Valeriana – Valeriana Officinalis L.

Última Atualização: 22/06/2021

Planta:

Conhecida popularmente como erva-dos-gatos (1)

Nome Farmacêutico:

Radix Valerianae (1)

Parte Utilizada:

Raiz (1)

Componentes químicos:

Irioides:

Contem 0,5 a 2% de  irioides, conhecidos como valepotriatos (valtrato, isovaltrato, homovaltrato, acevaltraato, valeclorina, di-hidrovaltratos) (1)

Óleo essencial:

Contem 0,5 a 1% de óleos essenciais, constituídos de monoterpenóis, sesquiterpenoides, ésteres terpênicos, ácidos sesquiterpênicos, ácidos fenólicos, flavonoides e alcaloides. (1)

Atividade farmacológica:

As raízes da planta apresentam diversos bioativos que demonstram atividade farmacológica no SNC. (1) Atualmente ela é recomendada por suas importantes propriedades ansiolíticas, de relaxamento muscular e indução do sono. (1)

Efeito Sedativo:

Vários estudos comprovam o efeito sedativo da valeriana, o qual depende da ação sinérgica  dos diferentes compostos presentes no extrato. (1) Porém, quanto maior o rigor metodológico, menor foi o resultado a favor da valeriana. Em muitos casos não sendo encontrado melhora da qualidade e da latência do sono. (2)

Estudos indicam que as atividades sedativas e indutoras do sono seriam provocados, principalmente, pelos valepotriatos, já que uma fração desses constituintes mostrou efeito sedativo, miorrelaxante central, anticonvulsante, dilatador coronariano e antiarrítmico em ratos, coelhos e gatos. (1)

A inibição do metabolismo do GABA pelo ácido valerênico leva ao seu aumento que, por consequência, ocasiona um efeito inibitório semelhante aos benzodiazepínicos. (1)

Foi visto também uma modificação no transporte e na liberação do GABA (2)

Por outro lado, estudos demonstram que o extrato e o acido valerenico são agonistas parciais do receptor 5-HT5a da serotonina, sugerindo que essa via tambémpode ser importante para seu efeito sedativo. (1)

Porém, em fitoterapia há uma dificuldade em definir bioequivalência entre diferentes extratos de uma mesma espécie, visto que a composição pode variar em função de diferentes fatores, que abrangem desde o cultivo até os métodos de preparo do fitoterápico. (1)

Estudos em humanos mostraram ação hipnótica suave com melhora dos parâmetros ligados ao sono, tais como tempo de latência, horário de despertar, atividade motora noturna e sua qualidade, além de ausência de “ressaca” matinal. (1)

Estudos clínicos demonstraram que o tratamento da insônia com V. Officinalis reduziu o tempo de latência do sono em relação ao grupo placebo. (1)

Foi visto que a associação de V. Officinalis e H. perforatum (hiperico) demonstrou resultado superior ao Diazepam no tratamento da ansiedade. (1)

A associação de H. Lupulus e V. officinalis também é recomendada em virtude dos efeitos sinérgicos entre os bioativos das duas espécies que atuam por meio da modulação dos receptores de adenosina (ex: antagonizar os efeitos da cafeína), efeitos melatonérgicos e por aumentar a atividade gabaérgica. (1)

Tem sido postulado que associação da valeria (300mg) + a ashwagandha (500-600mg) pode ser benefica.

Anti-hipertensiva:

A valeriana é indicada para quadros de hipertensão acompanhada de quadros ansiosos (1)

Porém, é necessário cuidado em pacientes que utilizam anti-hipertensivos, pois podem provocar hipotensão. (1)

Contraindicações / Toxicidade:

  • Não é indicado durante a gravidez e a lactação. (1)
  • Não há indícios de toxicidade. (1)

Efeitos Colaterais:

Foi visto que um dos efeitos colaterais pode ser a diarreia. (2)

Precauções:

Pode potencializar o efeito de anestésicos. (1)

Pode potencializar o efeito de anti-hipertensivos causando quadros de hipotensão. (1)

Posologia:

  • Planta seca: 2-3g até 4x ao dia. (1)
  • Infusão: 1-3g até 4x ao dia. (1)
  • Extrato seco (5:1): 300-1200mg de 2 a 3x ao dia. (1)
  • Tintura: (1:5, etanol 70): 50-100 gotas, 1 a 3x ao dia. (1)
  • Extrato Fluido (1:1): 50-100 gotas, 1 a 3x ao dia. (1)

Disponível no mercado brasileiro:

Extrato seco de V. Officinalis padronizado no mínimo de 0,8% de ácido valerênico e extrato seco de V. Officinalis. (1)

Valerimed:

Comprimido 50mg – Contém, 50 mg de Extrato seco de Valeriana officinalis L. (padronizado em 0,4 mg (0,8%) de ácidos sesquiterpênicos expressos em ácido valerênico). (Bula)

Posologia: 1 comprimido 3x ao dia, a cada 8h.  (Bula)

Tomar 30’ a 2h antes de dormir.  (Bula)

Fazer washout para evitar a síndrome de abstinência (Bula)

Referências Bibliográficas:

1- Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.

2- Fernández-San-Martín MI, Masa-Font R, Palacios-Soler L, Sancho-Gómez P, Calbó-Caldentey C, Flores-Mateo G. Effectiveness of Valerian on insomnia: A meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Sleep Med [Internet]. 2010;11(6):505–11. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.sleep.2009.12.009