Própolis – Benefícios, eficácia, segurança…

Ilustração do própolis

Última Atualização: 14/04/2021

O termo própolis é derivado de duas palavras gregas – pro (que significa em defesa de ou na defesa) e polis (significa cidade). (1)

Caracterização:

Própolis, também conhecido como “Cola das abelhas” é produzido a partir da cera de abelha e saliva, funcionando como um mecanismo de defesa para a colmeia. (2) Ele é considerado como uma substância derivada de plantas, coletada pelas abelhas de diferentes fontes. (2)

Aproximadamente 50% do própolis é compreendido como resina de plantas, 30% feito de cera de abelha, 10% óleos essenciais, 5% pólen e 5% outras substâncias orgânicas. (3)

O própolis é considerado um resina dura, quebrável e pegajosa quando quente, e flexível e maleável quando fria. (1)

São caracterizadas três maiores categorias baseadas em sua cor: verde, vermelho e marrom; (2) A maior diferença na composição entre os própolis verde e marrom foi a quantidade de flavonoides encontrada  em sua composição. Em particular o própolis marrom apresentou uma maior quantidade de crisina e apigenina. (3)

E é devido a essa variedade e compostos bioativos que explica os amplos e diversos efeitos na saúde. (2)

Composição:

A composição química do própolis é extremamente variável e de difícil estabelecimento visto que a vegetação da região é extremamente influente, ficando à deriva do local, do clima, da estação do ano. (1)

Já foram encontrados mais de 300 compostos químicos no própolis. (1) Sendo os principais mais encontrados:

  • Ácidos fenólicos ou seus ésteres
  • Flavonoides
  • Terpenóides (responsáveis pelo aroma, representam 10%)
  • Aldeídos e álcool aromáticos
  • Ácidos graxos
  • Beta-esteroides
  • Stilbenes

Contendo também uma serie de micronutrientes e algumas enzimas derivadas das secreções das abelhas. (1)

Aparentemente o composto principal do própolis são os flavonoides. (1) No Brasil foram encontrados alguns compostos diferentes, como o ácido cafeico, ácido gálico, ácido p-coumaric, epicatequinas, quercetina, luteolina, artepelin C, CAPE (acid caffeic phenethyl ester). (1,4)

Própolis verde:

Foram encontrados 6 derivados de ácido hidroxicinâmico e cinâmico e 11 flavonoides. (3)

Própolis marrom:

Foram encontrados 2 ácidos hidroxicinâmico, 13 flavonoides e 1 ácido fenólico. (3)

No que diz respeito ao própolis marrom, já se é sabido que seu maior componente são os flavonoides, incluindo a flavona (crisina e apigenina), flavononas (pinocembrim) e o flavonóis (galagin). (3)

Própolis vermelho:

Metabolismo:

Apresenta uma baixa biodisponibilidade e absorção.

Recomendações nutricionais e Segurança:

Alguns estudos estimaram que doses seguras podem chegar a 70mg/dia. (2)

Em ratos, a dose letal para o própolis foi de 7,34g/kg de peso. (2)

Alguns estudo sugeriram que alguns compostos do própolis poderiam inibir à via do oxido nítrico nos rins, diminuindo sua perfusão, gerando uma falha renal aguda em pacientes de risco. (2)

Até hoje houve poucos casos de intolerância ao própolis. (2)

Não foram encontrados efeitos colaterais do uso de própolis.

  • COVID-19 –  400-800mg/dia (100 ou 200mg 4x ao dia); (4)
  • Dosagem usual – 200-1000mg/dia (Pós Integrativa)

Efeitos:

O efeito protetor, imunológico e antioxidante do própolis ocorre devido a seus compostos fitoquímicos bioativos. (2) Sua composição pode ser resumida em ácidos fenólicos, flavonoides, ésteres, diterpenes, sesquiterpenes, ligninas, aldeído aromático, álcool, vitaminas, minerais, aminoácidos e ácidos graxos. (2)

Em relação aos flavonoides encontrados, pinocembrim é o flavonoide com maior concentração. (2)

Ao que parece os efeitos do própolis se devem principalmente aos seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, podendo abranger uma gama de efeitos subsequentes. (2)

Um estudo encontrou que o própolis marrom possui uma maior capacidade modulatória, sendo capaz de modificar a expressão de genes para TNF-α, NFE2L2 e GPX2. (3)

Antioxidante – estresse oxidativo e radicais livres:

A propriedade antioxidante do própolis já é bem documentada. (2) Esse efeito é atribuído principalmente a composto derivados do ácido cafeoilquínico, que apresenta uma maior capacidade de remoção de radicais quando comparado a outros. (2)

Um de seus principais constituintes, os polifenóis, permite que o própolis remova radicais livres. Os flavonoides são antioxidantes poderosos removendo radicais livres e protegendo as membranas das células contra a peroxidação lipídica. (2)

Os flavonoides presentes no própolis são queladores de ferro, o que significa que eles também diminuem a produção de radicais livres que são dependentes de ferro. (2)

O própolis também pode ser útil na prevenção e manutenção de pacientes com doenças crônicas causadas pelo estresse oxidativo. (3)

Anti-inflamatório – inflamação:

Inflamação é definida como uma interação entre o sistema imune e um tecido com injuria, no qual o principal objetivo é restaurar a homeostase do tecido via uma complexa sinalização de vias. (2)

  •  Inibição da ciclo oxigenase (COX) com consequente inibição da biossíntese de prostaglandinas. (2)
    • A inibição farmacológica da COX pode provocar alívio dos sintomas da inflamação e da dor. (2)
  •  Remoção de radicais livres (2)
  •  Inibição da síntese do oxido nítrico. (2)
  •  Redução da concentração de citocinas pró-inflamatórias (2)
  •  Atividade imunossupressora (2)

A ação anti-inflamatória do pinocembrim foi capaz de reduzir a expressão de IL-6, TNF-α e iNOS. (2)

O própolis marrom conseguiu diminuir significativamente a expressão de TNF-α em células in vitro. Enquanto o verde não. (3)

Em relação a NFE2L2, o própolis marrom foi capaz de induzir uma redução em sua concentração, enquanto o própolis verde não. (2) A NF2L2 é um membro da família “basic leucine zipper protein”, que regula a transcrição de genes contendo “antioxidant response element” (ARE) como parte de sua sequência. Muitos desses genes codificam proteínas envolvidas em respostas para danos induzidos pelo estresse oxidativo e inflamação. O aumento do NFE2L2 indica estresse oxidativo visto que ele é uma “célula” de combate. o própolis marrom foi capaz de diminuir a expressão desse gene, atenuando o marcador de estresse oxidativo (3)

O éster fenetílico do ácido cafeico (CAPE) é um importante protetor da peroxidação lipídica dos eritrócitos da membrana. A CAPE é capaz de inibir a liberação de citocinas inflamatórias e simultaneamente aumentar a produção de citocinas anti-inflamatórias como, IL-10 e IL-4. (3)

Própolis e obesidade:

No processo de ganho de peso ocorre simultaneamente a hiperplasia (aumentando o número) e a hipertrofia dos adipócitos, (aumentando o tamanho). Adipócitos que sofreram a hipertrofia secretam diversos mediadores que geram a disfunção metabólica. (1)

Em paralelo, ocorre a infiltração de células imunes, macrófagos, no tecido adiposo, responsáveis pela inflamação de baixo grau, aumentando ainda mais os níveis de adipocinas, mediadores de ácidos graxos afetando o metabolismo energético do fígado e do musculo. (1)

Um estudo com própolis vermelho do brasil mostrou efeitos benéficos no tratamento e na prevenção da obesidade e suas desordens. (1)  Além disso, o própolis verde e vermelho foram capazes de aumentar a expressão da leptina. (1)

Estudos tem demonstrado que o própolis brasileiro foi capaz de melhorar o quadro de ganho de peso e dislipidemia através da mudança na expressão de proteínas envolvidas no deposito de gordura e do metabolismo lipídico. (1)

Propriedades anticâncer:

O câncer é caracterizado por um ciclo celular aberrante, resultado de mutações em vias sinalizadoras ou por lesões genéticas. (1)

Em homens, o câncer de pulmão é a principal causa de morte, seguido pelo hepático, e do estomago. Em mulheres, o câncer de mama é o principal, seguido pelo de pulmão, colorretal e cervical. (1)

Devido a suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o própolis gera uma melhora na regulação do ciclo celular, exercendo uma atividade anticancerígena. (1)

Diversos estudos têm demonstrado ação do própolis em diversas células, sendo seus efeitos benéficos em uma ampla gama de canceres. (1) Foi visto que seus efeitos anticancerígenos são relacionados a inibição do ciclo celular, apoptose, viabilidade, crescimento e proliferação celular. (1)

Diabetes:

A hiperglicemia e a dislipidemia geram um aumento no estresse oxidativo, que gera a disfunção celular. A hiperglicemia persistente aumenta a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) em diversos tecidos, além de diminuir os mecanismos antioxidativos através da glicação das enzimas “scavening”. (1)

Diversos estudos (em animais) mostraram a diminuição da glicose sanguínea com o uso de própolis. (1) Foi visto que em 2 semanas de tratamento houve uma diminuição da glicose sanguínea, e em 6 foi visto a diminuição da hemoglobina glicada. (1) Foi visto também uma melhora dos níveis de HOMA-ir.

Foi visto que o própolis foi capaz de diminuir os níveis de AST e ALT em ratos diabéticos. (1)

Diversos estudos têm associado esses efeitos aos flavonoides. (1)

Um estudo encontrou uma possível melhora na translocação do GLUT4, melhorando a captação de glicose pelo musculo de forma dose-dependente. (1)

Função hepática:

Estudos mostraram redução nos níveis de ALT, AST, ureia sanguínea, e taxa de excreção de microalbuminúria, demonstrando um efeito benéfico na função hepatorenal.

Efeito neuroprotetor:

No cérebro, o estresse oxidativo é a principal causa de injuria, tendo um importante papel na patogênese do dano neuronal.  E em ratos, a suplementação de própolis foi capaz de prevenir danos neuronais, e melhorar condições neurológicas. (2)

Isquemia, epilepsia, disfunção degenerativa, doença de Parkinson, Alzheimer, e esclerose múltipla parecem ser influenciadas pelo uso do própolis. (2) Aparentemente essas doenças estão ligadas a um aumento da concentração de estresse oxidativo no cérebro, induzindo a inflamação, e diminuindo a resposta imune no cérebro. (2)

Efeito cardioprotetor – aterosclerose:

Alguns estudos indicaram que o efeito cardioprotetor foi resultado das atividades antioxidantes e seus compostos. (2)

Outro fator coadjuvante é a interação dos efeitos antioxidantes com a geração de oxido nítrico no endotélio vascular, resultando em vasodilatação e na expressão de genes protetores do sistema cardiovascular. (2)

Foram vistos também que o uso do própolis foi capaz de aumentar o HDL, e diminuir os níveis de LDL e VLDL. (1)

Ação imunomoduladora e antimicrobiana:

Foi demonstrado diversas atividades antibacterianas no própolis. (2)

A indústria desenvolveu diversos produtos orais visando a ação antibacteriana, mas sua eficácia é questionável. (2)

Própolis Verde e COVID-19:

Um estudo mostrou que os compostos bioativos do própolis tem a capacidade de atuar/modular diversos “alvos” que são afetados pelo corona vírus. (4) Considerando ainda que estudos anteriores já haviam demonstrado propriedades antivirais, anti-inflamatórias, de cicatrização, anticâncer, imunoreguladora, neuroprotetora e antioxidante do própolis . (4)

Um estudo utilizou dozes padronizadas  de própolis (EPP-AF₢), fornecendo 400-800mg/dia, sendo dividas doses de 100 ou 200mg 4x ao dia. (4) Foi visto que o uso do própolis por 7 dias foi associado com uma redução no tempo de hospitalização dos pacientes. (4)

Sendo visto ainda uma tendencia de que os pacientes com o uso de própolis reduzissem a necessidade de terapias invasivas de oxigênio. Mas esse “achado” não pode ser confirmado apenas com os dados do estudo. (4)

Foi visto também que pacientes recebendo as doses mais altas de própolis tiverem uma redução significativa da incidência de injuria renal quando comparado ao grupo controle. (4)

OBS: O estudo foi patrocinado pela indústria produtora de própolis (Apis flora indl. Coml. Ltda.) e pela rede D’OR. (4)

Saúde intestinal:

Os polifenóis do própolis podem dar suporte para uma microbiota “ótima” visto que ele inibe o crescimento de bactérias patogênicas e suprime a adesão dessas nas células intestinais. (2) Mas ele também pode afetar o crescimento de algumas bactérias benéficas. Um estudo mostrou uma diminuição no número de bifidobacteria spp.  in vitro, mas ainda em menor quantidade, essas bactérias foram capazes de liberar uma maior quantidade de ácidos graxos de cadeia curta – ácido butírico. (2)

As descobertas sobre a influência do própolis no intestino trazem novas perspectivas de tratamento para doenças como a colite ulcerativa e inflamatória. (2)

Recuperação de feridas e proteção da pele:

Em queimaduras tratadas com produtos com própolis foram encontradas menores concentrações de radicais livres. (2)

O efeito anti-inflamatório se mostrou capaz de melhorar a cicatrização de feridas. (2)

Conclusão:

A maioria dos estudos envolvendo o própolis são em células. Existem poucos estudos com humanos. (2) Mas seus efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes já são bem definidos na literatura. (2)

Resultados sugerem que o própolis exerce um efeito protetor em sujeitos saudáveis, evitando o desenvolvimento da inflamação crônica, que é a base de muitas doenças, incluindo diabetes, câncer e doenças cardiovasculares. (3)

Não podemos deixar de considerar que não é possível ainda apontar os benefícios do própolis para apenas uma substância visto que provavelmente é o conjunto de substâncias que são responsáveis pelos seus efeitos. (3)

Referências bibliográficas:

1- Rivera-Yañez N, Rivera-Yañez CR, Pozo-Molina G, Méndez-Catalá CF, Méndez-Cruz AR, Nieto-Yañez O. Biomedical properties of propolis on diverse chronic diseases and its potential applications and health benefits. Nutrients. 2021;13(1):1–31.

2- Braakhuis A. Evidence on the health benefits of supplemental propolis. Nutrients. 2019;11(11).

3- Zaccaria V, Curti V, Di Lorenzo A, Baldi A, Maccario C, Sommatis S, et al. Effect of green and brown propolis extracts on the expression levels of microRNAs, mRNAs and proteins, related to oxidative stress and inflammation. Nutrients. 2017;9(10):1–17.

4- Silveira MAD, De Jong D, Berretta AA, Galvão EB dos S, Ribeiro JC, Cerqueira-Silva T, et al. Efficacy of Brazilian green propolis (EPP-AF®) as an adjunct treatment for hospitalized COVID-19 patients: A randomized, controlled clinical trial. Biomed Pharmacother. 2021;138.