Hemograma

Última Atualização: 25/08/2021

Hemoglobina:

As concentrações de hemoglobina diminuem apenas durante os estágios finais da deficiência. Mas sua concentração pode ser afetada por outras deficiências nutricionais, como as de ácido fólico, vitamina B12, cobre, e também por outras condições como a gestação, hemodiluição (aumento do volume plasmático),  tabagismo, infecções, inflamação e desidratação. (1) Na anemia, a hemoglobina apresenta valores em homens (<13 g/dL) e mulheres (<12 g/dL).

  • Leve: Hb> 6,0mmol/l em mulheres e >6,5mmol/l em homens. (2)
  • Leve/Moderada: Hb> 7,0 <12g/dL (3)
  • Moderada: Hb> 5,0 <6,0mmol/l em mulheres ou 6,5mmol/l em homens. (2)
  • Grave: Hb< 5,0mmol/l (2) ou Hb<7g/dl (3)

Hematócrito:

Também é influenciado pelos mesmos fatores da hemoglobina, mas em especial pela alteração no volume plasmático. (1)

O hematócrito idealmente deveria apresentar valores próximos a 3x a hemoglobina.

Valores maiores podem significar desidratação, e valores menores podem significar hiper-hidratação. Situação aguda.

VCM – Volume Corpuscular Médio:

VCM alto indicativo de deficiência de B12 ou Ácido Fólico.

VCM baixo é indicativo de deficiência de Ferro.

Nesse sentido é interessante suplementar ambos.

Ferritina:

É o mais sensível indicador dos estoques de ferro, sendo que a concentração de ferritina sérica esta em equilíbrio com os estoques corporais. (1) Em adultos, cada 1mg de ferritina / L de plasma é proporcional a 8 mG de estoque de ferro. (1)

A ferritina ainda serve como o melhor indicador do status do ferro, na ausência de inflamação.(4) Outros biomarcadores como a hepcidina estão sendo investigados. (4)

No estágio inicial do desenvolvimento da deficiência verifica-se redução da concentração sérica de ferritina. Contudo ela é uma proteína de fase aguda positiva, que pode apresentar-se aumentada na presença de infecções, processos inflamatórios, e em alguns tumores. Além do fato que sua concentração também ser aumentada com o consumo de etanol e com a hiperglicemia. (1)

Em obesos a ferritina pode estar aumentada devido a inflamação crônica. (pós)

Receptor de transferrina solúvel:

Sua concentração sérica aumenta em proporção a extensão da deficiência, ou seja, quando o fornecimento de ferro para a medula óssea é marginal, porém ainda não suficiente para causar declínio significativo da concentração sanguínea de hemoglobina. (1) Esse indicador parece ser sensível e específico da deficiência de ferro.

Saturação da transferrina sérica:

A saturação da transferrina sérica é normalmente de 30 a 35%. Valores de 15% são indicativos de inadequado fornecimento de ferro para a medula óssea. (1)

A capacidade de trabalho, e a função muscular pode ser afetada com a deficiência de ferro, independentemente do diagnóstico de anemia. (4)

Índices Hematimétricos:

Indivíduos com anemia por deficiência de ferroapresentam eritrócitos microcíticos no sangue, com valores reduzidos de VCM e HCM, mas essas alterações não são exclusivas da deficiência de ferro. (1)

Baixa Saturação da transferrina:

Durante a anemia, o organismo também apresenta uma baixa saturação da transferrina

Hepcidina:

A hepcidina aumentada bloqueia a reciclagem normal do ferro ligada à transferrina pelos macrófagos, com consequente aumento dos níveis intracelulares e diminuição dos níveis séricos de ferro. (5)

RDW:

Representa o quão diferente está o tamanho médio das hemácias.

Quanto menor melhor.

Leucócitos:

Além de mostrar possíveis infecções, ele é um indicativo do estado adrenérgico do paciente

Valores acima de 7500mcg/L

Eosinófilos:

Indicam quadros alérgicos e verminoses.

Neutrófilos:

Quando baixo tem uma relação direta com a retirada de carboidratos.

Referências Bibliográficas:

1- Lancha Jr. AH, Rogeri PS, Pereira-Lancha LO. Suplementação Nutricional no Esporte 2a Ed. 2a. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2019. 266 p.

2- Mam VW, Mel M, Muller P, Silverentand W, Pijnenborg L, Kolnaar B. Tradução da Diretriz NHG M76 (2003). Ned Huisartsen Genoot. 2014;c(março 2003):6–10.

3- Beatriz C. Anemia por deficiência de ferro – Portaria SAS/MS no 1247. 2014;27–46.

4- Communications S. Nutrition and Athletic Performance. Med Sci Sports Exerc. 2016;48(3):543–68.

5- Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR. Nutrição Moderna de Shills na Saúde e na Doença. 11a. São Paulo: Manole; 2016. 1642 p.