Esteroides Anabolizantes – EAA

Conceitos Básicos sobre os ciclos de EAA:

De acordo com fontes de literatura empírica, os principais objetivos pretendidos com o uso dos esteroides são: (1)

  • Ganho de volume corporal, aumento de massa, chamado de “bulking”. (1)
  • Aumento da muscularidade aparente, com melhora da definição corporal, chamado de “cutting” (1)

Resultados:

O esteroides tendem a ser mais efetivos em determinadas dosagens, com um uso de 6-8 semanas. Após esse período a taxa de ganhos tende a diminuir e o usuário tende a entrar no efeito platô. (1) Tem sido visto que 6-8 semanas com doses menos agressivas certamente diminui o risco de complicações, não isentando os riscos associados ao seu uso. (1)

Evidências empíricas apontam que há vantagens na utilização de esteroides combinados em menores dosagens ao invés de utilizar uma única droga. (1)

A ciência corrobora que o aumento do tempo e dose dos esteroides pode ser errado, sendo observado em doses menores e por um período mais curto (4-12 semanas) ausência, ou menor volume e intensidade de efeitos adversos. (1,9)

Efeitos Adversos:

Muitas alterações bioquímicas, por vezes são consideradas como “danos” (embora sejam desfechos intermediários), porém, alguns pesquisadores confirmam que possíveis alterações em pressão arterial, perfil lipídico e enzimas hepáticas são transitórias, e após um período de parada de uso, retornam a normalidade sem diferença entre usuários e não usuários. (1,7)

Um estudo comparou o efeitos adversos / danosos a saúde de 20 drogas, incluindo álcool, heroína, esteroides, entre outras, e os autores observaram que os EAA apresentam menores taxa de dano físico (agudo e crônico), menores taxas de dependência física e psíquica e menor dano social, além de um menor custo para o sistema de saúde , que muitas outras drogas, em em especial quando comparado ao álcool e ao tabaco. (1,2)

Adicionado a isso, temos que a qualidade das evidências para inferência de causalidade, ou seja, desenhos de estudos que respondam adequadamente se o uso de EAA de fato causou algum efeito adverso, é de mais baixa qualidade do que as evidencias na melhora da composição corporal sem grandes efeitos adversos. (1)

No entanto, apesar dos EAA não serem uma droga com alta capacidade de dano, isso não significa que efeitos adversos sérios não possam ocorrer. (1)

Em um estudo recente, foi visto que como as características dos EAA variam entre si, seria racional esperar que os potenciais efeitos adversos do abuso também fossem igualmente diferentes a depende do padrão de uso e do usuário. (1,8)

Dependência:

Um estudo de revisão sobre os efeitos do EAA, concluiu que a capacidade do EAA gerar dependencia é baixa e os efeitos decorrentes da parada do seu uso são suaves. (1,3)

No brasil, o projeto diretrizes (elaboração da associação medica brasileira e conselho federal de medicina), em sua publicação sobre “abuso e dependência de anabolizantes”, apresentou, após avaliação critica da literatura cientifica, que a maioria das conclusões baseadas em evidencias encontradas eram de categoria D (opinião desprovida de avaliação critica, baseada em consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais). (1)

Hepatotoxicidade:

Em relação a sua dita hepatotoxicidade, um estudo avaliou que indivíduos com treinamento intenso, com ou sem o uso de esteroides, apresentaram alterações no TGP, TGP e CK, porém sem alterações na GGT. Enquanto que pacientes com hepatite apresentaram alterações na TGO, TGP e GGT, e bilirrubinas porém sem alterações na CK. Então os autores concluíram que possivelmente a noção de hepatotoxicidade dos esteroides anabolizantes tem sido exagerada. (1,4)

Com base nessas informações, outro estudo foi feito, agora com medicos, onde foi visto uma crença e associação direta do uso de EAA e dano hepatico, no qual há um desconhecimento das alterações bioquimicas decorrentes do exercicio de força, e que muitos relatos de hepatotoxicidade forama té então superestimados, e que CK e GGT devem fazer parte da interpretação de exames laboratoriais, por serem mais sensiveis ao dano hepatico. (5)

Função cardíaca:

Três estudos avaliaram a função cardíaca de fisiculturistas, usuários ou não de EAA, e constataram que o uso per se dos EAA não foi capaz de gerar alterações clinicamente significativas na função cardíaca, sendo parte delas (hipertrofia cardíaca) do treinamento de força de alta intensidade. (1)

Um outro estudo também observou que o uso de EAA per se não foi associado com anormalidades significantes da estrutura e função arterial. (1,6)

Porém, alguns autores reconhecem que estudos randomizados controlados avaliando os efeitos cardiovasculares dos EAA não existem, e a informação do dano cardiovascular dos EAA é limitada a relatos de caso e serie de caso (8)

Outros:

Foi visto que os EAA que sofrem mais aromatização (estrogenicidade) são mais sujeitos a proporcionar efeitos adversos de retenção hídrica e ginecomastia, por exemplo, metandiona, metandrostenolona, nandrolona, testosterona e boldenona. (1)

Ja os EAA que sofrem ação da enzima 5-alfa-redutase, aumentando a conversão de testosterona para DHT, podem proporcionar efeitos de androgenicidade como queda de cabelo e acne, por exemplo, metandiona, metandrostenolona, nandrolona, testosterona, boldenona, DHT, mesterolona, metenolona, trembolona, oxandrolona, oximetolona. (1)

E por fim, os EAA que são do grupo 17-alfa-alquilados podem proporcionar maior hepatotoxicidade, por exemplo, metandiona, metandrostenolona, metiltestosterona, fluoximesterona, oxandrolona, oximetolona. (1)

Referências Bibliográficas:

1- Câmara LC. Esteroides Anabólico Androgênicos. 2a. São Paulo: Lura Editorial; 2020. 216 p.

2- Nutt D, King LA, Saulsbury W, Blakemore C. Development of a rational scale to assess the harm of drugs of potential misuse. Lancet [Internet]. 2007 Mar;369(9566):1047–53. Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0140673607604644

3- van Amsterdam J, Opperhuizen A, Hartgens F. Adverse health effects of anabolic–androgenic steroids. Regul Toxicol Pharmacol [Internet]. 2010 Jun;57(1):117–23. Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S027323001000019X

4- Dickerman RD, Pertusi RM, Zachariah NY, Dufour DR, McConathy WJ. Anabolic Steroid-Induced Hepatotoxicity. Clin J Sport Med [Internet]. 1999 Jan;9(1):34–9. Available from: http://journals.lww.com/00042752-199901000-00007

5- Pertusi R, Dickerman RD, McConathy WJ. Evaluation of aminotransferase elevations in a bodybuilder using anabolic steroids: hepatitis or rhabdomyolysis? J Am Osteopath Assoc [Internet]. 2001 Jul;101(7):391–4. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11476029

6- Sader MA, Griffiths KA, McCredie RJ, Handelsman DJ, Celermajer DS. Androgenic anabolic steroids and arterial structure and function in male bodybuilders. J Am Coll Cardiol [Internet]. 2001;37(1):224–30. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/S0735-1097(00)01083-4

7- Hartgens F, Kuipers H, Wijnen J, Keizer H. Body Composition, Cardiovascular Risk Factors and Liver Function in Long Term Androgenic-Anabolic Steroids Using Bodybuilders Three Months After Drug Withdrawal. Int J Sports Med [Internet]. 1996 Aug 9;17(06):429–33. Available from: http://www.thieme-connect.de/DOI/DOI?10.1055/s-2007-972873

8- Goldman A, Basaria S. Adverse health effects of androgen use. Mol Cell Endocrinol [Internet]. 2018 Mar;464:46–55. Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0303720717303362

9- Bhasin S, Woodhouse L, Casaburi R, Singh AB, Bhasin D, Berman N, et al. Testosterone dose-response relationships in healthy young men. Am J Physiol Metab [Internet]. 2001 Dec 1;281(6):E1172–81. Available from: https://www.physiology.org/doi/10.1152/ajpendo.2001.281.6.E1172