Vitamina B12 – Cobalamina: Metabolismo, biodisponibilidade, suplementação…

Fontes de Vitamina B12

Última Atualização: 19/04/2021

Diagnostico de deficiência:

A deficiência de vitamina B12 é feita preferencialmente através da associação de vários parâmetros. (1)

  • Concentrações séricas abaixo de 150 pmol/L com alterações hematológicas (1)
  • Valores abaixo de 150 pmol/L em duas analises distintas (1)
  • Concentrações séricas abaixo de 150 pmol/L junto com homocisteína >13 μmol/L e/ou MMA > 450nmol/L (1)

Alterações bioquímicas:

  • Cobalamina
  • Homocisteína
  • MMA (alto custo – pouco usado)
  • Holo-tc (alto custo – pouco usado)

Cobalamina:

A avaliação das concentrações séricas de cobalamina é o reste mais utilizado para diagnostica a deficiência. (1) Entretanto, esse marcador não distingue a vitamina biodisponivel e a aquela sem atividade, e por isso, esse parâmetro não apresenta uma alta especificidade. (1)

Outro problema é que as concentrações séricas de B12 se alteram muito tardiamente em casos de depleção, o que limita o uso isolado desse parâmetro. (1)

Então sugere-se que que ele seja usado em conjunto com outros biomarcadores, como a holo-tc, o MMA ou a homocisteína. (1)

Valores de referência:

  • >300 pg/mL: deficiência em cobalamina improvável (1)
  • 200-300 pg/mL: valor limítrofe – Deficiência possível. (1)
  • < 200 pg/mL: Deficiência em cobalamina (1)

Homocisteína:

O aumento das concentrações de homocisteína é decorrente de uma menor biodisponibilidade da metilcobalamina como cofator da enzima metionina sintase (que converte a homocisteína em metionina). (1)

Porém, esse aumento também pode acontecer por deficiência em outras vitaminas, como B2, B6 e especialmente a B9 (folato). (1)

Valores de referência:

  • 5-14 μmol/L. (1)

Ácido metilmalônico – mma:

Valores altos refletem a deficiência no cofator adenosil-cobalamina para a conversão de L-metilmalonil-CoA em succinil-CoA. (1)

Sua determinação pode ser realizada no soro ou na urina e não sofre interferência do estado nutricional de outras vitaminas. (1)

Entretanto ressalta-se que esse exame apresenta um alto custo, tornando-o inviável. (1)

Valores de referência:

  • 210-450 nmol/L – Não há consenso nesses dados. (1)

Holo tc:

A holo-tc representa a vitamina B12 disponível para as células, sendo esse o primeiro parâmetro a alterar em casos de deficiência. Porém esse exame tem um alto custo financeiro, e por isso não é utilizado. (1)

Valores de referência:

  • 200-400pmol/L (1)

Recomendação nutricional:

Fontes: alimentos de origem animal como, ovos, lácteos, peixes; e algas como a nori (Porphyra e Spirulina), porém, com uma biodisponibilidade questionável. (1)

O processo de absorção da Vit. B12 é dependente do Fator Intrínseco, que é saturável, por isso requer um período entre 4 e 6 horas para promover uma completa absorção, por isso o consumo da Vit. B12 deve ser fracionado em pelo menos duas refeições ao dia, com intervalo superior a 6 horas. (2)

2.4 mcg/dia – (IOM) (1,3)

Deficiência de b12:

As causas da deficiência em B12 podem ser classificadas em três categorias:

  • Redução da capacidade absortiva (1)com
  • Aumento das necessidades (1)
  • Consumo insuficiente (1)

Redução da capacidade absortiva:

Idosos apresentam alto risco de deficiência, visto que a capacidade absortiva dessa vitamina é diminuída com o avançar da idade. (1)

O comprometimento pela gastrite atrófica que se desenvolve naturalmente com a idade, acarreta na perda da secreção de ácido gástrico que leva a incapacidade de liberar a vitamina da proteína da dieta. (4,5)

Outro problema é que essa população tende a fazer uso de medicamentos que diminuem a produção/liberação de acido no estomago. Tais drogas ao interferirem negativamente sobre a secreção ácida, retardam a liberação de B12 da fração proteica dos alimentos. (1)

Pacientes bariátricos também apresentam sua absorção diminuída! (1)

Aumento das necessidades:

É comum um aumento nas necessidades principalmente na gestação e na lactação. (1)

Consumo insuficiente:

É uma das causas mais observadas entre os indivíduos que não consomem quaisquer fontes alimentares de origem animal. (1)

Outro caso comum é o do alcoolismo, que pode gerar a deficiência devido a uma maior excreção e uma menor absorção dessa vitamina.

Outras:

Outras condições menos prevalentes também podem ser a causa da deficiência de B12, como a hipergastrinemia, infecção por HIV, insuficiência pancreática crônica e terapia com radiação pélvica.

Do mesmo modo, drogas antidiabéticas, como fenformina e metformina, reduzem a biodisponibilidade da cobalamina. (1)

Efeitos da deficiência:

A deficiência implica no aumento das concentrações de homocisteína, um aminoácido produzido no fígado, que apresenta papel neurotóxico por promover a excitotoxicidade e aumentar a produção de radicais livres no sistema nervoso central, além de causar danos ao endotélio. (1) Sendo ainda, relacionado com o aumento da incidência de acidente vascular encefálico, demência e prejuízo da saúde óssea (2)

A hiper-homocisteinemia reduz a disponibilidade de oxido nítrico, aumenta a disfunção endotelial e promove o acúmulo de componentes tóxicos derivados da homocisteína, causando assim, maior propensão a eventos trombóticos. (2)

Muitos estudos sugerem que a deficiência em B12, ainda que subclínica, possa estar relacionada com depressão, declínio cognitivo, doença de Alzheimer entre outras doenças psiquiátricas. (1) Estudos também relatam que concentrações de B12 abaixo do ideal exacerbariam a neuro degeneração, acelerando a inflamação. (1)

A deficiência de Vit. B12 esta associada a perdas auditivas (mais no resumo sobre audição). (4). Além disso, ela gera sintomas como fadiga, formigamento nos dedos, má cognição e má digestão. (2)

A deficiência de B12 esta relacionada com problemas de mielinização e de neurotransmissão, o que pode acarretar encefalopatia e mielopatia. (1)

O comprometimento da metionina-sintase na deficiência da Vit. B12 leva ao acumulo do metil-tetra-hidrofolato que não pode ser usado (Sequestrando o folato), criando uma deficiência funcional de folato secundaria a deficiência de Vit. B12. (5)

Um consumo elevado de folato pode mascarar a deficiência de B12, pois consegue contornar os efeitos do sequestro do folato responsáveis pela anemia perniciosa. Porem esse consumo não reverte a lesão neural causada pela deficiência de B12. (5)

Anemia perniciosa:

A deficiência da vitamina B12 pode gerar a anemia perniciosa, que ocorre quando a falta dessa, afeta o metabolismo do acido fólico, levando a uma deficiência funcional de folato que compromete a eritropoiese, produzindo assim precursores imaturos das hemácias que são liberadas na circulação – Anemia Megaloblástica. (5)

Geralmente, a anemia ocorre devido a incapacidade de absorção da B12, mais do que pela deficiência na ingestão dietética, resultado ou da deficiência da produção e liberação do fator intrínseco, ou devido a problemas autoimunes, no qual os anticorpos atacam o fator intrínseco. (5)

A terapia nutricional deve fornecer uma quantidade mínima de proteína animal, 1,5g/kg de peso, sendo os problemas absortivos tratados no médico.

Terapia nutricional:

A suplementação máxima para nutricionistas é 1mg/dia

Nos casos em que a deficiência é nutricional, a suplementação de cianocobalamina cristalina tem sido utilizada por via oral ou nasal, com dose em torna de 1000mcg/dia. (1)

A suplementação sublingual é a mais eficaz.

Terapia medicamentosa:

O tratamento clássico para a deficiência quando a causa não é a deficiência alimentar, é a administração intramuscular na forma de cianocobalamina. (1)

Foi visto que doses de 1000mcg/dia durante uma semana, seguido por 1000mcg/semana durante um mês, e depois uma injeção da mesma dose uma vez ao mês é eficiente. (1)

Desempenho esportivo:

Não foi encontrado efeitos ergogênicos na suplementação de B12 em atletas bem nutridos. (3)

Porém, quando suplementada junto com vit. B1  e B6  a Vit. B12 se mostrou capaz de aumentar o desempenho em provas de tiro ao alvo.  Isso ocorreu devido ao aumento da serotonina que é um neurotransmissor que pode agir reduzindo a ansiedade. (3)

Atletas veganos / vegetarianos:

Fontes vegetais como nori, espirulina e alga chlorella não podem ser consideradas adequadas devido à baixa biodisponibilidade de B12. (2)

Estudos mostram que uma dieta deficiente em B12 pode estar relacionada com uma alta concentração plasmática de homocisteína, proporcionando um maior risco cardiovascular. (2)

Fisiologia:

O termo Vit. B12 é utilizado como descritor genérico das cobalaminas – corrinoides (compostos contendo cobalto que possuem o anel corrina) que apresentam atividades biológicas da vitamina. (5)

A vitamina B12 é termoestável, e essencial, sintetizado apenas por micro-organismos. (1) Apenas membros do reino Archaea e certas bactérias são capazes de sintetizar a cobalamina, que pode ocorrer por duas vias alternativas: a via aeróbia, que tem sido estudada em espécies de Pseudomonas denitrificans, e a anaeróbia, em Propionibacterium shermanii e Salmonella Typhimurium. (1)

A vitamina B12 esta envolvida na reparação e na síntese de mielina, sendo cofator de duas enzimas: a metionina sintase e a L-metilmalonil-Coa. (1)

Metionina sintase:

A metionina sintase é a enzima chave no metabolismo do fosfato. (1) Isso porque para que o fosfato seja retido dentro das células é necessário que ele seja conjugado com moléculas de glutamato. E na deficiência de B12, o folato não é conjugado, gerando a deficiência intracelular dessa vitamina. (1)

L-metilmalonil-coa mutase:

É um importante intermediário no ciclo do ácido cítrico ou do ciclo de Krebs.

Na deficiência de B12, é observado um aumento nas concentrações de ácido metilmalônico (MMA) e de ácido propiônico, acarretando a acidose metabólica. (1)

Ela só é encontrada em alimentos de origem animal, visto que não existem fontes vegetais dessa vitamina. (5)

Pequenas quantidades dessa vitamina podem ser encontradas na superfície das frutas, produzidas por bactérias, podem ser capazes de atender as necessidades. (5)

Absorção e metabolismo:

A absorção dessa vitamina é um processo complexo. No estomago, sua liberação é dependente de secreção acida e pepsina. (1)

O acido gástrico e a pepsina liberam a vitamina de sua ligação à proteína no alimento e a torna disponível para se ligar a  cobalofilina, uma proteína de ligação secretada na saliva.  No duodeno, a cobalofilina é hidrolisada, liberando a vitamina para sua ligação ao fator intrínseco. (5)

O fator intrínseco protege a vitamina das enzimas pancreáticas. (1) e na sequência o complexo B12 e FI é reconhecido pela cubilina, receptor coexpresso com a megalina, localizado nas células epiteliais do íleo distal. (1)

A absorção da Vit. B12 depende de uma proteína transportadora específica, o fator intrínseco.  Ela é absorvida no terço distal do íleo por meio de receptores que se ligam ao complexo fator intríseco-vitamina B12, mas não ao fator intrínseco livre ou à vitamina livre. (5)

A vitamina B12 então é absorvida por endocitose, mecanismo responsável pela absorção de pelo menos 60% da cobalamina ingerida. (1)

Evidencias sugerem que uma refeição com 1,5 a 2,5mcg da vitamina satura os receptores localizados no íleo, o que limita sua absorção. (1)

A insuficiência pancreática pode constituir um fator no desenvolvimento da deficiência da B12, resultando na excreção dessa vitamina ligada à cobalofilina. (5)

Já sua excreção se da pelas fezes, sendo proveniente da síntese bacteriana, da bile e da porção não absorvida da alimentação. (1)

Referências bibliográficas:

1.          Cominetti C, Cozzolino S. Bases bioquímicas e fisiológicas da nutrição nas diferentes fases da vida, na saude e na doença. 2a. Manole; 2020. 1369 p.

2.          Lancha Jr. AH, Rogeri PS, Pereira-Lancha LO. Suplementação Nutricional no Esporte 2a Ed. 2a. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2019. 266 p.

3.          Kerksick CM, Wilborn CD, Roberts MD, Smith-Ryan A, Kleiner SM, Jäger R, et al. ISSN exercise & sports nutrition review update: Research & recommendKerksick, C. M., Wilborn, C. D., Roberts, M. D., Smith-Ryan, A., Kleiner, S. M., Jäger, R., … Kreider, R. B. (2018). ISSN exercise & sports nutrition review update: Research & recommendat. J Int Soc Sports Nutr. 2018;15(1):1–57.

4.          Mahan LK, Escott-Stump S, Raymond JL. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13a. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. 1227 p.

5.          Rodwell V w., Bender DA, Bothan KM, Kennelly PJ, Weil PA. Bioquímica ilustrada de Harper. 30a. ArtMed; 2017. 817 p.