Terceira Idade – Idosos – Envelhecimento – Fisiologia, alterações, recomendações nutricionais, suplementação…

Última Atualização:  10/02/2021

Prevalência:

Pessoas com 60-65 anos ou mais.  (1)

Estima-se que a população idosa no mundo, ou seja, com mais de 60 ou 65 anos de idade aproxime-se de 650 milhões, e que ate o ano de 2050 será de 2 bilhões. (1)

Alterações bioquimicas:

  • Hemoglobina, hematócrito, eritrócito e ferro sérico tendem a diminuir;
  • VCM ligeiramente mais alto;
  • LDL alto é preocupante, e LDL baixo não tem relação com mortes precoces em idosos;

Avaliação antropométrica:

Imc:

A organização pan-americana da saúde (OPAS) recomenda os seguintes pontos de corte: (1)

  • Baixo peso ->  IMC <23.
  • Normal -> IMC  =23-28.
  • Sobrepeso -> IMC =28-30.
  • Obesidade -> IMC >30.

Avaliação da massa muscular:

A  diminuição da massa magra pode ser avaliada por meio da circunferência da panturrilha, que representa o tecido muscular da perna, e da circunferência  muscular do braço, obtida a partir das medidas da dobra cutânea tricipital e da circunferência do braço, que estima o tecido muscular do braço. (1)

Objetivo do tratamento:

Tratamento médico:

Farmacologia:

Laxantes diuréticos, sedativos e anticonvulsivos são medicamentos que merecem atenção, pois podem causar problemas nutricionais em virtude, sobretudo, do prejuízo na absorção e no metabolismo de nutrientes. (2)

Recomendações nutricionais:

Resumo:

  • CHO rico em fibras
  • Mínimo de 0,8g/kg de PTN
    • Com 3-4g de leucina por refeição.
    • 0,4 g/kg/refeição de PTN.
  • Refeições menos volumosas
  • Ajustar B3, B6, Mg, Triptofano (essenciais na qualidade do sono)

Suplementação nutricional:

  • Citrato de cálcio 500mg/dose. (2)
  • 1200mg/dia cálcio + 800UI (20mcg) de Vit. D3. (2)
  • Zinco
  • Magnésio
  • B12
  • 100mcg/dia de cromo (2)
  • Creatina
  • Omega-3

Orientações nutricionais:

  • Consumo da castanha do Brasil (castanha do para).

Calorias:

É comum com o envelhecimento a diminuição do gasto energético entre 1-2% por década. (1)

Um dos responsáveis por essa redução progressiva é a mudança da composição corporal, uma vez que o envelhecimento é acompanhado de perda de massa magra e ganho de tecido rico em gordura. (1)

Outro motivo que também influencia na diminuição do gasto energético é a redução da pratica de atividades físicas, que chega a reduzir algo próximo a 150 kcal/dia  da necessidade energética total. (1)

Proteinas:

(+Sobre Proteínas)

Alguns estudos tem mostrado que a partir dos 70 anos ocorre uma queda na digestão na absorção das proteínas. Essa queda consequentemente gera uma menor biodisponibilidade de aminoácidos, reduzindo sua disponibilidade para os músculos, prejudicando a síntese proteica.

Essa menor entrada de aminoácidos no musculo, também gera a queda da resposta hormonal.

Devido a maior dificuldade na digestão proteica, é interessante dividir a proteína ao longo do dia.

Também é recomendado um consumo de pelo menos 1,2-1,5g de PTN/kg/dia visando diminuir o risco para a sarcopenia.

Fibras:

(+Sobre fibras alimentares)

RDA: 21g Mulheres >51 anos

RDA: 30g Homens > 51anos

As fibras tendem a melhorar o transito intestinal,  o que é benéfico, visto que uma queixa comum é a constipação intestinal. (2)

Porém é necessário cuidado com excessos, pois o consumo indiscriminado acima das recomendações pode gerar efeitos adversos na biodisponibilidade de nutrientes. (2)

Geralmente alimentos que são ricos em fibras possuem altas concentrações de fitatos que podem, por exemplo, ligar-se ao zinco e formar complexos insolúveis, impedindo assim sua absorção e reduzindo sua biodisponibilidade. (2)

Hidratação:

(+Sobre hidratação)

Os indivíduos idosos tem uma menor percepção da sede, e acredita-se que o sistema de receptores opioides possa estar deficiente nos idosos, contribuindo para a hipodipsia. (1)

Paralelamente, observa-se uma redução na capacidade dos rins em concentrar a urina em resposta à desidratação, além de atividade reduzida da renina e da aldosterona. (1)

Recomenda-se uma ingestão de 30 ml/kg de peso para indivíduos no geral. (1)

Suplementação:

Foi visto que a suplementação de micronutrientes exerce efeitos benéficos sobre o sistema imune no envelhecimento, como a resposta proliferativa linfocitária, e função das células NK (natural killer), produção de IL-2 e resposta humoral após vacinação. (2)

Não convém descartar qualquer possibilidade de deficiência de micronutrientes, mesmo em idosos aparentemente saudáveis. (2)

É importante verificar os suplementos ingeridos e suas quantidades, para que não se excedam os valores recomendados e/ou  ocorram possíveis interações. (2)

Creatina:

(+Sobre a creatina)

A creatina após entrar no músculo pelo transportador de creatina – CreaT, faz com que, por osmose a água entre para dentro da célula. Isso gera um estresse mecânico, que inibe a miostatina, e ativa genes osmosensiveis e fatores miogênicos, que  induzem a ativação e proliferação das células satélites. Células que são “receptores androgênicos”, sendo um dos principais diferenciais na construção de massa muscular.

Antioxidantes:

Quanto mais compostos bioativos a dieta possuir, maior é o silencio criado na resposta inflamatória. Os compostos bioativos inibem as citocinas pró-inflamatorias, diminuindo qualquer resposta sistêmica.

Estudos tem demonstrado que a suplementação de antioxidantes não é interessante para o idoso devido ao prejuízo trazido no ganho de massa. Foi visto que indivíduos que suplementaram vit. E e C inibiram a resposta adaptativa do treino.

Ômega-3:

(+Sobre omega-3)

A suplementação de Omega 3 em homens e mulheres acima de 65 anos, de 1,9g EPA+1,5g DHA gerou um aumento na sintese muscular. Provavelmente devido a queda  da inflamação nos idosos, com melhora na sinalização. Porém na pratica, talvez isso não seja tão aplicável devido a quantidade necessária.

A suplementação de omega3 melhorou a sensação de dor muscular pos esforço, no joelho por exemplo.

O acido graxo ômega-3 se relaciona com a redução da agregação plaquetária, da pressão arterial, do risco para síndrome metabólica, bem como de marcadores pró-inflamatórios. (1)

Ainda, o consumo de ômega-3 também está relacionado com o aumento do apetite, com a melhora do sistema antioxidante, da sensibilidade a insulina e aumento do anabolismo proteico. (1)

Diversos estudos tem relacionado o uso de ômega-3 a redução do risco para doenças neurodegenerativas. (1)

Vitamina d:

(+Sobre Vit. D)

Apesar da prevalência da deficiência ser ampla, os idosos tendem a apresentar um maior risco para essa deficiência. (1)

E além disso, os idosos apresentam uma necessidade aumentada dessa vitamina em decorrência de alterações fisiológicas que interferem em seu metabolismo. Há uma redução  da concentração de seu precursor na pele e uma redução da síntese hepática da proteina transportadora de vitamina D. (1)

Paralelo a isso, observa-se também uma diminuição da capacidade dos rins e do fígado em hidroxilar os precursores da vitamina D para transformá-la em sua forma ativa. (1)

Vitamina b12 – cobalamina:

(+Sobre B12)

Nos idosos, a deficiência em vitamina B12 pode ser causada pela má absorção ou pela presença de anemia perniciosa. (1) A má absorção da vitamina é caracterizada pela incapacidade de liberar a cobalamina dos alimentos ou das proteínas transportadoras intestinais, principalmente na presença de hipocloridria. (1)

Além da deficiência, o aumento da homocisteína é um importante fator de risco para o desenvolvimento de demências e para o Alzheimer. (1)

A RDA é de 2 mcg/dia, e recomenda-se o uso de alimentos fortificados ou de suplementos para que esse valor seja alcançado. (1)

Vitamina b9 – folato:

(+Sobre Vit. B9)

Não há alterações em relação a necessidade do folato com o passar dos anos, no entanto, recomenda-se uma atenção especial pois sua deficiência pode contribuir para o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis e outras enfermidades. (1)

O folato é importante no desenvolvimento do sistema nervoso central, no metabolismo de neurotransmissores, na prevenção e na integridade da memoria com o avanço da idade. (1)

Cálcio:

(+Sobre o cálcio)

RDA: 1200mg/dia > 50 anos

UL: 2000mg/dia

Geralmente as taxas de absorção de cálcio variam entre 30-50%, sendo fundamental o suprimento constante de fontes de cálcio biodisponiveis. (2)

Um dos principais aspectos do metabolismo do cálcio no envelhecimento é a perda progressiva de massa óssea ou osteopenia. (2)

Quando as concentrações de cálcio ionizado diminuem, a secreção do hormônio da paratireoide (PTH) aumenta, resultando na mobilização de cálcio dos ossos e na redução da reabsorção tubular renal de fosfato, que provoca a redução da concentração de fosfato sérico.

Outro fator determinante na absorção do cálcio é a concentração circulante de 1,25(OH)2D3, a forma mais ativa da vitamina. (2)

Hoje já se sabe que quanto maior o pico de massa óssea, maior será a reserva óssea durante a fase adulta e idosa. Portanto é interessante otimizar o ganho mineral ósseo durante a puberdade, deixando o individuo adulto menos suscetível a complicações da osteoporose. (2)

A importância da suplementação de cálcio  esta respaldada em benefícios como a diminuição da perda de massa óssea, aumento da sua densidade, redução da pressão sanguínea, redução do colesterol total e frações, dentre outras. No entanto, esta deve ser monitorada devido ao aumento no risco de infarto, de calcificação vascular entre outros. (2)

O citrato de cálcio é o mais independente do ácido gástrico para ser absorvido. (2)

Porém o carbonato e o fosfato tribásico de cálcio são os que contem a maior biodisponibilidade, em torno de 40%. (2) O carbonato de cálcio pode apresentar mais problemas gastrointestinais, enquanto que  o citrato apresenta uma menor biodisponibilidade. (2)

1200mg/dia cálcio + 800UI (20mcg) de Vit. D3, durante 18 meses foi associado a uma redução no numero de fraturas, ainda com aumento da densidade óssea desses idosos. (2)

Não se recomenda mais do que 500mg/dose.  (2)

A suplementação com sais de cálcio pode ocasionar em alguns pacientes náuseas, dispepsia e constipação. (2)

Magnésio:

(+Sobre o magnésio)

RDA: 420 mg/dia Homens

RDA:320 mg/dia Mulheres

UL: 350mg – Suplementos

A importância do magnésio se da por sua atuação como cofator de enzimas; no metabolismo de micronutrientes como o cálcio, potássio, zinco, ferro entre outros; na ativação da tiamina; no transporte e na ativação dos canais de cálcio. (1)

Algumas pesquisas demonstraram que a absorção intestinal de magnésio em indivíduos saudáveis com 70 anos de idade foi de 65% do valor obtido aos 30 anos. (2)

Estudos tem demonstrado que a baixa ingestão de magnésio esta relacionada com a sarcopenia, e que a suplementação com o mineral foi capaz de melhorar o desempenho dos idosos, podendo ser utilizada ate na prevenção da sarcopenia. (1)

Ferro:

(+Sobre o ferro)

RDA: 8mg/dia

UL: 45mg/dia

A suplementação de ferro para idosos, não é apenas desnecessária como prejudicial, podendo gerar um desbalanço entre elementos-traços. (2)

A ferritina tende a aumentar com a idade, no entanto seu valor aumentado e associado a presença de processos inflamatórios comuns em idosos com alguma doença. (2)

O processo de envelhecimento não gera o acumulo de ferro no organismo. (2)

A concentração de hemoglobina, hematócrito e eritrócitos diminuem com o avanço da idade. O VCM tende a ficar ligeiramente mais alto e os valores de ferro sérico declinam, porém, na maioria das vezes não há ausência de anemia. (2)

Cobre:

(+Sobre o cobre)

RDA: 900 mcg/dia p/ Homens

UL: 10mg/dia

O envelhecimento isoladamente não esta envolvido com mudanças na eficiência da  absorção de cobre ao longo da vida. (2)

A absorção dos idosos é similar a dos adultos, mas pode ser afetada por outros componentes da dieta, como o zinco, o fitato e o oxalato. (2)

Alguns fatores de risco para a deficiência de cobre são: a suplementação de zinco, a ingestão de zinco por meio de fixadores dentários, e as síndromes de má absorção. (2)

O cobre é um importante nutriente pois ele é cofator da SOD, reduzindo os radicais superoxido a peróxido de hidrogênio. (2)

Cromo:

(+Sobre o cromo)

AI: 30mcg/dia  Homens

AI: 20 mcg/dia Mulheres

O cromo age como cofator para a insulina, sendo necessário para a homeostase da glicose e para o metabolismo de lipídios, além de ser capaz de aumentar a eficiência da insulina. (2)

Geralmente a ingestão alimentar de cromo por idosos apresenta-se deficiente e tende a diminuir cada vez mais o avançar da idade. (2) A baixa ingestão ainda é mais prejudicada pela maior ingestão de açúcar, que leva ao aumento do consumo de açucares simples. (2)

A suplementação de cromo se mostrou benéfica em relação aos parâmetros lipídicos e na tolerância à glicose. No entanto ainda não há dados em relação a necessidade de ingestão do cromo. (2)

Apesar de os mecanismo ainda não serem bem esclarecidos, estudos tem demonstrado que a deficiência desse mineral é comumente encontrada em indivíduos idosos com intolerância a glicose, diabetes e hipercolesterolemia. (1)

A suplementação de 100mcg/dia de cromo diminui significativamente a glicemia de jejum, e a HbA1c, porém assim que retirado a suplementação, os valores retornaram ao “normal”. (2)

Zinco:

(+Sobre o zinco)

RDA: 11mg/dia Homens

RDA: 8mg/dia Mulheres

UL: 40mg/dia

É um mineral de grande importância, sendo necessário cuidado na prevenção de sua deficiência, principalmente pelo seu papel no estresse oxidativo e no sistema imune. (2)

Evidencia sugerem uma ligação entre baixas concentrações de zinco e depressão em adultos e idosos, assim como outros diagnósticos psiquiátricos: demência, transtorno psicótico, transtorno bipolar, e  transtorno de ansiedade em pacientes psicogeriátricos. (2)

Concluiu-se que esse mineral é fundamental na síntese proteica de diversas enzimas que tem ligação indireta com o reparo ósseo. Sua ação esta relacionada ao estimulo da síntese de proteínas e consequente ação em enzimas/hormônios relacionados com o crescimento ósseo. É importante mencionar também que o zinco é um agente inibitório das células osteoclásticas, que estão relacionadas à reabsorção óssea. (2)

A suplementação preventiva, associada ao tratamento de doenças existentes pode ser útil. (2)

Os melhores resultados da suplementação de zinco ocorreram por meio das doses recomendadas pela RDA. O gluconato, aspartato ou acetato de zinco tiveram uma resposta melhor do que o sulfato. (2)

É importante ressaltar que pessoas  idosas com algum tratamento medicamentoso de longo prazo, geralmente, tem uma maior prevalência da deficiência de zinco. (2)

Além disso, alguns estudos sugerem que a absorção do zinco em idosos é menor devido alterações intestinais, como modificações no formato da vilosidade, aumento da alteração do colágeno, alterações mitocondriais, alongamento das criptas e tempo prolongado de replicação das células das criptas. (1) Porém isso é questionável. (1)

Estudos com a suplementação de zinco em idosos tem  mostrado a normalização da hipozincemia, melhora da resposta imune, dos marcadores do estresse oxidativo, da incidência de infecções  e da atividade de enzimas antioxidantes. (1)

Selênio:

(+Sobre selênio)

RDA: 55 mcg/dia

UL: 400 mcg/dia

O selênio tem se mostrado fundamental na proteção das células contra o envelhecimento acelerado. (2)

El pode agir na detoxificação de metais pesados e de substancias carcinogênicas. (2)Ele também esta envolvido na modulaçãoo do sistema imunológico e na melhora tanto da imunidade inata como da adaptativa. (2)

Tem sido encontrado valores diminuídos de concentração do selênio na população idosa, sendo recomendo a suplementação quando esses valores se encontrarem abaixo de 57mcg/L. (2)

O consumo diário de uma unidade da castanha do Brasil foi capaz de recuperar a deficiência do selênio e ainda teve efeitos positivos sobre as funções cognitivas dos idosos com comprometimento cognitivo leve, considerado um estágio intermediário entre o envelhecimento normal e demências, como a doença de Alzheimer. (2)

A baixa de selênio foi associada a queda da força nos idosos. O selênio é cofator da glutationa peroxidase (enzima antioxidante). O idoso, o estresse oxidativo é um grande problema, ele reduz a força.

Estudos tem mostrado que a suplementação de selênio esta associada com a melhora do humor em indivíduos idosos. (2)

Manganês:

(+Sobre o manganês)

AI: 2,3 mg/dia Homens

AI: 1,8 mg/dia Mulheres

UL: 11 mg/dia

A deficiência em manganês pode ter papel importante na peroxidação lipídica hepática. Alguns autores sinalizam que a deficiência em manganês afeta o transporte da glicose e o metabolismo das células dos adipocitos.  (2)

Fisiologia do envelhecimento:

As características gerais do envelhecimento incluem a deterioração histopatológica progressiva, que resulta em prejuízo da homeostase e reflete na redução da capacidade fisiológica e de adaptação aos diferentes estímulos do ambiente. (1)

A teoria dos radicais livres propõe que o envelhecimento é causado pelo papel toxico das espécies reativas de oxigênio e de nitrogênio em um ciclo vicioso no qual essas espécies deterioram as funções mitocondriais e, assim, colaboram para a geração de mais radicais livres. Estes por sua vez, provocam lesões moleculares que são acumuladas pelas células ao longo da vida, resultando em perda de funcionalidade com o aumento da idade e em morte. (1,2)

Vitaminas e minerais tem papel importante nesse processo de defesa antioxidante do organismo contra radicais livres e, assim, são necessários em quantidades adequadas na dieta ou como suplementos. (2)

Ele pode ser conceituado como um processo sequencial, individual, não patológico e de deterioração de um organismo maduro, com características peculiares, principalmente na alteração da composição corporal, própria a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte. (2)

É caracterizado como um processo complexo e individual associado a 9 maiores marcadores: (3)

  • Instabilidade genômica;
  • Atrito de telômeros;
  • Alterações epigenéticas;
  • Perda da proteostasis;
  • Desregulação  da detecção de nutrientes;
  • Disfunção mitocondrial;
  • Senescência celular;
  • Exaustão das células tronco;
  • Alteração da comunicação intercelular;

Figura 1 – Hallmarks contributing to aging (3)

Atualmente o envelhecimento é visto de a partir de duas teorias:

  • Uma baseada em uma programação genética intrínseca de deterioração estrutural e funcional das células humanas. (3)
  • A outra devido ao acumulo de danos celulares no organismo, levando ao envelhecimento. Sendo os maiores causadores os danos gerados nos primeiro anos de vida. (3)

Marcadores celulares podem ser subclassificados em três categorias diferentes, havendo efeitos benéficos e/ou deletérios. (3)

  • Primário (São os processos iniciais com efeitos deletérios): instabilidade genômica; atrito dos telômeros; alterações epigenéticas; perda da proteostase. (3)
  • Antagonistas (Quando presente em baixos níveis, apresentam efeitos benéficos no combate ao dano celular): Desregulação do sensor de nutrientes; disfunção mitocondrial; senescência celular. (3)
  • Integrativa (É o resultado do dano acumulado dos marcadores primários e antagonistas, interferem diretamente na homeostase tecidual contribuindo para a perda de função relacionada a idade): exaustão de células troncos e alterações na comunicação intercelular. (3)

Alterações fisiologicas:

O envelhecimento esta envolvido na redução progressiva dos tecidos ativos do organismo, com perda da sua capacidade funcional e modificação das funções metabólicas. (2)

Um quadro comum é a perda seletiva da massa muscular, principalmente das fibras do tipo 2, fibras mais responsivas a resposta hipertrófica, a volume, e a densidade. Mesmo indivíduos que fazem uso de hormônios esteroides ainda sofrem com a perda seletiva da fibra do tipo2.

O aumento na degradação proteica acontece principalmente devido:

  • Estresse oxidativo
  • Inflamação crônica
  • Diminuição das unidades motoras
  • Vida sedentária
  • Diminuição das células satélites
  • Resistencia à insulina e disfunção endotelial
  • Diminuição da resposta anabólica
  • Queda hormonal (T, GH, HT)

Além da perda seletiva de fibras, há um aumento da mioesteatose, que é o acúmulo de gordura entre as fibras musculares. Impactando negativamente na qualidade da contração muscular, na sustentação e na força.

O envelhecimento não se relaciona apenas com a diminuição da quantidade de musculo esquelético; na verdade, as concentrações e atividades de outras proteínas fisiológicas, como anticorpos, hormônios e enzimas, também se encontram reduzidas, o que contribui para a piora nos processos de cicatrização, a perda da elasticidade da pele e a incapacidade imunológica em combater infecções. (1)

A redução da síntese proteica, resulta em uma capacidade reduzida de transporte de micronutrientes, principalmente pelas baixas concentrações plasmáticas de albumina. (2)

A perda da massa magra reflete-se na diminuição acentuada da água corporal. O percentual de gordura e o tecido conectivo tendem a aumentar com a idade. (2)

A taxa metabólica diminui, em parte, em decorrência da diminuição da massa muscular e da atividade física. (2)

Nos ossos, tanto a massa orgânica como a mineral declinam gradualmente, resultando em osteopenia, e na mulher esse processo ainda é acelerado após a menopausa. (2)

Ocorre alterações na acidez gástrica, devido a diminuição da produção dos sucos digestivos e da motilidade intestinal. (2) A hipocloridria gera uma piora na absorção cálcio e do ferro não heme, devido a sua insolubilidade em pH >5. Junto a redução da produção de acido gástrico, também ocorre uma diminuição na produção do fator intrínseco, que gera uma diminuição também na absorção da Vit. B12. (2)

Um dos quadros mais agravantes para o idoso é a queda. Ela acelera a perda de massa e função, visto que ela inibe qualquer estimulo de proteção à massa, o que gera uma enorme perda na qualidade de vida.

Já foi confirmado que após os 60 anos, quanto maior a força, menor o risco para todas as mortes.

Alterações no trato gastrointestinal:

Alterações neuromusculares e neuro degeneração seletiva do sistema nervoso entérico surgem com o envelhecimento e podem resultar em diferentes sintomas gastrintestinais, que, por sua vez, podem ser potencializadas pela polifarmácia. (1)

Xerostomia:

A xerostomia é um sintoma clinico apresentado por muitos idosos, apesar de alguns estudos mostrarem que a função das glândulas salivares não declina com a idade. (1)

Porém, muitas medicações  e algumas doenças podem contribuir para o quadro. (1)

A xerostomia, além da boca seca, pode acarretar queimação, alteração do paladar em decorrência da hipofunção das papilas gustativas, dificuldades na deglutição e na fala. (1)

Obs: Na decorrência da xerostomia é indicado muita água, e evitar produtos açucarados e  cafeinados. (1)

Edentulismo:

O edentulismo não é uma condição fisiológica causada pelo envelhecimento, mas sim consequência de doenças bucais ou traumatismos. (1,2)

Porém é um processo natural do envelhecimento alterações na espessura e na composição  da dentina e do esmalte, além de uma diminuição da perfusão de vasos sanguíneos que chegam ate os dentes. (1) Resultando em um declínio da sensibilidade com aumento da vulnerabilidade a traumas e do risco para o surgimento de cáries. (1)

A perda de um dente gera uma diminuição na capacidade de mastigação de ate 30%. (2) Consequentemente, percebe-se o aumento no consumo de alimentos ricos em carboidratos simples em detrimento do consumo de fibras e micronutrientes. (1)

Evidencia-se que a prevalência de anemia é maior nos idosos que relataram redução no consumo alimentar devido a dificuldade de mastigação e deglutição, bem como pela dificuldade de se alimentarem sozinhos. (2)

Refluxo e disfagia:

(+Sobre refluxo)

O refluxo gastroesofágico e a disfagia são outros dois sintomas comuns entre os idosos, e acredita-se que estejam relacionados com a perda de neurônios mioentéricos esofagianos, um fenômeno que pode resultar na diminuição das concentrações e da amplitude peristáltica, bem como no maior relaxamento do esfíncter esofágico inferior. (1)

Essa redução da motilidade do trato gastrointestinal muitas vezes se associa a hipocloridria (redução da liberação de ácido clorídrico), que pode ser causada por gastrite ou pela utilização crônica de medicamentos da classe dos inibidores da bomba de prótons, os quais tem como intuito reduzir a secreção acida. (1)

E esses fatores contribuem para a sensação de plenitude gástrica, reduzindo a sensação de fome. Além de favorecer o crescimento bacteriano exagerado e indesejado no intestino delgado.  (1)

Constipação:

(+Sobre funcionamento intestinal)

A constipação é uma queixa comumente observada entre os idosos, e as causas são multifatoriais, com destaque para o sedentarismo, alimentação inapropriada, depressão, uso de medicamentos que alteram a motilidade do trato gastrointestinal e alterações neuromusculares, em que a neurodegeneração tem papel relevante. (1)

Alterações nos sentidos:

Após os 60 anos tendem a surgir as disfunções de paladar e olfato, que se tornam mais acentuadas nas pessoas acima de 70 anos de idade. (2)

Vez que o olfato e o paladar estimulam mudanças metabólicas como secreção de saliva, de ácido gástrico, secreção pancreática, insulina, entre outros, as alterações sofridas podem prejudicar estes processos. (4)

Apesar de ser comum certo grau de disgeusia (alteração no paladar) e hiposmia (diminuição do olfato), medicamentos podem ter grandes influências nesses quesitos. (4)

Disfunção mitocondrial:

A disfunção mitocondrial é um dos fatores que contribuem para o aumento do processo de envelhecimento, independentemente dos níveis de ROS. (3)

O avanço da idade gera danos a integridade mitocondrial e a biogênese devido a alterações nas dinâmicas mitocondriais e na inibição da mitofagia, prejudicando a remoção de mitocôndrias disfuncionais. (3)

Deregulated nutrient sensing:

Estudos demonstram que uma longevidade aprimorada apresenta uma função reduzida de GH, IGF-1 e receptores de insulina, alem de seus efetores intracelulares, os complexos AKT e mTOR. Por conta disso é proposto que uma restrição calórica pode ser benéfica para o envelhecimento. (3)

O envelhecimento é também associado fisiologicamente a diminuição progressiva da secreção de  GH após a 3ª década de vida, refletido também na diminuição  dos níveis de IGF-1. (3)

Senescência celular:

Foi encontrado níveis diferentes de senescencia celular em diferentes tecidos. Em parte isso se deve a níveis de acumulação diferentes em cada tecido assim como níveis diferentes e mais baixos de clearence em outros. (3)

Instabilidade genômica:

O aumento do dano genômico já foi relacionado ao envelhecimento, principalmente devido aos déficits do reparo do DNA. –  Estudos em ratos (3)

Mutações no DNA mitocondrial  parecem ser induzidos por erros na replicação cedo na vida,  mais do que por acumulo de dano oxidativo. (3)

Estresse oxidativo:

O envelhecimento induz o estresse oxidativo, assim como o contrario.

A junção do aumento do estresse oxidativo, com a diminuição no consumo de antioxidantes, somados a uma baixa defesa, enzima e não enzimática, gera a lesão dos tecidos e morte celular, o que dá início as patologias associadas.

Consequências do estresse oxidativo:

  • Ruptura das membranas celulares
  • Mutações do DNA
  • Oxidação dos lipídeos insaturados
  • Formação de MDA (Marcador de peroxidação lipídica)
  • Comprometimento dos componentes da matriz extracelular, proteoglicanos, colágeno e elastinas.

Terapias gênicas:

As terapias gênicas e o progresso rápido nas pesquisas com células-troncos poderão prolongar a duração da vida humana em um grau muito maior que o tratamento clinico aprimorado ou ate mesmo a erradicação de doenças. (5)

Exercício físico no envelhecimento:

A pratica regular de exercícios físicos tem um impacto positivo na função mitocondrial. O treino de endurance em humanos apresentou uma maior expressão de proteínas mitocondriais, mtDNA e TFAMs. (3)

Em um estudo, foram acompanhados 6 meses de um programa de treinamento de resistência, e foi observado que o treino reverteu a os níveis de “aging transcriptional signature”, chegando a níveis parecidos com jovens adultos através da melhora da função mitocondrial. (3)

A recomendação de atividade física deve recomendar atividades aeróbias também alem de treinos de força, endurance, flexibilidade e exercícios neuromotores. (3)

O exercícios deve ser capaz de aumentar a capacidade funcional e a qualidade de vida enquanto atenua  mudanças fisiológicas e comorbidades associadas ao envelhecimento. (3)

O condicionamento de “pré-habilitação” enfatiza o alongamento articular, a ativação muscular, a estabilidade e a força das áreas centrais, o equilíbrio e a coordenação muscular, evitando assim lesões durante as atividades esportivas. (5)

Efeitos da atividade física no envelhecimento:

  • Aumento da neurogênese e atenuação da neurodegeneração e de alterações cognitivas. (3)
  • Diminuição da pressão sanguínea e melhora da função cardíaca. (3)
  • Melhora da função respiratória aumentando a ventilação e a troca gasosa. (3)
  • Melhora da função metabólica, aumentando a taxa metabólica de repouso, a síntese muscular e a oxidação de gorduras. (3)
  • Melhora da função muscular, composição corporal, aumentando a força, a resistência, o equilíbrio e o controle motor. (3)
  • Redução do peso e da adiposidade, com melhora da densidade óssea e aumento da massa muscular. (3)
  • Melhora na vascularização, principalmente no aumento da perfusão encefálica e na capacidade dos vasos sanguíneos encefálicos em responderem as demandas do fluxo sanguíneo. (5)

Com o avançar da idade, o declínio da força excêntrica progride mais lentamente do que para a força concêntrica. (5)

O sedentarismo apresenta uma relação causal com quase 30% de todas as mortes por cardiopatia, câncer do cólon e diabetes mellitus. (5)

Em idosos a pratica regular de atividade física, especialmente praticas aeróbias e treinamentos de resistência possuem um importante papel prevenindo a atrofia muscular, mantendo  a função cardiorrespiratória e a função cognitiva, alem de melhorar a atividade metabólica, garantindo assim uma melhora ou uma manutenção da independência. (3)

Sarcopenia:

Osteoporose:

Menopausa:

  • É importante considerar a saúde óssea. Principalmente em mulheres na pós-menopausa.
    • Cálcio
    • Magnesio
    • Vit. D

Depressão:

A queda da capacidade funcional pode desencadear ou agravar qualquer quadro depressivo de um idoso.

A depressão hoje é uma doença inflamatória. Essa inflamação gerada aumenta a atividade da enzima IDO, gerando problemas no sono.

Anorexia do envelhecimento:

Mesmo com a diminuição do gasto energético total, a perda ponderal de peso é causada pela redução do consumo energético em proporção maior que a diminuição do gasto energético. (1)

Isso associado à perda de apetite é chamado de anorexia fisiológica do envelhecimento. (1)

Sono:

O sono inadequado gera uma serie de alterações

Indivíduos com mais de 70 anos apresentam uma menor capacidade na síntese de melatonina. (6)

A Gama gt é um marcador do estresse oxidativo. Pessoas que fazem o uso de bebida alcoolica tendem a ter uma GGT mais elevada. 

O sono inadequado favorece um ambiente pro catabólico.

50% da população idosa relata problemas relacionados ao sono.

– Sono fragmentado

– Redução das ondas lentas

– Insonia

– Apneia do sono

– Redução na eficiência do sono

– Disrupção do ciclo circadiano

Para cada hora de uso do tablet, ocorre uma redução de 22% nas quantidades de melatonina.

1 dia de alteração de sono gera efeitos colaterais metabólicos nos dias seguintes.

Problemas no sono geram: diminuição do GH, IGF-1, Testosterona (fatores anabolicos); e aumento do cortisol, miostatina e resistência a insulina (fatores catabolicos).

B6, magnésio, triptofano = serotonina e melatonina. Observar esses fatores.

O aumento de citocinas pro inflamatória desloca a via do triptofano, para a formação da quinurenina, relacionado a produção de vit. B3. A vit. B3 está relacionada com a saúde mitocondrial, e produção de energia, sendo uma “prioridade” para o corpo. Por esse motivo, quando tentamos resolver problemas relacionados ao sono, pode ser interessante a suplementação de Vit. B3, diminuindo o deslocamento do triptofano, e inibindo a ação da IDO.

Hipertensão Arterial:

(+Sobre hipertensão)

Em quase todas as sociedades a PAS aumenta de maneira gradativa com a idade, e por conseguinte a maioria dos adultos desenvolve hipertensão ao longo da vida. (7)

Referências bibliográficas:

1- Cominetti C, Cozzolino S. Bases bioquímicas e fisiológicas da nutrição nas diferentes fases da vida, na saude e na doença. 2a. Manole; 2020. 1369 p.

2- Cozzolino S. Biodisponibilidade de Nutrientes. 6a. São Paulo: Manole; 2020. 934 p.

3- Rebelo-Marques A, Lages ADS, Andrade R, Ribeiro CF, Mota-Pinto A, Carrilho F, et al. Aging hallmarks: The benefits of physical exercise. Front Endocrinol (Lausanne). 2018;9(MAY):1–15.

4- Mahan LK, Escott-Stump S, Raymond JL. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13a. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. 1227 p.

5- McArdle WD, Katch FI, Katch VL. Fisiologia do Exercício – Nutrição, Energia e Desempenho Humano. 8a. World. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2017. 1059 p.

6- Fatemeh G, Sajjad M, Niloufar R, Neda S, Leila S, Khadijeh M. Effect of melatonin supplementation on sleep quality: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. J Neurol [Internet]. 2021;(0123456789). Available from: https://doi.org/10.1007/s00415-020-10381-w

7- Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.