Iodo – Biodisponibilidade, metabolismo, recomendações, deficiência…

Última Atualização: 23/08/2021

O iodo é um elemento que desempenha papel fundamental na formação e estrutura dos hormônios da tireoide, tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3). (1)

Biodisponibilidade e metabolismo:

A absorção pela dieta é rápida e quase total (>90%), tanto no estomago quanto no duodeno. (2)

Antes de ser absorvido o iodo é convertido ao íon iodeto, que são 100%biodisponiveis e absorvidos praticamente por completo no intestino delgado. (2)

A fervura reduz conteúdo de iodeto em quase 50%, enquanto a fritura o reduz em 20%. (1) Mas outros componentes da dieta também são capazes de afetar a absorção de iodo, em especial vegetais do gênero das crucíferas, que são ricos em compostos sulfurados, como glucosinolatos. (1)

A entrada de iodo na tireoide ocorre por mecanismo de transporte dependente de energia, mediado pelo simportador sódio-iodo (NIS). Este transportador é estimulado pelo hormônio tireoestimulante, secretado pela tireoide. (1) Uma vez na tireoide, o iodo participa da síntese dos hormônios T3 e T4, que são os únicos hormônios biologicamente ativos que contem iodo em sua estrutura. (1)

E sua excreção ocorre 90% pela via urinaria. (1)

No organismo, o conteúdo total de iodo é de cerca de 15-20mg, sendo que 70-80% encontram-se acumulados nas estruturas da glândula tireoide. (2)

O Iodo é muito volátil, de modo que com o tempo a quantidade de iodo no sal vai diminuindo com o tempo.  (Pós-VP)

Recomendações nutricionais:

RDA: 100-150mcg/dia (adultos) / 220mcg/dia (Gestantes)

UL: 1100mcg/dia

Fontes: Alimentos marinhos, leite, ovos, carnes, cereais. Produtos vegetais são pobres em iodo, e dependem do solo em que foram cultivados. (2)

Deve se considerar o consumo de substancias bociogênicas, que são derivadas de flavonoides (soja), glicosídios cianogênicos (mandioca), e glicosinolatos (vegetais crucíferos), capazes de liberar quantidades significativas de cianeto por hidrolise e de competirem pela captação da glândula tireoide, podendo ser um fator para o desenvolvimento do bócio.  (2)

Fontes de substâncias bociogênicas: Mandioca, milho, broto de bambu, batata-doce, couve-flor, variedades de leguminosas.(2)

Suplementação nutricional:

Foi estabelecido no Brasil que o sal deve conter um teor igual ou superior a 15-45mg/kg de sal. (2)

A suplementação de Iodo deve ser cuidadosamente monitorada para evitar a presença de doenças causadas pelo excesso de iodo. (2)

O consumo excessivo de iodo pode causar sintomas agudos de irritação no trato gastrointestinal, dor abdominal, náuseas, vômito e diarreia, bem como sintomas cardiovasculares e cianose. (2)

Exames bioquímicos:

  • Iodo urinário
  • Concentração de TSH
  • Concentração de tiroglobulina (Padrão ouro) (Pós VP)
  • Presença de Bócio.

A avaliação do estado nutricional do iodo no individuo pode ser feita por 4 métodos: pela concentração urinaria; presença de bócio; concentração de TSH; concentração de tiroglobulina sérica. (2)

Um dos parâmetros mais sensíveis para a medida do estado nutricional é a excreção urinaria do iodo. (2)

Deficiência:

A insuficiência de iodo pode comprometer o desenvolvimento mental, neurológico, estrutural, motor, sobretudo por sua participação no hormônio tireoidiano. (2)

A  IDD (Desordem associada a deficiência do Iodo) é composta por diversos acometimentos, como  retardo mental irreversível, bócio, distúrbios associados ao sistema reprodutor, aumenta da mortalidade infantil entre outros. (2)

Após longos períodos de deficiência, a recuperação do estado nutricional por meio do aumento súbito da ingestão desse mineral, não necessariamente em quantidades suplementares, pode desencadear o hipertireoidismo. (2)

Iodo e hormônios tireoidianos:

A maioria das ações do iodo são atribuídas aos hormônios da glândula tireoide: T3 e T4.  (2)

Essencial para  síntese dos hormônios tireoidianos (tiroxina t4 e triiododitironina t3), que controlam o metabolismo.  (Pós VP)

Altas concentrações de iodo estão relacionados a tireoidite de Hashimoto. (Pós VP)

Iodo e Gestação:

Desempenha um papel importanteno neurodesenvolvimento fetal.  (Pós VP)

Durante a lactação, recomenda-se que as mulheres continuem com a ingestão elevada de iodo para garantir sua quantidade suficiente no leite materno, para assim, contruir reservas na glândula tireoide do recém nascido.  (PósVP)

Em gestantes com hipertensão arterial, é importante substituir as fontes de iodo, pelos peixes e algas. (Pós VP)

Considerações sobre iodo e exercício:

Os indivíduos que não suprema ingestão diária recomendada de pelo menos 150 µg de iodo apresentam maior probabilidade de desenvolver distúrbios ocasionados pela deficiência de iodo, que incluem fadiga e redução de desempenho físico. (1)

A suplementação com fins ergogênicos é pouco fundamentada na literatura cientifica. (1)

Referências bibliográficas:

1- Lancha Jr. AH, Rogeri PS, Pereira-Lancha LO. Suplementação Nutricional no Esporte 2a Ed. 2a. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2019. 266 p.

2- Cozzolino S. Biodisponibilidade de Nutrientes. 6a. São Paulo: Manole; 2020. 934 p.