Restrição Calórica – Emagrecimento, efeitos no organismo

Última Atualização: 26/04/2021

Low-energy diets / Very low-energy diets – LED/VLED: caracterizada por um aporte calórico de 800-1200kcal ou 400-800kcal por dia. Estudos tem mostrado que dietas VLED apresentam resultados não tão satisfatórios quando consideradas no longo prazo, apresentando ainda muitos efeitos colaterais. (1)

Thermic Efect of Food – TEF: representa um gasto calórico que pode chegar de 8 a 15% do total diário. (1)

Adaptative thermogenesis – é a capacidade do corpo de responder  a variâncias na temperatura, ou  em condições hipercalóricas, de modo a alterar seu metabolismo influenciando o gasto energético (1)

A restrição calórica retarda o processo de envelhecimento.

Por evitar uma serie de doenças relacionadas ao excesso calórico,  a (CR) foi capaz de aumentar o tempo de vida de roedores.

Ocorre :

  • Diminuição da gordura corporal total e abdominal
  • Aumento da sensibilidade a insulina
  • Melhora do perfil lipídico
  • Diminuição da pressão arterial
  • Redução dos marcadores de reação inflamatória e de estresse oxidativo
  • Diminuição do T3 (tri-iodotironina) e da temp. corporal
  • Prevenção da queda com a idade de melatonina e deidroepiandrosterona

Em humano ocorre alguns efeitos semelhantes ao de roedores, mas também ocorre:

  • Concentrações mais baixas de testosterona / estradiol
  • Aumento da adiponectina.

Em humanos os níveis de IGF-I não diminuem a menos que também haja uma restrição proteica.

A diminuição do IGF-I parece ser importante no prolongamento da vida e na  proteção contra doenças.

Em roedores  a CR foi capaz de diminuir as vias de detecção de nutrientes incluindo aquelas do IGF, da insulina e da proteína-alvo da rapamicina (TOR)

A redução da sinalização da insulina mediada pela CR contribui para a longevidade pois as mutações de perda de função nos respectivos receptores,  no tecido adiposo e no cérebro foram capazes de promover longevidade em camundongos.

A diminuição  seletiva do T3 gera uma queda no metabolismo, na produção de radicais livres e na temperatura corporal.

Mas consequentemente podem levar homens e mulheres ao ganho de peso.

A CR também é capaz de reduzir hormônios anabólicos, como testosterona e leptina e aumentar hormônios supressores de inflamação como o cortisol, adiponectina e grelina.

Autofagia: é a capacidade do organismo de catabolizar resíduos de células que foram danificadas, que quando acumuladas causam disfunção biológica e estresse oxidativo.

  • Baixa insulina gerada pela CR estimula a autofagia (a insulina possui um efeito inibitório)
  • O aumento do glucagon  estimula  a autofagia.
  • E a queda do IGF-I causada pela CR também estimula a autofagia (IGF-I é um fator inibitório)

Inflamação: é a resposta do organismo a lesões, infecções  ou insultos que visa promover a cura e a correção desse estado. Ela é basicamente governada por citocinas, TNF-Alfa, IL-6 e IL-beta entre outros que se ligam as células mediando a inflamação.

Inflamação crônica de baixa intensidade: Causada pelo avanço da idade, exposição ao cigarro, gordura corporal em excesso… foi associada a diversas doenças degenerativas como Alzheimer, diabetes, doenças pulmonares, fibrose de tecidos e órgãos. A CR foi capaz de atenuar os aumentos da inflamação gerada pela idade.

A obesidade pode ser combatida ou pela redução do consumo de energia ou aumentando a energia gasta, ambos visando um balanço energético negativo. (2)

Alguns estudos mostram que aumentar a quantidade proteica na perda de peso em relação ao carboidrato ajuda na prevenção da perda de massa magra, alem de contribuir para uma maior perda de gordura. (2)

Um estudo revelou que é possível reduzir +- 3kg de massa gorda em 4 dias de intervenção, associando uma  restrição calórica de +- 10% do consumo habitual,  combinada com 9h de exercício de baixa intensidade. (2)

5-10% de diminuição da massa corporal já foi capaz de melhorar os níveis de colesterol, HDL  assim como  a sensibilidade a insulina e a pressão sanguínea.  (2)

Estudos tem sugerido que  o déficit calórico em conjunto com o exercício promovem um impacto maior  no perfil lipídico, mais do que na massa gorda. (2)

Foi observado que o consumo de proteínas não foi capaz de poupar massa magra sobre restrição calórica, mas isso foi associado a severidade da restrição. Postulando que em restrições mais leve, a proteína é capaz de proteger a massa muscular(2)

Restrição calóricas:

A restrição calórica é associada a perda de peso, porém esta perda não é relativa apenas a gordura corporal, mas também inclui a perda de massa muscular. (3)

Restrição calórica intermitente:

Tem sido sugerido que “quebras” na dieta pode reduzir a resposta metabólica compensatória à dieta, aumento a eficácia da perda de peso. (3)

Foi visto que 2 dias de dieta isocalórica em meio a uma dieta hipocalórica repondo o carboidrato foi capaz de preservar a massa magra, favorecendo o emagrecimento no longo prazo. (3)

Um dos mecanismos propostos para isso é pela reposição do glicogênio muscular, que permite com que os treinos nos dias seguintes a reposição do carboidrato sejam mais intensos e mais proveitosos. (3)

Referências bibliográficas:

1- Aragon AA, Schoenfeld BJ, Wildman R, Kleiner S, VanDusseldorp T, Taylor L, et al. International society of sports nutrition position stand: Diets and body composition. J Int Soc Sports Nutr. 2017;14(1):1–19.

2- Calbet JAL, Ponce-González JG, Pérez-Suárez I, de la Calle Herrero J, Holmberg HC. A time-efficient reduction of fat mass in 4 days with exercise and caloric restriction. Scand J Med Sci Sport. 2015;25(2):223–33.

3- Campbell BI, Aguilar D, Colenso-Semple LM, Hartke K, Fleming AR, Fox CD, et al. Intermittent energy restriction attenuates the loss of fat free mass in resistance trained individuals. A randomized controlled trial. J Funct Morphol Kinesiol. 2020;5(1):1–12.