Fisiologia Endócrina:

Última Atualização: 28/08/2021

Composição do sistema endócrino:

  • Glândulas endócrinas: carecem de ductos e secretam seus produtos químicos (hormônios) no espaço intersticial, a partir do qual passam para a circulação. (1)
  • Hormônios: São produtos químicos liberados em quantidades mínimas que exercem uma ação biológica  sobre uma célula-alvo. (1)
  • Órgão-Alvo: Contem células que expressam receptores hormonais específicos e que respondem à ligação de determinado hormônio com uma ação biológica demonstrável. (1)

Mecanismo de ação dos hormônios:

Os hormônios podem ser classificados em:

Hormônios peptídicos:

Constituem a maioria dos hormônios. (1) Dentre eles, alguns contêm carboidratos em sua composição, sendo então denominados glicoproteínas. (1)

Se ligam a receptores situados na superfície celular. (1)

Ex: insulina; glucagon; ACTH; LH; FSH…

Hormônios esteroides:

Os hormônios esteroides derivam do colesterol e são sintetizados no córtex da suprarrenal, nas gônadas e na placenta. (1) Eles são lipossolúveis, circulam no plasma ligados a proteínas e atravessam a membrana plasmática para se ligarem a receptores intracelulares citosólicos ou nucleares. (1)

Ex: Vit. D e seus metabolitos.

Hormônios derivados de aminoácidos:

Ele pode ser classificado de quatro maneiras a depender de onde acontece seu efeito biológico:

  • Efeito Endócrino: Exerce um efeito biológico sobre células-alvo distantes. (1)
  • Efeito Parácrino: Exerce seu efeito biológico sobre uma célula vizinha. (1)
  • Efeito Autócrino: Produz um efeito biológico sobre a mesma célula que o libera. (1)
  • Efeito Intrácrino: Ele atua intracelularmente na mesma célula que o produz. (1)

Se ligam a receptores situados na superfície celular. (1) Exceto o hormônio tireoidiano que apesar de derivado de um aminoácido, é transportado na célula para sua ligação a  um receptor nuclear. (1)

Transporte dos hormônios:

Os hormônios podem circular em sua forma livre ou ligados em proteínas carreadoras (proteínas de ligação). (1) Essas proteína atuam como reservatório para o hormônio prolongando sua meia-vida. (1)

O hormônio livre ou não ligado constitui a forma ativa responsável pela ligação ao seu receptor hormonal especifico. (1)

Em geral, a maioria das aminas, dos peptídeos e dos hormônios proteicos (hidrofílicos) circulam em sua forma livre.  Enquanto que os hormônios esteroides  e tireoidianos (lipofílicos) circulam ligados a proteínas de transporte especificas. (1)

A interação entre determinado hormônio e sua proteína carreadora encontra-se em equilíbrio dinâmico, possibilitando adaptações que impedem as manifestações clinicas de deficiência ou de excesso hormonal. (1)

Uma vez liberados na circulação, os hormônios podem se ligar a seus receptores específicos em um órgão-alvo, sofrer transformação metabólica pelo fígado ou ser excretado na urina. (1)

Efeitos celulares dos hormônios:

A afinidade é determinada pelas taxas de dissociação e associação do complexo hormônio-receptor em condições de equilíbrio. Basicamente, ela é um reflexo do grau de intensidade da interação entre o hormônio e o receptor. (1)

A especificidade refere-se à capacidade de um receptor hormonal de discriminar entre vários hormônios com estruturas correlatas. (1)

A ligação dos hormônios a seus receptores é passível de saturação, existindo um numero finito de receptores ao qual um hormônio pode se ligar. Na maioria das células-alvo, a resposta biológica máxima a determinado hormônio pode ser alcançada sem haver uma ocupação de 100% dos receptores hormonais.  (1)

A função endócrina anormal resulta de excesso ou deficiência na ação dos hormônios, podendo decorrer da produção anormal de determinado hormônio (em excesso ou em quantidades insuficientes) ou de redução no numero ou ma função dos receptores. (1)

Os agonistas dos receptores hormonais são moléculas que se ligam ao receptor hormonal e produzem um efeito biológico semelhante ao induzido pelo hormônio.  (1) Os antagonistas desses receptores são moléculas que se ligam ao receptor hormonal e inibem os efeitos biológicos de um hormônio especifico. (1)

Receptores hormonais e transdução de sinais:

Os receptores hormonais são classificados em:

Receptores de membrana celular:

Os peptídeos e as catecolaminas são incapazes de atravessar a bicamada lipídica da membrana celular, e, em geral, ligam-se a receptores de membrana celular. (1)

Eles localizam-se dentro da dupla camada fosfolipidica da membrana celular das células-alvo. (1)

Os receptores de membrana celular podem ser divididos em:

  • Canais iônicos regulados por ligantes: Esses receptores são acoplados aos canais iônicos. A ligação de um hormônio a esse receptor produz uma mudança de conformação, que determina a abertura dos canais iônicos na membrana celular, produzindo fluxo de íons no interior da célula-alvo. (1)
  • Receptores que regulam a atividade das proteínas intracelulares: Esses receptores consistem em proteínas transmembrana que transmitem sinais a alvos intracelulares quando ativadas. (1)  Os principais tipos de receptores hormonais da membrana são:
    • Receptores acoplados a proteína G (1)
    • Receptores de tirosina-quinase (1)
    • Receptor de quinase ligado ao receptor (1)

Receptores Intracelulares:

Pertencem a família dos receptores de esteroides. (1) Consistem em fatores de transcrição que possuem locais de ligação para o hormônio (ligante) e o DNA e que funcionam como fatores de transcrição regulados por ligantes. (1)

A formação do complexo hormônio-receptor e a ligação ao DNA resultam em ativação ou repressão da transcrição gênica. (1)

Os hormônios esteroides, que são lipossolúveis, atravessam a membrana plasmática e ligam-se a receptores intracelulares. (1)

Regulação dos receptores hormonais:

Os hormônios podem influenciar a responsividade da célula-alvo pela modulação da função dos receptores. (1)

Os receptores são capazes de sofrer um processo reversível de adaptação ou dessensibilização, por meio do qual a exposição prolongada a determinado hormônio diminui a resposta a mudanças na concentração hormonal (mais do que à concentração absoluta do hormônio) ao longo de uma faixa muito ampla de concentrações hormonais. (1)

A ligação de hormônios a receptores de superfície celular pode induzir a endocitose e o sequestro temporário em endossomas. Essa endocitose de receptores induzida pelo hormônio pode  levar à destruição dos receptores nos lisossomos, um processo conhecido como downregulation do receptor. (1)

Um hormônio pode exercer uma downregulation ou diminuir a expressão dos receptores de outro hormônio e reduzir a eficiência desse ultimo hormônio. (1)

Os receptores hormonais também podem sofrer upregulation, que  envolve um aumento no numero de receptores hormonais específicos, que ocorre quando os níveis prevalentes do hormônio se encontram baixos  durante certo período de tempo. (1)

Um hormônio também pode upregulate os receptores de outro hormônio, aumentando sua eficiência no tecido-alvo. (1)

Controle da liberação dos hormônios:

Em vários casos, a liberação de determinado hormônio pode ser influenciada por mais de um desses mecanismos. (1)

Podem ser identificados três mecanismos reguladores gerais da liberação hormonal:

Controle neural:

Mediado pelo controle direto da liberação hormonal endócrina pelos neurotransmissores. (1)

A função endócrina é estreitamente regulada pelo sistema nervoso. A liberação de hormônios pelas células endócrinas pode ser modulada por neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático (SNS) ou do sistema nervoso parassimpático (SNPS). (1)

O controle neural desempenha um importante papel na regulação da liberação endócrina periférica dos hormônios. (1)

Controle Hormonal:

A liberação de hormônios por um órgão endócrino com frequência é controlada por outro hormônio. (1) Quando o resultado consiste na estimulação hormonal, o hormônio que exerce esse efeito é denominado trófico. (1) Mas os hormônios também podem suprimir a liberação de outro hormônio.

A inibição  hormonal da liberação de hormônios desempenha um importante papel no processo de regulação da liberação hormonal por retroalimentação negativa. (1)

Todos são liberados pela adeno-hipofise. (1)

Controle por nutrientes ou íons:

Os níveis plasmáticos de nutrientes ou de íons também podem regular a liberação hormonal. (1)

Em todos os casos, o hormônio especifico regula a concentração do nutriente ou do íon no plasma, direta ou indiretamente. (1)

A responsividade das células-alvo à ação hormonal, com a regulação da liberação de hormônio, constitui um mecanismo de controle por retroalimentação.  A retroalimentação negativa constitui o mecanismo de controle mais comum que regula a liberação hormonal. (1)

Referências Bibliográficas:

1- Molina PE. Fisiologia Endócrina. 4a. ArtMed; 2014. 309 p.