Gasto Energético:

Energia:

Definida como a capacidade de um corpo em realizar trabalho. (1)

Nos seres humanos,  a energia é necessária para o desenvolvimento e manutenção de todas as funções fisiológicas e sua ausência afeta diretamente a saúde de um individuo. (1)

Componentes do gasto energético:

O gasto energético total (GET) de um indivíduo é composto por: gasto energético basal (GEB), efeito térmico dos alimentos (ETA) e fator de atv. Física (FA). (1)

A taxa metabólica basal (TMB) é definida como a energia mínima necessária para manter as funções vitais essenciais de um individuo em repouso. (1) Portanto, o consumo de energia inferior à taxa metabólica basal implica no mau funcionamento do organismo como um todo. (1) Comumente ela é extrapolada para 24h (seu teste acontece em 12-14h) e é então referida como Gasto Energético Basal (GEB). (1)

O GEB é o maior contribuinte para o gasto de energia diário, representando 60 – 70% do gasto energético total (GET).  Enquanto o Gasto Energético de repouso (GER)  tende a ser um pouco maior (10 – 20%) do que em condições basais. (1)

O Efeito Térmico dos Alimentos – ETA  é a energia necessária para digerir, absorver e metabolizar os nutrientes ingeridos pela alimentação. (1) A ingestão de proteína promove o maior aumento do gasto energético induzido pelo alimento. (1)

O fator atividade é a energia gasta durante as atividades diárias, sendo este o componente mais variável do GET, o que explica a diferença de gastos energéticos entre as pessoas. (1)

Fatores que interferem no gasto energético de repouso:

  • Composição Corporal: Estima-se que 20% do GEB aconteça devido aos músculos, de modo que pessoas com uma maior massa magra geralmente possuem um GEB maior. (1,2)
  • Sexo: As diferenças nas composições corporais fazem com que o GEB das mulheres sejam geralmente menores do que o dos homens. Isso devido tanto a menor quantidade de massa magra como também maior quantidade de gordura. Para um mesmo peso e altura o GEB das mulheres tende a ser (5-10%)  menor do que o dos homens. (1,2)
  • Tamanho corporal: Em geral pessoas maiores apresentam taxas maiores do que pessoas menores. Mas em grande parte devido a maior MLG. (2)
  • Idade: O GEB varia de acordo com a idade. Na fase adulta estima-se que ele reduza algo entre 1 e 2% a cada década principalmente devido a perda de massa muscular. (1,2)
  • Ciclo Menstrual: Mulheres na pré-menopausa possuem um gasto energético maior durante a fase lútea (período entre a ovulação e o inicio da menstruação) em comparação com a fase folicular. (1,2)
  • Cafeína: a ingestão de 200 a 350 mg  p/ homens e 240 mg p/ mulheres foi capaz de aumentar o GER entre 7 e 15% (2)
  • Clima: Variações nas temperaturas podem varias o GER. (2)

Calorimetria indireta:

A calorimetria indireta é um método preciso e eficiente para mensurar a TMB e o gasto de energia durante uma atv. Física  especifica, avaliando o volume de O2 e CO2 consumidos e liberados, jogando esses valores na equação de Weir. (1)

Para encontrar o GEB 24h basta utilizar o valor encontrado na equação e multiplicar por 1440, que é a quantidade de minutos em 24h.

O exame deve ser realizado com o individuo em jejum (10 – 12h), de preferência no período da manha, após 6-8 h de sono, sem realizar exercícios físicos intensos no dia anterior.  O ambiente deve estar em uma temperatura neutra, com pouca iluminação e sem ruídos. (1)

O período recomendado do exame é de 30 min, sendo considerado apenas a media dos 20 min. finais. (1)

Avaliando o gasto energético na clinica:

Antes de qualquer coisa é essencial ter a consciência de que as equações podem apresentar erros ao mensurar o GEB em algumas pessoas, pois estas equações não foram criadas para indivíduos que serão avaliados na pratica clinica. (1)

EquaçãoPublico
Harrise Benedict -GEB 
Mifflin et al. – GEB 
Owen et al. – GEB 
FAO/ONU/WHO – GEB 
DRIs – GEB 

É importante também considerar o Fator Atividade – FA de acordo com a rotina de cada paciente e com qual frequência ele faz determinada tarefa: (1)

Tabela 1 – Valores FA – DRI’s

Valor do FADescrição
1 – 1,39Sedentário – Atv. diárias típicas. (tarefa domestica, caminhar ate escola…)
1,4 – 1,59Pouco ativo – Atv. típicas + 30 – 60 min. de atv. diária moderada.
1,6-1,89Ativo – Atv. típicas + 60 min. de atv. moderada
1,9 – 2,5Muito Ativo – Atv. típicas + 60 min. de atv. moderada + 60 min. de atividade vigorosa ou 120 min. de  atv. moderada.

Outro fator a se considerar é o gasto energético do exercício especifico, chamado de MET’s (Equivalente Metabólico). A unidade MET é baseada na quantidade de oxigênio consumido por uma pessoa adulta durante o repouso, de modo que a intensidade um exercício pode ser avaliada por quanto a unidade de repouso é alterada, 1, 2, 3x ou 3 METs. (1)

Para um melhor calculo sugere-se que o tempo em atividade seja cronometrado, de modo a não contabilizar os intervalos entre as series, mesmo que haja uma elevação do metabolismo nesse período, evitando assim uma superestimação. (1)

METs X Peso X Tempo

1 MET = 1 Kcal em 1h => > >  em 1 h , 10 METS X 90kg (peso) = 900kcal

Gasto energético total:

Não praticantes do exercício: GET = (GEB x ETA x FA)

Praticantes do exercício: GET = (GEB x ETA x FA)+ METs

Referências bibliográficas:

1- Lancha Jr. AH, Longo S. Nutrição do Exercicio Físico ao Esporte. 1a. São Paulo: Manole; 2019. 262 p.

2- Mahan LK, Escott-Stump S, Raymond JL. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13a. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. 1227 p.