Osteoporose – Fisiopatologia, efeitos no organismo, terapia nutricional…

Última Atualização: 10/03/2021

Diagnóstico:

Alterações bioquímicas:

Objetivo do tratamento:

Tratamento médico:

– farmacologia:

Terapia nutricional:

Resumo:

Suplementação nutricional:

  •  Cálcio: No max. 500mg por dose. (1)
    • O citrato de cálcio é o menos dependente de ácido gástrico. (1)
    • FOS-inulina ou frutanos (4g já mostrou algum efeito) (2)
  • Creatina
  • Ômega-3

Orientações nutricionais (Orientações p/ seu paciente):

Ômega-3:

(+ sobre o ômega-3)

Alguns estudos mostraram relação entre um maior consumo de ômega-3 e saúde óssea.(3)

O ômega-3 parece influenciar positivamente a osteoporose, reduzindo a inflamação crônica de baixa intensidade. (2)

O ômega-3 diminui a liberação de prostaglandina E2 (PGE2). Niveis baixos de PGE2 estimulam a formação óssea pelos osteoblastos por meio da ligação entre RANK-L e a osteoprogesterina (proteína secretada pelos osteoblastos), permitindo o mecanismo de apoptose dos osteoclastos e interferindo negativamente na diferenciação de células precursoras em osteoclastos. (2)

Foi visto que uma relação omega6/omega3 aumentada é associado a inflamação e à osteoporose. (2) Por isso a suplementação não é baseada no ômega-3 em si, mas em diminui essa razão visando manter o equilíbrio e pensando no consumo total de ômegas. (2)

Apesar das evidência, ainda não é claro o mecanismo pelo qual o ômega-3 é capaz de interferir no remodelamento ósseo. (2)

Creatina:

(+ sobre a creatina)

Um estudo feito em idosos, associando a suplementação de creatina e a prática de atividades físicas observou um aumento significativo do CMO (conteúdo mineral ósseo) dos braços dos indivíduos. (4)

Além disso, foi visto que doses baixas (0,1g/kg/dia) associada ao treinamento de força foi capaz de reduzir significativamente os marcadores da reabsorção óssea. (4)

Um dos mecanismos estudados para esses benefícios é devido ao fato de que as células do tecido ósseo necessitam de grande aporte energético para que sobrevivam, proliferem-se e diferenciem-se, a fim de manter o desenvolvimento e a reparação tecidual. Essa energia provém da glicólise, e da fosforilação oxidativa, bem como do sistema PCr-CK. (4)

Colágeno:

É precoce afirmar que a ingestão de colágeno hidrolisado tem efeito positivo na massa óssea vez que seria necessário evidenciar quais as vias metabólicas atuariam nesse sentido. (2)

Cálcio:

(+ sobre o cálcio)

RDA: 1000mg/dia até 50 anos

RDA: 1200mg/dia > 50 anos

A ingestão adequada de cálcio é a principal medida na prevenção de doenças osseas. (2) Sendo consenso que os efeitos benéficos do cálcio ocorrem em associação com a ingestão ou suplementação da vitamina D. (2)

O citrato de cálcio é o mais independente do acido gástrico para ser absorvido. (1)

Não se recomenda mais do que 500mg/dose.  (1)

A suplementação com sais de cálcio pode ocasionar em alguns pacientes náuseas, dispepsia e constipação. (1)

Outro ponto que pode ser considerado em relação ao cálcio é  que através de pre e probióticos o cálcio possa ser melhor aproveitado na dieta (aumento na biodisponobilidade). (2) Os frutanos (inulina e frutooligossacarídeos) são prebióticos que podem beneficiar a absorção e a biodisponibilidade do cálcio. (2)

A fermentação de carboidratos no intestino grosso resulta na produção de ácidos graxos de cadeia curta, os quais constituem a principal razão para o aumento da absorção de cálcio, pois reduzem o pH do conteúdo luminal, melhorando a solubilidade de minerais, e sua consequente absorção. (2)

Outro ponto é que os prebióticos podem agir diretamente nas vilosidades intestinais estimulando seu crescimento, o número de células por cripta, o fluxo venoso e o transporte passivo de cálcio, ou em nível celular estimulando a expressão da calbinidina, que é a proteína responsável pelo transporte ativo do cálcio. (2)

Soja / isoflavonas:

(+ sobre as isoflavonas)

Alguns estudo identificaram associações entre respostas metabólicas inflamatórias e o desenvolvimento da osteoporose (2)

As isoflavonas presentes na soja apresentam moléculas similares ao estrógeno, possibilitando a sua ligação a receptores celulares desse hormônio e, em consequência, afetando a expressão de genes regulados por ele. (2)

E portanto, tendo sido associado a um menor risco de fraturas para mulheres na menopausa. (2)

É interessante ressaltar que as isoflavonas da soja atuam tanto na inibição da reabsorção óssea (em efeito protetor similar ao estrógeno) como também no favorecimento da formação óssea. (2)

Obs: a suplementação de isoflavonas mostrou efeitos positivos no osso apenas em doses elevados, consideravelmente acima do seria possível pela via alimentar. (2)

Outros tratamentos:

Fisiopatologia:

É a principal doença óssea da atualidade. Definida como um distúrbio sistêmico do esqueleto caracterizado pelo comprometimento da resistência óssea e da qualidade mineral óssea, que predispõe o individuo a um aumento do risco de fraturas. (2)

Fatores de risco: (1)

  • Sexo feminino
  • Baixa densidade mineral óssea
  • Raça asiática ou caucasiana
  • Idade avançada
  • Menopausa precoce não tratada (antes dos 40)
  • Tratamento com corticoides
  • Dieta pobre em cálcio
  • Sedentarismo

 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens com mais de 50 anos irão sofrer fraturas devido a osteoporose, e nesses complicações e a mortalidade são reconhecidamente maiores. (2)

Mulheres:

Mulheres após o climatério sofrem uma drástica redução da produção de estrógeno, hormônio que favorece a manutenção da massa óssea. (2)

Referências bibliográficas:

1- Cozzolino S. Biodisponibilidade de Nutrientes. 6a. São Paulo: Manole; 2020. 934 p.

2- Philippi ST, Pimentel CV de MB, Elias MF. Alimentos Funcionais e compostos bioativos. 1a. São Paulo: Manole; 2019. 893 p.

3- Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.

4- Gualano B. Suplementação de Creatina. 1a. São Paulo: Manole; 2014. 157 p.