Sensibilidade ao glúten

O termo Sensibilidade ao glúten não celíaca é utilizado para descrever o estado clinico dos indivíduos que desenvolvem sinais e sintomas intestinais e extra intestinais relacionados com a ingestão de alimentos que contenham glúten, e que apresentam melhora dos sintomas quando ele é removido da alimentação, mas que não apresentam a doença celíaca ou alergia ao trigo. (1,2)

Terapia Nutricional:

Resumo:

  • Retirar o glúten da dieta.
  • Consumo de alimentos livres de pesticidas

Retirada do glúten:

Na sensibilidade ao glúten, ainda não esta claro se a melhora dos sintomas após a retirada do glúten da alimentação se deve ao glúten propriamente dito ou aos carboidratos fermentáveis, abundantes nos cereais que contêm glúten. (2)

Após 1 ou 2 anos de dieta sem glúten, os pacientes podem “testar” a quantidade máxima tolerada por eles, sendo que a adesão a  uma dieta FODMAPS pode ajudar também na melhora dos sintomas. (1)

Geralmente dietas sem glutens são ricas em calorias, açucares e sal, sendo ainda pobre em nutrientes como ferro, folato, niacina, e fibras, sendo necessário cuidado e adequação! (1)

Pesticidas:

Evidencias sugerem que o aumento do uso de pesticidas pode estar relacionado ao aumento da resposta imune devido ao aumento da liberação  de citocinas inflamatórias. (1)

Microbiota:

(+Sobre a microbiota)

Apesar de haver apenas 1 estudo ate o momento, a dieta livre de glúten gerou uma melhora na microbiota em pacientes com sensibilidade. (1)

Fisiopatologia:

Diagnostico:

Não há um critério de diagnostico para sensibilidade ao glúten. (1) Isso porque ainda não há biomarcadores para o diagnostico, e a patogêneses não é clara. (1)

Indivíduos que relatam sintomas gastrointestinais responsivos a uma dieta livre de glúten na ausência da doença celíaca e não satisfazendo o critério para a alergia ao trigo, são majoritariamente classificados com a sensibilidade ao glúten não celíaca. (2)

Porém, ainda pode haver uma confusão no diagnostico devido a falta de marcadores tanto para a doença celíaca quanto para a síndrome do intestino irritável, que possuem sintomas parecidos. (1)

Alterações Bioquímicas:

  • Anticorpos IgG antigliadina (acontece apenas em parte dos pacientes) (2)

Alterações Histológicas:

Qualquer dano na mucosa ou aumento da infiltração por linfócitos intraepiteliais. (2)

Fisiopatologia geral:

A sensibilidade ao glúten foi classificada em 2011 por um consenso internacional, no qual foi definida como uma reação imune mediada pelo glúten, com presença de sintomas gastrointestinais e outros, que são melhorados com a exclusão do glúten da dieta. Sendo excluído o diagnostico de alergia. (1,2)

A sensibilidade ao glúten pode ser associada a mudanças na permeabilidade intestinal ou não, sendo que a maior parte dos estudos tem demonstrado que os pacientes apresentam uma permeabilidade normal, com ativação do sistema imune inato e sem a ativação da resposta adaptativa, podendo ainda haver mudanças na microbiota. (1,2)

Tem sido proposto que outros componentes do trigo (não relacionados ao glúten) podem ser responsáveis pelos sintomas observados. (2) Inibidores de tripsina amilase e carboidratos de cadeia curta fermentáveis (FODMAPs), contribuem para a ativação da resposta imune inata e para a precipitação dos sintomas nos pacientes não celíacos. (2)

Em contraste com a doença celíaca, os pacientes com sensibilidade pode apresentar negatividade para a sorologia de anticorpos e moléculas HLA-DQ2 e DQ8, bem como não apresentar anormalidades histológicas na mucosa do intestino delgado. (2)

É possível ainda que os pacientes sejam um grupo heterogêneo, composto de vários subgrupos, cada um deles caracterizado por um processo patogênico particular. (2) O que explica em parte o fato de não existir marcadores biológicos específicos para diferenciar a resposta desencadeada pelo glúten ou por outros possíveis componentes. (2)

Dito isso, é de se entender que a prevalência da sensibilidade ainda é desconhecida. (2)

Alguns pesquisadores acreditam que a sensibilidade ao glúten é a doença celíaca apresentada de forma “suave” (1)

Sintomas:

Atualmente se reconhece que a sensibilidade ao glúten se manifesta principalmente com sintomas que se sobrepõem aos da síndrome do intestino irritável, incluindo inchaço, dor abdominal, diarreia, fadiga e celafeleia. (2)

Os sintomas da sensibilidade ao glúten podem ser: Inchaço abdominal, dor, diarreia, constipação, náuseas, refluxos, dor de cabeça, mudança de hábitos intestinais, fadiga, perda de peso, mudanças dermatológicas. (1)

A sensibilidade ao glúten podem gerar  manifestações cutâneas como a acne, dermatite atópica, psoríase. Sendo postulado que esses sintomas aconteçam devido a hiperpermeabilidade intestinal.

A psoríase esta relacionada a inflamação crônica de cunho autoimune. É interessante testar a exclusão do trigo por um período de tempo.

Atenção especial:

Os pacientes devem ser educados às consequências da exclusão do glúten da dieta sem a devida necessidade.(1)

Evidencias sugerem que os sintomas podem ser causados por outras substancias que não o glúten, como o frutano (um carboidrato não digerível), ou por substancias provenientes de pesticidas. (1)

Não é claro ainda o porque do aumento do numero de casos da sensibilidade ao glúten. De modo que esse aumento ainda não é ligado a mudanças na dieta. (1)

É possível que a distensão abdominal gerada por FODMAPS (frutano) seja responsável por sintomas neuropsiquiátricos. (1)

Referências bibliográficas:

1- Khan A, Suarez MG, Murray JA. Nonceliac Gluten and Wheat Sensitivity. Clin Gastroenterol Hepatol [Internet]. 2019;(June):1–11. Available from: https://doi.org/10.1016/j.cgh.2019.04.009

2- Cominetti C, Cozzolino S. Bases bioquímicas e fisiológicas da nutrição nas diferentes fases da vida, na saude e na doença. 2a. Manole; 2020. 1369 p.