação da pressão arterial. (5)

Encoraja-se o uso de alimentos integrais fontes de magnésio ao invés de doses suplementares. (5)

Potássio:

(+Sobre o potássio)

O aumento no consumo de potássio normalmente esta associado a pressões sanguíneas menores, muitas vezes de forma dose-dependente. (5,6)

Três meta-analises constataram uma relação inversa significativa entre a ingestão de potássio e a PA em pacientes hipertensos.(6)

Foi visto que um aumento na ingestão de potássio traz efeitos benéficos independente do nível absoluto de ingestão, tendo sido observado benefícios tanto em um contexto de baixa ingestão quanto em um contexto com uma ingestão bem mais elevada. (6)

E a melhora maneira de aumentar a ingestão de potassio é consumindo mais frutas e legumes (6) O IOM recomenda a ingestão de 4,7g/dia (120mmol/dia) de potássio, apesar de isso não ser um consenso, pensando da redução da PA. (6)

Bebidas alcoólicas:

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é responsável por 5-7% da hipertensão arterial sistêmica. (5)

Vitamina D:

(+Sobre a Vit. D)

A vitamina D pode ajudar na redução da PAS e PAD via supressão da expressão da renina e proliferação das células do musculo liso vascular. (5)

Valeriana – V. Officinalis

(+Sobre a valeriana)

A valeriana é indicada para quadros de hipertensão acompanhada de quadros ansiosos (3)

Porém, é necessário cuidado em pacientes que utilizam anti-hipertensivos, pois podem provocar hipotensão. (3)

Alho:

(+Sobre o Alho)

Pode reduzir a pressão via vasodilatação resultante da ativação dos canais de potássio, podendo também ser decorrente da ativação de NOS. (5)

Suplementação nutricional:

Resumo:

  • Omega-3

Ômega-3:

(+Sobre o Ômega-3)

A suplementação com altas doses de óleo de peixe (media de 3,7g/d) pode propiciar uma modesta redução da PAS e PAD, especialmente nos idosos. (5)

Em doses altas pode ocorrer a redução da PAS e PAD pelo aumento da resposta vasodilatadora endotelio-dependente, podendo também aumentar a biodisponibilidade de NO na parede vascular. (5)

Fisiopatologia:

É uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (a força exercida por unidade de área nas paredes das artérias). (1,5)

Para ser definida como hipertensão arterial, a pressão arterial sistólica (PAS), pressão durante a fase de contração do ciclo cardíaco, precisa estar em 120mmHg ou acima disso; ou a pressão arterial diastólica (PAD), a pressão durante a fase de relaxamento do ciclo cardíaco, precisa ser de 80mmHg ou mais. (5)

Fatores de risco:

  • Obesidade (1)
  • Sedentarismo (1)
  • Hábitos alimentares inadequados (1)
  • Genética (5,6)

Fisiopatologia:

A pressão arterial é determinada pela multiplicação do debito cardíaco pela resistência periférica (a resistência dos vasos sanguíneo para o fluxo sanguíneo). (5)

É importante ressaltar que o diâmetro do vaso sanguíneo afeta acentuadamente o fluxo sanguíneo. (5) Quando o diâmetro desse vaso diminui (como na aterosclerose), a resistência e a pressão arterial aumentam. (5) Por outro lado, quando o diâmetro aumenta (como no tratamento com fármacos vasodilatadores), a resistência e a pressão arterial diminuem. (5)

Dito isso, muitos sistemas regulam o controle homeostático da pressão arterial, dentre eles, os reguladores mais importantes são o SNS, no controle de curto prazo e o rim para o controle de longo prazo. (5)

Em resposta a queda da pressão arterial, o SNS secreta a noradrenalina, um vasoconstritor que atua em pequenas artérias e arteríolas, aumentando a resistência periférica e elevando a pressão arterial. (5) Já em condições onde há uma super estimulação do SNS, ocorre o aumento da pressão arterial. (5)

Já o rim controla o volume de liquido extracelular e a secreção de renina, que ativa o sistema renina-angiotensina, atuando na retenção de sal e água pelos rins (aumentando o volume sanguíneo) e pela vasoconstrição das arteríolas. (5)

Pré-hipertensão:

Os indivíduos com diagnostico de pré-hipertensão tem PAS entre 120 e 139mmHg ou PAD entre 80 a 89mmHg, apresentando alto risco de desenvolver a hipertensão arterial sistêmica e doenças cardiovasculares. (5)

Hipertensão Estagio I

Ocorre quando os indivíduos apresentem uma pressão entre 140 a 159mmHg e 90 a 99mmHg. (5)

Hipertensão, intestino, microbiota

Foi visto que bactérias produtoras de acetato podem ser consideradas como intervenções protetoras no tratamento de hipertensão, hipertrofia cardíaca e no desenvolvimento de fibroses.  (4)

Obesidade e Hipertensão:

(+Sobre a obesidade)

Há uma forte associação entre o IMC e a hipertensão. (5)

Algumas das alterações fisiológicas propostas para explicar a relação entre o excesso de gordura corporal e a pressão arterial é a super ativação do SNS e do sistema renina-angiotensina e inflamação vascular. (5)

Tem sido visto que o acumulo de gordura visceral sintetiza uma maior quantidade de angiotensinogênio, que ativa o sistema renina-angiotensina e aumenta a pressão arterial. (5)

Além disso, a gordura visceral em particular, promove a inflamação vascular pela indução da liberação de citocinas, fatores de transcrição pró-inflamatórios e moléculas de adesão. (5)

Hipertensão e Doenças Cardiovasculares:

A PA é um fator de risco forte, independente e etiologicamente relevante para doenças cardiovasculares e renais. A relação entre pressão arterial e o risco de doença cardiovascular é direta e progressiva: a medida que a pressão arterial sobre, o risco de doença CV aumenta em todas as faixas de pressão, inclusive da PA pré-hipertensiva e hipertensiva. (6)

Hipertensão e Insuficiência Cardíaca (IC):

(+Sobre a IC)

Na maioria dos casos de hipertensão, ocorre um aumento da resistência periférica que força o ventrículo esquerdo do coração a aumentar seu esforço para bombear o sangue através do sistema. Com o tempo, pode ocorrer o bloqueio ventricular esquerdo e, eventualmente a IC. (5)

Hipertensão e Envelhecimento:

(+Sobre o envelhecimento)

Em quase todas as sociedades a PAS aumenta de maneira gradativa com a idade, e por conseguinte a maioria dos adultos desenvolve hipertensão ao longo da vida. (6)

Referências bibliográficas:

1- Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de alimentação, nutrição & dietoterapia. 3a Ed. São Paulo: Editora Pitaya; 2016. 1308 p.

2- Mousavi SM, Karimi E, Hajishafiee M, Milajerdi A, Amini MR, Esmaillzadeh A. Anti-hypertensive effects of cinnamon supplementation in adults: A systematic review and dose-response Meta-analysis of randomized controlled trials. Crit Rev Food Sci Nutr [Internet]. 2020;60(18):3144–54. Available from: https://doi.org/10.1080/10408398.2019.1678012

3- Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.

4- Tang WHW, Li DY, Hazen SL. Dietary metabolism, the gut microbiome, and heart failure. Nat Rev Cardiol [Internet]. 2019;16(3):137–54. Available from: http://dx.doi.org/10.1038/s41569-018-0108-7

5- Mahan LK, Escott-Stump S, Raymond JL. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13a. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. 1227 p.

6- Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.