Maracujá – Passiflora incarnata L.

Planta:

Existem 3 variedades de maracujá, sendo a incarnata a mais comum. (1)

  • Passiflora alata Curtis (1)
  • Passiflora edulis Sims (1)
  • Passiflora incarnata L. (1)

Nome Farmacêutico:

Folium Passoflorae (1)

Parte Utilizada:

Folha (1)

Componentes Químicos:

O gênero passiflora tem como característica fitoquímica apresentar alcaloides, flavonoides glicosilados e compostos cianogênios. (1)

Aparentemente o fitoquimico mais importante pensando em efeitos neuroprotetores é a crisina. (6)

Passiflora edulis:

Contém o  ciclopropano triterpeno glicosídeo (passiflorine), flavonoides glicosídeos (derivados da apigenina ou luteolina), fenóis, aminoácidos, carotenoides, alcaloides (harman, harmina, harmalina, harmol e harmanol) antocianinas e triterpenoides. (1)

Passiflora incarnata:

As folhas da P. incarnata contém flavonoides (crisina, vitexina, isovitexina, soponarina, campferol, quercetina e apigenina), sendo estes os principais constituintes. (1) Havendo também alcaloides indólicos (harmano ou passiflorina, harmina, harmanol e harmalina) esteróis (estigmasterol e sitosterol), cumarinas (escopoletina e umbeliferona), maltol, lignanas (ácidos cafeico e ferúlico), heterosídeos cianogênicos, polissacarídeos, traços de óleo essencial (limoneno, cumeno, α-pineno, zizaeno), taninos (catecol, ácido gálico, leucoantocianidinas), aminoácidos, ácidos graxos. (1)

Obs: os flavonoides são encontrados em maior concentração nas folhas. (1)

Contraindicações / Toxicidade:

  • Doses elevadas podem gerar náuseas, vômitos, cefaleia, taquicardia, convulsões e parada respiratória. (1)
  • Evitar durante a gravidez / lactação (1)
  • Não é recomendado para menores de 12 anos. (1)
  • Pode potencializar medicamentos inibidores da MAO. (1)
  • Testes em humanos não apresentaram riscos à saúde. (6)

Posologia:

  • Pó: 500mg – 2g/dia (1)
  • Decocção: 3-5g de folhas secas ou 6-10g de folhas frescas. (ferver em recipiente aberto  para eliminar o excesso de acido cianídrico). (1)
    • Para a ansiedade, tomar de 2 a 3x ao dia. (1)
  • Extrato seco (1:2) 1,5% flavonoides totais: 250mg – 1g/dia (1)
  • Extrato seco (5:1) 300-400mg 3x ao dia (1)
  • Tintura: (1:5 etanol 45%): 0,5 a 2 mL, 3 a 4x / dia (1)
  • Extrato das partes aéreas: 30-120mg de flavonoides totais expressos em vitexina / dia. (1)

Principais Indicações:

  • Ansiedade
  • Insônia
  • Depressão ansiosa 
  • Cefaleia
  • Espasmos musculares
  • Taquicardia
  • Transtornos do climatério
  • Palpitação
  • Compulsão alimentar
  • Memoria

Ansiedade / Sono:

(+Sobre a ansiedade) (+Sobre o sono)

Um estudo demonstrou atividade do extrato de P. incarnata em transtornos de ansiedade e do sono. (1) Foi visto que a P. incarnata pode produzir um efeito terapêutico em indivíduos com insônia crônica. (6)

Apesar de o mecanismo ainda não estar completamente elucidado, já tem sido reconhecido o papel da passiflora na via gabaérgica, atuando em diversas condições psiquiátricas como a ansiedade. (6)

Tem sido visto que inúmeros efeitos farmacológicos da Passiflora são mediados via modulação do sistema GABA, incluindo uma afinidade para os receptores GABAa e GABAb, além de efeitos na absorção de GABA. (6)

Inclusive, pesquisas recentes demonstraram que tanto a fração flavonoídica como alcaloide harmano podem ser importantes para as atividades observadas, conferindo atividade aos receptores GABApara o flavonoide crisina e sobre a MAO para o alcaloide harmano. (1)

A Passiflora pode ser classificada como um antagonista do receptor GABAb. (6)

Foi visto que 1 xicara de chá de com P. incarnata por 7 dias foi capaz de melhorar o rendimento e a qualidade do sono. (1)

Devido aos alcalóides e flavonóides, age como depressor inespecífico do sistema nervoso central, resultando em uma ação sedativa, tranquilizante e antiespasmódica da musculatura lisa. (Pós Integrativa)

Um estudo demonstrou que não houve diferenças significativas entre o extrato de Passiflora vs. oxazepam, além de que a passiflora não gerou prejuízos na performance do trabalho. (6)

Outros estudos demonstraram que a passiflora também foi útil na redução da ansiedade pré-operatória. não sendo observado nenhum efeito colateral, além de não alterar nenhum parâmetro hemodinâmico. (6) Sendo considerada segura e efetiva, podendo ser utilizada inclusive antes de anestesia espinhal. (6)

Evidencias de 2 pequenos estudos mostraram um efeito similar entre a Passiflora e benzodiazepínicos no tratamento de curto prazo para desordens de ansiedade. (7)

Maracuja – Passiflora incarnata – folhas – (3-5g) 1col. de sopa por xicara, 2 a 3x ao dia. (1, 8)

Depressão:

(+Sobre a depressão)

Apesar de o mecanismo ainda não estar completamente elucidado, já tem sido reconhecido o papel da passiflora na via gabaérgica, atuando em diversas condições psiquiátricas como a depressão. (6)

Estresse:

(+Sobre estresse)

Um estudo em ratos demonstrou que o uso de longo prazo da Passiflora incarnata foi correlacionado com níveis diminuídos de estresse e consequentemente, um aumento na motivação para agir e na atividade motora. (6)

Pressão Arterial:

(+Sobre a hipertensão)

Também tem atividade cardiovascular devido ao fato de diminuir por instantes a pressão arterial e ativar a respiração, deprimindo a porção matriz da medula. (Pós Integrativa)

Compulsão Alimentar:

(+Sobre a compulsão alimentar)

Foi visto efeitos sobre os sistemas opioidérgicos e gabaérgicos, interferindo em mecanismos comportamentais. Efeitto associado a oleamida, que apresenta ação agonista ao receptor GABA e CB1 (2)

Modulam o sistema gabaérgico, incluindo a afinidade para os receptores GABA A e GABA B, além de efeitos na captação do GABA. (3)

Na pratica, a passiflora tem uma ação interessante na compulsão alimentar, principalmente relacionado a ansiedade.

Outro estudo mostrou que a oleamida atuando no nucleo accumbens, tendo ação agosnita nos receptores CB1 e 5-HT2C, modulando o comportamento alimentar. (4)

Um estudo avaliou que o extrato passiflora por 14 dias foi capaz de melhorar sintomas mentais como disforia, ansiedade, agitação, irritabilidade e o desejo por substanciar que atuassem no sistema de recompensas. (5)

Memoria:

(+Sobre a memoria)

Já foram confirmados efeitos benéficos da passiflora na memoria. (6)

Referências Bibliográficas:

1- Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.

2- Aman U, Subhan F, Shahid M, Akbar S, Ahmad N, Ali G, et al. Passiflora incarnata attenuation of neuropathic allodynia and vulvodynia apropos GABA-ergic and opioidergic antinociceptive and behavioural mechanisms. BMC Complement Altern Med [Internet]. 2016 Dec 24;16(1):77. Available from: http://www.biomedcentral.com/1472-6882/16/77

3- Miroddi M, Calapai G, Navarra M, Minciullo PL, Gangemi S. Passiflora incarnata L.: Ethnopharmacology, clinical application, safety and evaluation of clinical trials. J Ethnopharmacol [Internet]. 2013 Dec;150(3):791–804. Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0378874113006983

4- Soria-Gómez E, Márquez-Diosdado MI, Montes-Rodríguez CJ, Estrada-González V, Prospéro-García O. Oleamide administered into the nucleus accumbens shell regulates feeding behaviour via CB1 and 5-HT2C receptors. Int J Neuropsychopharmacol [Internet]. 2010 Oct 22;13(09):1247–54. Available from: https://academic.oup.com/ijnp/article-lookup/doi/10.1017/S1461145710000702

5- Akhondzadeh S, Kashani L, Mobaseri M, Hosseini SH, Nikzad S, Khani M. Passionflower in the treatment of opiates withdrawal: a double-blind randomized controlled trial. J Clin Pharm Ther [Internet]. 2001 Oct;26(5):369–73. Available from: http://doi.wiley.com/10.1046/j.1365-2710.2001.00366.x

6-Janda K, Wojtkowska K, Jakubczyk K, Antoniewicz J, Skonieczna-żydecka K. Passiflora incarnata in neuropsychiatric disorders— a systematic review. Nutrients. 2020;12(12):1–17.

7- Miyasaka LS, Atallah AN, Soares BGO. Passiflora for anxiety disorder. Cochrane Database Syst Rev. 2007;(1).

8- Panizza sérgio tinoco, Veiga rogerio da sukva, Almeida mariana correa de. Uso tradicional de plantas medicinais e fitoterápicos. 1a. São Paulo: CONBRAFITO; 2012. 267 p.