Gastrite – úlcera gástrica –

Tratamento médico:

O tratamento inclui erradicação de organismos patogênicos e retirada de qualquer agente causador. (1)

Farmacologia:

  • Anti-histamínico
  • Inibidores da bomba de prótons
  • Antibióticos

OBS: O uso prolongado de supressores de secreção acida (Inibidores da bomba de prótons) gera uma redução na absorção de, vitamina b12, cálcio, ferro não heme (dependem da proteólise intra gástrica para torna-los biodisponiveis). Essa supressão pode aumentar a incidência de algumas fraturas ósseas, bem como aumentar o risco de infecção intestinal, vez que a acidez gástrica é uma barreira a invasão microbiana. (1)

Terapia nutricional:

Não há um tratamento específico para melhora da ulceração gástrica, geralmente os pacientes são recomendados a evitar alimentos causadores do sintoma. (2)

Resumo:

  • Refeições com baixo volume;

Nutrientes importantes:

  • B12
  • Ferro
  • Cálcio
  • Ômega-3

Chás:

  • Chá de Baccharis genistelloides (Carqueja), 2,5 col. de chá da planta florida (2,5g) por xicara, 2-3x ao dia.
  • Chá de Rosmarinus officinalis (Alecrim), 1-2 col. de sopa das folhas (3-6g) por xicara, 1-2x ao dia.
  • Chá de Peumus boldus (Boldo), 1-2 col. de chá da folha (1-2g) por xicara, 2x ao dia.
  • Chá de Maytenus ilicifolia (Espinheira santa), 1-2 col. de chá de folhas (1-2g) por xicara, 3 a 4x ao dia.
  • Chá de Pimpinella anisum (anis), 3 col. de café do fruto (1,5g) por xicara, 3x ao dia.

Orientações nutricionais:

  • Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Reduzir o consumo de bebidas com cafeína;
  • Evitar longos períodos de jejum
  • Mastigar e comer devagar, facilitando a digestão;

Ácidos Graxos ω-3 E ω-6:

(+ Sobre o Ômega-3)

Ácidos graxos ω3 e ω6 podem ter efeito protetor  (1)

Cafeína:

(+Sobre a Cafeína)

Redução de bebidas cafeinadas. (1)

Especiarias:

Redução do consumo de especiarias especialmente pimenta (1)

Álcool:

(+Sobre o álcool)

Redução de bebidas alcoólicas (1)

Carqueja ( Baccharis Trimera)

(+Sobre a Carqueja)

  • Chá de Baccharis genistelloides (Carqueja), 2,5 col. de chá da planta florida (2,5g) por xicara, 2-3x ao dia.

Espinheira Santa ( Maytenus Ilicifolia)

(+Sobre a espinheira Santa)

O extrato da Maytenus ilicifolia  reduziu a secreção acida por inibição na atividade da bomba de prótons, um processo considerado gastroprotetor em casos de hipersecreção acida. (1) A atividade para esse efeito foi demonstrada por meio de testes com uma fração rica em flavonoides isolados das folhas, que mostraram atividade gastroprotetora por inibir a enzima H+,K+-ATPase de membrana das células da mucosa gástrica, reduzindo a produção de acido e também modulando a formação de oxido nítrico. (3)

Foi demonstrado também que tanto os taninos quanto os terpenóides, especialmente o friedenelol, são responsáveis por parte dos efeitos protetores da mucosa gástrica. (3)

Um estudo realizado pela USP com o chá da planta, viu um aumento da proteção da mucosa, sem uma elevação adicional ao pH, o que indica um mecanismo provavelmente relacionado ao incremento da barreira mucosa. (3)

Esse efeito protetor também acontece pela presença de arabinogalactanos, um tipo de polissacarídeo liberado inclusive em infusões de folhas de espinheira, e que, em modelos animais foi capaz de reduzir lesões ulcerosas. (6)

Desse modo, a infusão de espinheira santa é indicada inclusive para o “desmame” de remédios inibidores da bomba de prótons. (6)

Algumas pesquisas mostraram que a M. ilicifolia apresentou atividade semelhante à da cimetidina, um medicamento bloqueador dos receptores histamínicos H2 que inibe o aumento da produção de ácido clorídrico pelas células oxínticas do fundo gástrico induzido pela histamina e usado para tratar gastrites. (3)

Foi estudado também a ação do extrato hidroalcoólico de M. robusta na úlcera gástrica induzida em ratos, sendo encontrado efeitos positivos na redução da área ulcerada com aumento do muco, redução do estresse oxidativo e dos parâmetros inflamatórios, mostrando potencial para o uso como fitoterápico. (3)

Anis – Pimpinella anisum

(+Sobre o anis)

Foi encontrado em ratos um efeito significativo do uso da erva doce como forma de proteger a mucosa estomacal contra ulcera gástrica. (4) Esse resultado sugere que o efeito anti-ulcerogênico do chá de anis pode estar relacionado a atividades citoprotetoras. (4)

O mecanismo proposto inclui a inibição da secreção gástrica, estimulação da secreção de muco, aumento da síntese endógena  de  prostaglandinas da mucosa, além de possíveis efeitos antioxidantes. (4)

Uma das grandes limitações do uso de anti-inflamatórios não esteroides é devido a possível causa de danos na mucosa gastrintestinal através de diversos mecanismos, que talvez poderiam ser prevenidos com o uso do anis. (4)

  • Chá de Pimpinella anisum (anis), 3 col. de café do fruto (1,5g) por xicara, 3x ao dia. (5)

Alevante (Mentha x piperita)

Boldo (Peumus boldus)

(+Sobre o Boldo)

Alecrim (Rosmarinus Officinalis)

(+Sobre o Alecrim)

Dong quai (Angelica sinensis)

(+Sobre o dong quai)

Os polissacarídeos presentes no extrato promoveram migração e proliferação de células epiteliais gástricas normais. Este resultado sugere que a Angelica sinensis estimule a cura de leões da mucosa gástrica e talvez promova a cicatrização da úlcera gástrica. (3)

Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)

(+Sobre o alcaçuz)

Outros tratamentos:

Fisiopatologia:

Ocorre quando anormalidades químicas, infecciosas ou neurais perturbam a integridade da mucosa do estomago gerando uma inflamação local. (1)

Se é estimado que mais da metade da população mundial tem algum grau da doença. (7) Sendo que a H. pylori é a responsável pela maior parte dos casos, sendo a gastrite autoimune uma possível exceção. (7)

Fatores de risco:

A gastrite geralmente pode ser erosiva ou neutrofílica. (2)

Alterações bioquimicas:

  • Vit. B12
  • Calcio
  • Ferro

Gastrite neutrofílica – H. Pylori:

A gastrite neutrofílica, ocorre por infecção do H. pylori é responsável pela maioria dos casos de inflamação crônica da mucosa gástrica, podendo evoluir para câncer de estomago e gastrite atrófica ( inflamação crônica com deterioração da membrana da mucosa e glândulas), que resultam em acloridria e perda de fator intrínseco. (1,2,7)

E é evidente que a erradicação da H. pylori pode resolver o problema da gastrite, normalizando a mucosa gástrica e suas secreções, pelo menos naqueles casos em que o quadro ainda não evoluiu para uma gastrite atrófica. (7)

A inflamação crônica associada com a inflamação neutrofílica é dependente principalmente da citotoxicidade da cepa de H. pylori. O quanto mais toxica a cepa, mais ativa e mais agressiva é a gastrite. (7)

Se estima que 50% dos pacientes com gastrite cronica e H. pylori evoluam para a gastrite atrofica em algum momento ao longo da vida. (7)

Ela pode ser assintomática.

A H. Pylori produz uréase, que é capaz de transformar ureia em amônia, gerando um tamponamento de pH (deixando o pH mais neutro) de modo que ela consiga a sobreviver.  O pH de 2-2,5 pode chegar ate 5.

Gastrite erosiva:

Já a gastrite erosiva é são as outras formas de comprometimento da mucosa gástrica, que  podem ser devido ao uso crônico de aspirina, bebidas alcoólicas, substancias erosivas, tabaco, e refluxo da bile. (1,2)

-Gastrite por anti-inflamatórios: O muco que protege o estomago é estimulado pela inflamação. O uso indiscriminado de anti-inflamatórios pode gerar uma redução no muco estomacal, gerando o acesso de bactérias e do HCL ao epitélio estomacal.

O uso de derivados do tabaco diminuem a secreção de bicarbonato, diminui o fluxo sanguíneo da mucosa, exacerba a inflamação e esta associada a complicações adicionais a infecções por H pylori. (1)

Gastrite nervosa:

Ocorre  devido a um estresse agudo extremamente elevado, como em um acidente automobilístico, com múltiplas fraturas; ou uma pneumonia com ventilação mecânica; um infarto…

Gastrite “nervosa” do dia a dia é consequência de outros problemas, e não do estresse.

Gastrite autoimune:

A gastrite autoimune é uma condição ja reconhecida, recessiva e multigênica. (7)

Gastrite crônica:

A gastrite crônica pode se manifestar em duas formas, a não atrófica e a atrófica, que são formas e fenótipos da doença que representam diferentes estágios da condição. (7)

A gastrite crônica pode gerar a perda de células parietais do estomago, com perda da secreção de HCL (acloridria) e fator intrínseco, resultando em anemia perniciosa. (1)

Esse tipo de gastrite pode ser também causado por fatores autoimune. (2) A pessoa pode ter uma resposta autoimune contra as próprias células parietais. O que gera uma hipocloridria, uma baixa de fator intrínseco, gerando deficiência de ferro, de B12…

Consequências da doença:

A progressão da doença para a gastrite atrófica acontece em anos, e quando isso acontece, ocorre a perda das glândulas da mucosa no antro, ou no fundo, ou em ambos. (7) Sendo que a prevalência dessa “forma” de gastrite tende a aumentar com a idade. (7)

A perda das glândulas da mucosa é substituída com o crescimento de elementos glandulares e epiteliais imaturos, processo chamado de metaplasia intestinal, desenvolvendo células parecidas com as do colón e intestino delgado, no qual as células G desaparecem. (7)

Essas alterações morfológicas geram alterações na função estomacal, gerando falhas na secreção de HCl e fator intrínseco pelas células oxínticas, além de falhas na síntese e na secreção de gastrina. (7) Podendo essas alterações serem permanentes ou não. (7)

É pela diminuição da acidez gástrica, em alguns casos, a H. pylori tende a desaparecer espontaneamente, o que pode gerar algum tipo de remissão. (7) E devido a esse desaparecimento, em muitos casos, a gastrite pode ser considerada autoimune erroneamente. (7)

Outro problema é que a falta de HCl gera a colonização do estomago pelas bactérias da boca, que são capazes de produzir carcinógenos como acetaldeído e nitrosaminas.(7)

Algumas alterações são reversíveis, porém, ao longo do tempo, é extremamente comum múltiplas lesões pré-cancerosas no estomago. (7)

Absorção de vitaminas:

A falta de acido clorídrico e fato intrínseco afetam a absorção de vitaminas como a B12, que no longo prazo prejudica o metabolismo da metionina, homocisteína e do folato. (7) Além dela, micronutrientes como ferro, cálcio, magnésio, e zinco também podem ter sua absorção diminuída. (7)

Úlcera Gástrica:

Já se sabe que sem a presença da gastrite, ulceras peptídicas ou o câncer no estomago são extremamente raros. (7)

A erradicação da H. pylori previne não só a recorrência de ulceras gástricas como também o câncer. (7)

Câncer:

O mecanismo para o câncer é mais associado a inflamação do que às consequências da falta de HCl ou da gastrite atrófica. (7)

porém, no tipo “câncer intestinal”, o mecanismo proposto é devido a metaplasia intestinal que acontece no estomago, gerando células imaturas e defeituosas. (7)

Referências bibliográficas:

1- Mahan LK, Escott-Stump S, Raymond JL. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13a. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. 1227 p.

2- Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.

3- Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.

4- Al Mofleh IA, Alhalder AA, Mossa JS, Al-Soohalbani MO, Rafatullah S. Aqueous suspension of anise “Pimpinella anisum” protects rats against chemically induced gastric ulcers. World J Gastroenterol. 2007;13(7):1112–8.

5- Panizza sérgio tinoco, Veiga rogerio da sukva, Almeida mariana correa de. Uso tradicional de plantas medicinais e fitoterápicos. 1a. São Paulo: CONBRAFITO; 2012. 267 p.

6- Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de alimentação, nutrição & dietoterapia. 3a Ed. São Paulo: Editora Pitaya; 2016. 1308 p.

7- Sipponen P, Maaroos HI. Chronic gastritis. Scand J Gastroenterol. 2015;50(6):657–67.