Funcionamento Intestinal

Última atualização: 08/04/2021

Diagnóstico:

Constipação:

Presença de 2 ou mais é considerada constipação (1,2)

  • Escala de Bristol tipo 1 e 2
  • Frequência < 3 por semana.
  • < 35g /dia
  • > 25% da vezes com esforço
  • Tempo de evacuação (não deve ser longo)
  • Sensação de não termino

Geralmente não há anormalidades fisiológicas demonstráveis. (2)

Alguns pacientes podem apresentar uma dor lombar persistente.

Diarreia:

Alterações bioquímicas:

Objetivo do tratamento:

Resolver o que está gerando a alteração no hábito intestinal do indivíduo.

Geralmente a intervenção inclui, a retirada de agentes causadores, educação sobre a constipação, aumento de fibras e água, e ritualização dos hábitos intestinais. (3)

Tratamento médico:

Farmacológico:

Diversas drogas tem sido descobertas, se mostrando seguras e efetivas. Dentre elas, pode-se destacar a “linaclotide” e a “lubiprostone”, atualmente aprovadas no manejo da constipação crônica. (3)

Cirúrgico:

O tratamento cirúrgico deve se limitado para os pacientes sem problemas na saída retal, e que não responderam a tratamentos médicos agressivos e de biofeedbacks, apresentando ainda uma neuropatia colônica demonstrável. (3)

Além disso, a dismotilidade deve ser confinada ao cólon, já que a colectomia  em pacientes com dismotilidade generalizada geralmente não é satisfatória. (3)

Terapia nutricional:

Resumo:

  • Adequar consumo de fibras. (>25g/dia) (3)
  • Adequar consumo de líquidos.(3)
  • Aumentar a produção de AGCC (Favorece o trânsito intestinal)
  • Se nada resolver, pensar em exceções, como retirada de fibras, e possível disfunções intestinais.
  • Chás como boldo, hortelã (4)

Suplementação nutricional:

  •  Gomar  Guar – 5-10g/dia – Iniciar um consumo  baixo e aumentar semanalmente 3g. (5)

Orientações nutricionais (Orientações p/ seu paciente):

  • Banquinho na frente do vaso, favorecendo a posição de cócoras.
  • Kefir, iogurtes, e outros fermentados…
  • O kiwi pode ser benéfico.
  • Coquetel laxativo: 200ml água, 80g  mamão, 2 ameixas secas (pós molho de 24h), rodelas de banana verde, 1 Col. sopa de semente de chia, 1 folha de couve, 1 col. de chá de óleo de coco. Bater tudo e consumir.
  • Atividade física aeróbia
  • Ritualização dos hábitos intestinais. Reservar um horário especifico todos os dias.

Probióticos/ prebióticos:

  • Cepas: B. lactis; L. rhamunosus; L. casei shirota  –  Doses entre 108 e 109 ufc – Tomar período da noite. (Aumentam a frequência e a consistência.)

Kiwi:

A presença da aquitinidina melhora a digestão proteica e melhora a consistência das fezes.

Doses de 200mg já ajudam.???

Boldo:

Estudos em animais tratados com boldo apresentaram relaxamento e melhora do trânsito intestinal. (4) Tem sido sugerido que a boldina seja responsável por esse efeito, pois já demonstrou atividade relaxante da musculatura lisa. (4)

Fibras:

O consumo de fibras é considerada efetiva na regulação do funcionamento intestinal e do tempo de transito intestinal reduzindo a constipação. Isso acontece pelo aumento no tamanho do bolo fecal, pela mudança na consistência das fezes, além  do aumento na motilidade intestinal e pelos seus efeitos na microbiota intestinal. (3,5)

As fibras insolúveis possuem  efeitos de aumento da viscosidade  e de tamanho, sendo efetivas no tratamento da constipação, porém com efeitos limitados em outras morbidades. (5) Elas apresentam a capacidade de absorver água formando géis, tornando as fezes mais “macias” e aumento o volume. (5)

As fibras solúveis são as fibras mais fermentáveis, e exibem efeitos probióticos, aumentando a produção de AGCC, que é associado a saúde intestinal, e que indiretamente esta ligado com a melhora da constipação. (5)

Tem se sugerido que as fibras insolúveis são capazes de diminuir tempo de trânsito intestinal pela diminuição da pressão no colón através da fermentação e da produção dos AGCC. (5)

Mas deve-se tomar cuidado com a geração de gases e de desconforto intestinal, sendo importante também ressaltar o aumento na ingestão de líquidos. (3)

Goma guar:

A Goma Guar é uma fibra solúvel que apresentou diversos benefícios fisiológicos na redução do colesterol, na diminuição da resposta glicêmica pós-prandial, além de melhoras na constipação, na SII entre outros. (5)

Grande parte dos estudos mostrou que entre 5-7g/dia da fibra Guar já é suficiente para a melhora da constipação.

A ingestão de altas quantidades da fibra (36g/dia) não mostrou nenhum efeito colateral, além de um aumento nas flatulências no período inicial.  Essa ingestão aumentou a produção de AGCC, especialmente o ácido acético, e foi capaz de diminuir o colesterol sérico. (5)

Estudos com a suplementação de 21g/dia também foi considerada segura, melhorando a consistência fecal. (5)

12,5g de fibra guar equivale a 10g de fibra dietética. (5)

Um estudo mostrou que uma dieta com 30g/dia de fibra não obteve melhora com o consumo “aditivo” da fibra guar na constipação. (5)

A fibra Guar tem sido considerada com uma potencial substituta para as fibras insolúveis, laxantes e outros tratamentos na constipação, pois ela não apresentou efeitos colaterais na dosagem de 5g/dia.

14 Estudos com 631 pessoas mostraram melhora no quadro de constipação com a goma guar, sendo destes, 8 estudos com doses menores que 10g/dia. (5)

Outros tratamentos:

Fisiopatologia:

Constipação:

O termo constipação é utilizado para descrever a presença de sintomas:

  • Fezes endurecidas; (3)
  • Esforço excessivo; (3)
  • Evacuações infrequentes; (3)
  • Inchaço abdominal; (3)
  • Sensação de evacuação incompleta; (3)

Fatores de risco:

  • Baixo consumo de fibras (2,3)
  • Ansiolíticos e antidepressivos.
  • Uso crônico de laxantes
  • Suplementação de ferro
  • Hipotireoidismo (2)
  • Cirurgias abdominais (cicatriz cirúrgica)
  • Psicológico

Ocorre em cerca de 27% das pessoas. (2)

O tempo ideal de trânsito intestinal é entre 12-24 horas. Um intervalo menor que 12h pode representar uma baixa absorção de nutrientes, enquanto o intervalo maior que 24h representa problemas.

A evacuação adequada gera uma diminuição no número de bactérias, diminuindo o risco para a SIBO.

Constipação secundaria:

A secundaria é resultado de uma serie de outros fatores como, doenças colônicas; dieta; remédios, especialmente os opioides; desordens metabólicas; problemas neurológicos, como a doença de  Parkinson. (3) Sendo importante ressaltar que este tipo de constipação só será resolvida com o tratamento do fator que a causou. (3)

Constipação primaria:

A constipação primaria é causada por problemas de motilidade intestinal, interferindo a motilidade das fezes no intestino, podem também ser consequência de uma disfunção anorretal. (3) Podendo apresentar diversos subtipos:

Trânsito intestinal lento:

Caracterizado por um trânsito intestinal lento devido a uma miopatia adjacente (uma disfunção do musculo liso do colón) ou uma neuropatia. Ela pode ser gerada devido a uma disfunção da atividade muscular, pela disfunção do reflexo colônico, disfunção de neurotransmissores, além de sofrer interferência da atividade de células marcapasso do colón. (3)

Defecação dissinergica ou obstrutiva:

É caracterizada por um prejuízo na coordenação dos músculos abdominais e colorretais levando a uma inabilidade de evacuar as fezes através do reto. (3)

Pessoas com esse tipo de constipação demonstraram uma inabilidade de coordenar os músculos abdominais, retoanais, e pélvicos durante a defecação. Seja por uma força propulsiva inadequada, ou devido a algum prejuízo no relaxamento anal. (3)

Constipação crônica:

A constipação crônica é associada a outras desordens funcionais do trato gastrointestinal como, dor no peito, refluxo gastresofágico e dispepsia funcional. (3) Sendo também associada a uma prevalência aumentada de problemas psicológicos, incluindo ansiedade, depressão, transtorno obsessivo compulsivo, e somatização (sintomas físicos gerados pelo estresse psicológico). (3)

A constipação crônica pode levar a complicações como perfurações intestinais, e outras doenças intestinais, visto que as fezes são uma importante maneira de eliminar toxinas. (5)

Laxantes:

O uso crônico de laxantes destrói as células epiteliais, reduz as criptas, alterando a absorção, secreção e motilidade gástrica, mesmo se utilizado os naturais.

Diarreia:

Diagnostico

  • Fezes aquosas ou muito pastosas, sem dor, em 75% das vezes. (6)
  • Escala de Bristol tipo 6 e 7 (6)
  • OBS: o que define diarreia é a consistência e não a frequência! (6)

Conduta:

Restringir alimentos gatilhos. Por exemplo, alimentos contendo sorbitol ou cafeína podem ser provocativos do quadro de diarreia. (6)

O álcool pode gerar quadros isolado de diarreia impedindo a reabsorção de água e sódio no intestino. (6)

Referências bibliográficas:

1- Nowaczewska M, Wiciński M, Kaźmierczak W. The Ambiguous Role of Caffeine in Migraine Headache : From Trigger to Treatment. 2020;

2- Longstreth GF, Thompson WG, Chey WD, Houghton LA, Mearin F, Spiller RC. Functional Bowel Disorders. Gastroenterology. 2006;130(5):1480–91.

3- Rao SSC, Rattanakovit K, Patcharatrakul T. Diagnosis and management of chronic constipation in adults. Nat Rev Gastroenterol Hepatol [Internet]. 2016;13(5):295–305. Available from: http://dx.doi.org/10.1038/nrgastro.2016.53

4- Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.

5- Rao TP, Quartarone G. Role of guar fiber in improving digestive health and function. Nutrition [Internet]. 2019;59:158–69. Available from: https://doi.org/10.1016/j.nut.2018.07.109

6- Longstreth GF, Thompson WG, Chey WD, Houghton LA, Mearin F, Spiller RC. Functional Bowel Disorders. Gastroenterology. 2006;130(5):1480–91.