Jejum Intermitente

Última Atualização: 28/08/2021

Mecanismos:

Apesar do jejum gerar uma melhora na saúde metabólica, na performance cognitiva  e em eventos cardiovasculares, não sabemos ainda ate que ponto o jejum é positivo  e quando ele começa a ser negativo. (1)

Jejum e restrição calórica: (1)

A perda de peso não foi diferente entre protocolos de jejum e restrição calórica. (2)

Uso de gorduras como fonte de energia,  diminuindo a adiposidade e diminuindo o risco de jejuns mais longos.

O estresse gerado pela restrição pelo menos em parte resulta em reparação celular, e otimização metabólica

Reduz o risco cardiovascular

Melhora o metabolismo da glicose via Forkhead Box A genes.

E ainda se é estudado sobre os efeitos da CR na performance cognitiva. (1)

A restrição calórica comumente gerada pelo jejum melhora a saúde metabólica e diversos marcadores. (1)

A restrição calórica é capaz de reduzir o estresse oxidativo limitando a produção mitocondrial de ROS, aumentando endogenamente a ação antioxidante. (2)

Tipos mais comuns de protocolos:

PF (prolonged fasting) / ICR (Intermittent calorie restriction) – Jejum por tempo prolongado, 24h de jejum, sendo sem dias alternados na semana. (2)

TRF (Time-Restricted Feeding) – 8h de alimentação e 16h de jejum ao longo do dia (2)

ADF (Alternate-Day fasting) – variando o protocolo, mas chegando a 0 calorias ingeridas no dia (2)

Situações do jejum: (2)

Hora 0 – Pós prandial:

  • Consumo de alimentos

Hora 3 – Estado Alimentado

  • Aumento glicose – Secreção de insulina
  • Inibição da lipólise – Queda FFA
  • Energia vinda da glicolise + oxidação do piruvato
  • Glicogenese
  • Superavit calórico = FA estocado no tecido adiposo

Hora 18 – Inicio do Jejum

  • Baixa insulina – Gliconeogenese
  • Glicogenolise
  • Uso da glicose > que a gliconeogenese
  • Inicio da lipólise = Aumento de FFA

Hora 26-48 – Jejum

  • Baixa insulina – Gliconeogenese, aumento B-OHB
  • Troca metabólica, FA e cetonas como combustível
  • Catabolismo proteico
  • Lipolise (aumento de FFA)
  • Aumento do glucagon e de glicocorticoides
  • Aumento da excreção de nitrogênio urinário

Hora >48 – Starvation

  • Insulina muito baixa – B-OHB elevada
  • Inibição do catabolismo de BCAA;
  • Inibição da oxidação de glicose no músculo
  • Gliconeogenese hepática
  • FFA  como fonte de energia
  • Aumento do IMCL devido a reesterificação de FFA

O protocolo de jejum geralmente não é sustentável devido a insatisfação com as restrições dietéticas. (2)

Estudo em humanos mostraram apenas mudanças na insulina de jejum (queda), mas não na glicose de jejum. (2)

A combinação de restrição calórica e jejum se mostrou capaz de promover a longevidade e aumentar a resistência contra doenças relacionadas a idade. (2)

Alguns estudos mostraram um aumento do gene SIRT1 (gene relacionado a longevidade), e uma maior expressão do gene B-OHB (Beta-hidroxibutirato), relacionado com vias antiinflamatorias. (2)

Apesar de resultados positivos, ainda existem poucos estudo em humanos para embasar a recomendação do jejum em “massa” (2)

O jejum tem um lado psicologico forte, um lado que pode implicar na depressão e em uma má relação com a comida, através de uma relação de “purgação”e recompensa. (2)

O jejum em animais mostrou capaz de melhorar a capacidade de autofagia das células preservando a qualidade das organelas. Mas  ainda é limitado os estudo em humanos (2)

FFA saturados induzem uma resposta inflamatória nos macrófagos, enquanto as insaturadas não. (2)

A elevação de FFA durante o jejum, ativa proteínas de vias  inflamatórias reduzindo a sensibilidade a insulina. Mas junto a isso a B-OHB realiza a função oposta, agindo como agente antiinflamatorio, alterando o combustível utilizado pelo metabolismo. (2)

A elevação prolongada de FFA, combinada com a síndrome metabólica, e a resistência a insulina, contribuem para a elevação de IMCL  hepático e de lipotoxidade, levando a esteatohepatite não alcoólica. (2)

Referências bibliográficas:

1- Horne BD, Muhlestein JB, Anderson JL. Health effects of intermittent fasting: Hormesis or harm? A systematic review. Am J Clin Nutr. 2015;102(2):464–70.

2- Stockman MC, Thomas D, Burke J, Apovian CM. Intermittent Fasting: Is the Wait Worth the Weight? Curr Obes Rep. 2018;7(2):172–85.