Síndrome pré menstrual TPM- Fisiologia, terapia nutricional, tratamento…

Última Atualização: 26/05/2021

Diagnóstico:

Pode-se considerar três elementos chaves para o diagnóstico: Sintomas consistentes com a síndrome; ocorrência dos sintomas apenas durante a fase lútea do ciclo menstrual; impacto negativo nas atividades diárias e na qualidade de vida. (1)

Alterações bioquímicas:

Objetivo do tratamento:

Tratamento Médico:

Em mulheres com sintomas graves, algumas drogas podem ser úteis como antidepressivos, ansiolíticos, anti-inflamatórios e contraceptivos orais. (1)

 farmacologia:

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina:

Os inibidores são seguros e eficazes para o tratamento da síndrome e são recomendados como agentes farmacológicos de primeira linha. (1)

As drogas fluoxetina, paroxetina, e sertralina são os únicos agentes reconhecidos pelo FDA. (1)

Contraceptivos orais:

A supressão da ovulação por meio de terapias hormonais é uma alternativa interessante quando os inibidores de recaptação são ineficazes. (1)

Entretanto seus efeitos colaterais limitam seu uso. (1)

Ansiolíticos:

Drogas ansiolíticas, espironolactona e anti-inflamatórios não esteroidais podem ser usados como tratamento de suporte para alivio dos sintomas. (1)

Terapia Nutricional:

Resumo:

  • Aumentar o consumo de vit. D
  • Consumir uma maior quantidade de grãos integrais
  • Refeições pequenas e frequentes
  • Uso de chás
  • Fontes de triptofano, gaba, serotonina
  • Fontes de b6
  • Aumentar consumo de lácteos (fontes de cálcio) (1)
  • Diminuição no consumo de sal, açúcar, álcool cafeína…

Suplementação nutricional:

  • Omega-3
  • Zinco 30mg/dia por 12 semanas.
  • Magnésio
  • Vit. D3
  • B6 50mg-100mg/dia
  • Citrato de cálcio – 1000-1200mg/dia sendo 2x 500mg/dia  por 3 meses.
  • Vitamina E – 400UI (1) (DOSAGEM ESTRANHA)

Plantas indicadas:

  • Angelica sinensis (Angelica chinesa) (2)
  • Borago officinalis (borragem) (2)
  • Cinnamomum zeylanicum (canela) (2)
  • Cyperus rotundus (tiririca) (2)
  • Equisetum arvense (cavalinha) (2)
  • Leonurus sibiricus (Erva-macaé) (2)
  • Oenothera biennis (prímula) (2)
  • Vitex agnus-castus (vítex) (2)

Chás:

  • Melissa
  • Casca de laranja vermelha
  • Valeriana
  • Cavalinha (2)
  • Canela (2)
  • Camomila

Formulações:

Formulação 1

  • sugestão de uso 7 dias antes do fluxo por 3 ciclos.
    • Vitamina d3 2000ui/dia
    • Zinco bis-glicinato 220mg/dia
    • Piridoxal 5 fosfato – 50mg/dia
    • Cloridrato de tiamina – 50mg/dia

Formulação 2

  • sugestão de uso: 1 dose de 12 em 12h – forma: capsula gelatinosa
    • Matricaria recutita (extrato seco, 1,2% de apigenina) – 200mg
    • Curcuma longa (extrato seco, 95% de curcumina) – 200mg
    • Piper nigrum (extrato sexo, 95% de piperina) – 2mg

Formulação 3

  • sugestão: 1 dose de 12 em 12 horas – forma: capsula gelatinosa
    • Vitex agnus-castus (extrato seco, 0,6% de aucubina) – 40mg
    • Crocus sativus (extrato seco, 0,3% de safranal) – 100mg

Formulação 4

  • Oenothera biennis 500mg  (2)
    • 1 capsula (softgel) 3x ao dia
    • Se houver edema usar tinturas: (2)
      • Zea mays 30mL
      • Equisetum arvensis 30mL
      • Total 60mL à tomar 40gotas diluídas em água 3x ao dia. 

Ômega-3:

O ômega-3 melhora a fluidez de membrana, além de aumentar a função e atividade dos receptores de serotonina e dopamina, causando impacto na transmissão serotoninérgica e dopaminérgica.  (Daniel Coimbra)

Além disso, é observado que a queda do estradiol está relacionada com a queda do BDNF, fator importante para a sobrevivência, maturação e manutenção da saúde neural, logo a suplementação de epa pode resultar em efeitos consideravelmente positivos no aumento do BDNF, principalmente no hipocampo (relacionado à cognição, memória e neuroplasticidade)

Cafeína:

A diminuição no consumo de cafeína pode auxiliar na diminuição da irritabilidade. (1)

Mulheres com elevada ingestão de cafeína apresentam mais irritabilidade do que mulheres com consumo limitado de cafeína. (1)

Curcumina:

A curcumina se destaca pela sua função na melhora do humor e da insônia, mediante a melhora no mecanismo responsável por reduzir as concentrações de serotonina, o que caracteriza a curcumina como uma substância com ação antidepressiva.  (Daniel Coimbra)

A curcumina também aumenta o tônus dopaminérgico e diminui a inflamação do cérebro, levando a redução do cortisol, o que impacta em redução do estresse e do humor deprimido. Além disso, ela aumenta o BDNF melhorando tanto a cognição quanto à saciedade. (Daniel Coimbra)

Cálcio:

Alguns estudos relatam que distúrbios na regulação do cálcio podem estar envolvidos com as características fisiopatológicas da síndrome pré-menstrual, e a suplementação parece ser uma terapia eficaz. (1)

É observado que mulheres com TPM e instabilidade de humor apresentam alterações cíclicas nos níveis de cálcio, bem como outros micronutrientes.  (Daniel Coimbra) Tem sido vista uma intensa similaridade entre os sintomas da síndrome e a hipocalemia: fadiga, ansiedade, depressão, distúrbios de personalidade entre outros. (1)

Foi visto que as alterações na concentração de cálcio extracelular podem afetar a excitabilidade dos tecidos neuromusculares envolvidos na regulação da emoção. (1) Irritabilidade, ansiedade e obsessão têm sido associado com a hipocalemia, ao passo que o aumento das concentrações de cálcio foi observado em pacientes com depressão. (1)

Outra hipótese e a de que os hormônios ovarianos, principalmente o estrógeno, influenciam as ações dos hormônios calciotrópicos, principalmente cálcio e paratormônio; (1) É importante ressaltar que os níveis de estrógenos estão  inversamente relacionados com os níveis séricos de cálcio. (1)

A suplementação de citrato de cálcio entre 1000 e 1200 mg/dia sendo dividido em duas doses dia por 3 meses parece benéfico para redução dos sintomas de humor, apetite e fadiga. (Daniel Coimbra) (1)

O consumo de cálcio, a partir de fontes alimentares, está inversamente associado com a síndrome pré-menstrual. (1)

É importante ressaltar ainda que a síndrome pré menstrual pode ser um indicador clinico dos baixos níveis endógenos de cálcio, podendo refletir um metabolismo anormal desse mineral, indicando um possível risco aumentado de osteoporose em mulheres jovens. (1)

Magnésio:

O magnésio está envolvido na atividade da serotonina e de outros neurotransmissores, na contração vascular, função neuromuscular e na estabilidade da membrana celular, sua deficiência pode influenciar os sintomas da síndrome pré-menstrual por diversas vias metabólicas. (1)

Por esse motivo o magnésio pode ser um importante coadjuvante no tratamento dos sintomas gerais da síndrome pré-menstrual. (1)

É imprescindível se respeitar os valores máximos de limite de ingestão, que correspondem a 350mg/dia. (1)

Vitamina D:

Fontes: leite de soja, ostra, leite em pó, sardinha, salmão, peixes de agua doce.

Mulheres na TPM apresentam níveis séricos mais baixos de vit. D na fase lútea.

Níveis mais altos de ingestão de vit. D (706ui/dia ou 18 mcg/dia) foram associados a uma redução nos sintomas da TPM.

Isso porque a vit. D está envolvida em diversos processos metabólicos e pode melhorar consideravelmente os fatores inflamatórios e a capacidade antioxidante, diminuindo a incidência dos sintomas.

A suplementação de 2000 UI/dia de vit. D3 foi benéfica nos sintomas da spm e tdpm. A sugestão de uso é 7 dias antes do fluxo por 3 ciclos pelos menos. (Daniel Coimbra)

Zinco:

Fontes: ostra, germe de trigo, contra file, alcatra, castanha do pará, aveia, orégano, coentro, semente de linhaça.

As concentrações de zinco mudam durante o ciclo menstrual.

Nas mulheres que sofrem de tpm, o nível sérico de zinco é significativamente menor do que me mulheres que não apresentam sintomas.

A deficiência de zinco pode causar a irregularidade da produção de glicocorticoides, levando a alguns sintomas neuropsicológicos como irritabilidade e instabilidade emocional.

Estudos demonstram que a suplementação de 30 mg de zinco por 12 semanas reduziu os sintomas da tpm através da melhora da capacidade antioxidante e pelo aumento do bdnf.

A suplementação de zinco bis-glicinato – 220mg/dia parece benéfica para spm  e tdpm. Sendo sugerido o uso 7 dias antes do fluxo por pelo menos três ciclos. (Daniel Coimbra)

Carboidratos e Grãos integrais:

É importante observar que o consumo excessivo de carboidratos simples tem sido associado com distúrbios de humor, edema e fadiga. (1) Por esse motivo deve-se priorizar a ingestão de carboidratos integrais. (1)

Os grãos integrais são ricos em fibras alimentares, vitaminas do complexo b, zinco, magnésio e vit. E. A vit. B1 é um nutriente essencial para o tecido nervoso e para o funcionamento adequado do cérebro. Já a vit. B6 é essencial para a produção do neurotransmissor gaba, responsável pela inibição do sistema nervoso central, promovendo a sensação de relaxamento.

Além disso, a vit. B2 junto a b6 são essenciais na produção de serotonina a partir do triptofano.

Vitamina B1 – tiamina:

A vitamina b1 é importante para a formação de energia de origem aeróbia, isso porque o piruvato, ao se transformar em acetil-coa, necessita do complexo piruvato desidrogenase, que é dependente de b1 como cofator. Logo, se esse mecanismo não funciona, é observado implicações por exemplo na produção de neurotransmissores. (Daniel Coimbra)

A suplementação de cloridrato de tiamina 50mg/dia nos 7 dias que antecedem o fluxo por pelo menos três ciclos foi benéfico na melhora dos sintomas de spm e tdpm. (Daniel Coimbra)

Vitamina B6 – Piroxidina: (+ sobre a B6)

Fontes: soja, germe de trigo, castanha, carne

RDA: 2mg/dia

UL: 100mg/dia (1)

A vitamina b6 atua na segunda fase do ciclo menstrual, na fase lútea. Nessa fase há um espessamento endometrial e consequente aumento do anabolismo proteico, o que requer maiores concentrações de b6. (Daniel Coimbra)

Essa maior demanda de vitamina acaba atrapalhando a síntese de neurotransmissores como a serotonina, visto que a B6 é atua como cofator na formação da serotonina.(1)

Além disso, tem sido relacionado baixos níveis de B6 a alto níveis de prolactina que podem acarretar edemas e sintomas psicológicos associados com a síndrome pré-menstrual. (1)

Um estudo mostrou que a suplementação por 3 ciclos menstruais com 80mg de b6 + 0,8mg de b2 reduziu em 60% os sintomas da tpm.

Uma revisão sistematica mostrou que a B6 pode ser efetiva na diminuição dos sintomas da TPM, suplementando 50-100mg/dia, apenas nos dias de TPM. (4)

Mas é importante ressaltar que a evidencias são fracas! (4)

Vitamina E:

A vitamina E pode aliviar sintomas como ansiedade e sensibilidade mamaria por meio de seus efeitos na síntese de prostaglandinas ou na regulação dos neurotransmissores centrais. (1)

Devido ao seu potencial antioxidante, o colégio americano de obstetrícia e ginecologia reconhece a vitamina E como um importante tratamento para os sintomas da síndrome pré-menstrual. (1)

Foi visto que a administração diária de 400UI a mulheres com a síndrome promoveu melhoras nos sintomas emocionais e somáticos. (1) Além disso, a vitamina E aprece apresentar efeitos benéficos sobre a mastalgia. (1)

É importante considerar que as doses diárias de vitamina E são de 15mg/dia.  (1)

Gaba:

Fontes: tremoço, feijão azuki, soja, tomate, ervilha, aveia, espinafre, batata doce.

Como já dito, o gaba é um neurotransmissor conhecido por seus efeitos analgésico, anti-ansiedade e de atividade hipotensora, por ter efeito inibitório sobre o snc, sendo importante na redução dos sintomas da tpm.

Serotonina:

Fontes: banana prata, pimentão vermelho, tomate, kiwi, abacaxi, ameixa, mamão, maracujá.

A redução de serotonina na tpm, como dito antes, impacta diretamente no sistema nervoso central, pois modula o humor, a ingestão alimentar e o sono, sendo importante para o bem estar geral do organismo.

A baixa disponibilidade do magnésio influencia na queda da serotonina e no aumento do cortisol. (Daniel Coimbra)

Triptofano:

Fontes: queijos, leite, iogurtes, carnes, peixes, lentilha, soja, semente de abobora.

Os sintomas da síndrome pré-menopausa podem ser agravados pela deficiência de triptofano. (1) Por isso, a ingestão de triptofano ou de alimentos que aumentem a sua disponibilidade para os neurônios serotonérgicos poderá estimular a taxa de conversão em serotonina. (1)

O triptofano é um aminoácido essencial, precursor da serotonina.

A ingestão de carboidratos estimula a passagem do triptofano pela barreira hematoencefálica, podendo contribuir para o aumento da razão triptofano/aminoácidos neutros. (1)

Óleo de prímula (Oenothera biennis):

É rico em ácido gama linolênico, que é responsável por modular resposta inflamatória, sendo interessante principalmente para mulheres com dores nas costas, musculares e nas articulações (Daniel Coimbra)

Camomila:

Um estudo trouxe potenciais benefícios da camomila na melhora dos sintomas de mulheres na tpm, efeito semelhante ao observado no uso de fármacos anti-inflamatórios. (Daniel Coimbra)

Outros tratamentos:

Alterações comportamentais incluem descanso adequado e a prática regular de atividade física. (1)

Atividade física:

Estudos epidemiológicos e de curto prazo indicam que mulheres com síndrome menstrual que praticam exercício aeróbio relatam menos sintomas do que as sedentárias. (1)

Alguns autores observaram que as mulheres que praticavam exercícios mais intensos apresentaram efeitos mais positivos do que as sedentários. (1)

Outro estudo mostrou que mulheres que praticaram exercícios aeróbios apresentaram menos sintomas após três ciclos, que quando comparado com as mulheres que realizaram outro tipo de exercício. (1)

Foi visto que o exercício aeróbio por 8 semanas pode reduzir os sintomas psicológicos da tensão pré-menstrual. (1)

Fisiopatologia:

A síndrome pré-menstrual é caracterizada por um complexo de sintomas físicos, cognitivos e emocionais que ocorrem durante a fase lútea do ciclo menstrual, que diminuem rapidamente como início da menstruação. (1)

Pode atingir mulheres de todas as idades no período variável de 7 – 14 dias que antecedem a menstruação, na fase lútea, desaparecendo até o final da menstruação. (2,3)  Ocorrendo apenas em ciclos ovulatórios, já que essa síndrome não ocorre na pré-puberdade e nem na menopausa. (1)

Estudos já demonstraram diversos efeitos da fase lútea na mulher, diminuindo a qualidade de vida, diminuindo a qualidade do sono, com piora das comorbidades psiquiátricas, junto com aumento no consumo de álcool. (3)

Mais de 200 sintomas já foram associados com a síndrome pré-menstrual, com diferentes intensidades; entretanto, os mais comuns são: (1,2)

  • Estresse / irritabilidade (2)
  • Ansiedade (2)
  • Humor deprimido / Depressão (2)
  • Insônia (2)
  • Distensão abdominal e das mamas (2)
  • Dificuldade de concentração (2)
  • Hiperfagia (1)
  • Desejos por doces (3)
  • Retenção hídrica (1)
  • Dores no corpo (1)
  • Enxaqueca(1)
  • Aumento de peso e sensação de peso nas pernas (2)

Alguns autores propõem que uma alteração do sistema serotonérgico nas mulheres com a síndrome pode ser o mecanismo responsável pelos sintomas observados. (1)

Dias antes da menstruação a produção do estrogênio começa a diminuir, chegando menos deste hormônio ao cérebro. Isso resulta na hipoativação de algumas regiões (sistema dorsal) e na hiperativação de outras (sistema ventral).

A teoria mais atual indica que tais síndromes são causadas por alterações no ciclo normal dos esteroides ovarianos, já que influenciam a ação dos neurotransmissores centrais como a serotonina e o ácido gama-aminobutírico (GABA). (1)

Porém essa não pode ser considerada a única causa, pois mulheres sem a síndrome apresentam níveis semelhantes de estrógeno e progesterona. (1) E esse fato sugere que os distúrbios comportamentais observados nas mulheres com síndrome podem ser devido a uma resposta anormal dos neurotransmissores centrais à função ovariana normal. (1)

Mastalgia:

A presença de mastalgia pode ser consequência à elevação dos níveis de prolactina. (1)

Irritabilidade /estresse

O sistema ventral abriga a amidala, responsável pelas respostas fisiológicas ao estresse, resultando na liberação hormonal aumentada de cortisol e catecolaminas. Essa liberação aumentada de hormônios caracteriza a sensação de ansiedade, agressividade, e irritabilidade.

Geralmente essa liberação aumentada ocorre em resposta a um “estresse” com o objetivo de manter o individuo mais alerta e agressivo, porem na mulher isso acontece sem que necessariamente acontece esse estimulo estressor.

Durante o estresse, a função do sistema dorsal, onde esta localizado o hipocampo e algumas estruturas do pré-frontal se encontram hipoativada, sendo esse sistema regulado negativamente pelo estresse, favorecendo respostas mais emocionais e automáticas.

Cognição:

O hipocampo tem papel importante nos estados de motivação, memória e aprendizagem. Por isso, sua hipoativação na tpm pode repercutir em dificuldades cognitivas.

Enxaqueca:

A ocorrência da enxaqueca esta associada com um distúrbio na transmissão serotonérgica. (1)

Humor / depressão:

A mulher apresenta um humor mais deprimido nesta fase do ciclo, pois a redução de estrógeno também afeta a produção e a disponibilidade de neurotransmissores no cérebro,  como a serotonina, responsável pela sensação de bem estar e felicidade.

O estrogênio é importante pois ele reduz a degradação de serotonina através da inibição da enzima responsável, a monoaminaoxidase. Ele também diminui a recaptação da serotonina pelo neurônio pré-sináptico, permitindo que a  serotonina fique disponível por mais tempo na fenda sináptica para ser captada pelo neurônio pós sináptico.

Além disso, os sintomas relacionados ao humor também foram associados  a deficiência de vitaminas do complexo B, principalmente a B6. (1)

Hiperfagia:

Um revisão sistemática mostrou que houve um aumento no consumo energético em 84% dos estudo analisados. (1) Sendo esse aumento relacionado   a alterações no humor dessas mulheres. (1)

A diminuição do estrogênio afeta pelo menos três reguladores da ingestão alimentar.

  • Serotonina
  • Estrogênio
  • Bdnf

A redução da serotonina é relacionada a regulação da ingestão de alimentos, e do balanço energético. Por esse motivo os inibidores de recaptação de serotonina muitas vezes são utilizados no combate a obesidade.

Os receptores de serotonina quando ativados, ativam os neurônios pomc no núcleo arqueado, os quais liberam o hormônio estimulante de alfa melanócitos (α-msh), e este promove a ativação da via anorexígena (via da saciedade) através de sua ligação aos receptores de melanocortina (mc-4r) no núcleo paraventricular do hipotálamo.

O controle da ingestão alimentar também pode ser feito diretamente pelo estrogênio, que atua em receptores alfa no núcleo arqueado suprimindo a expressão npy, e agrp, neuropeptídios que quando produzidos, aumentam o apetite através da via orexígena.

Outros hormônios como a leptina, insulina, hormônios gastrointestinais e por um fator neurotrofico chamado, bdnf, também regulam a ingestão alimentar. Porém, o bdnf tem sua expressão regulada por estrogênio.

Foi visto que as mulheres com a síndrome apresentaram um maior consumo energético, principalmente lipídios carboidratos e açucares simples durante o período pré-menstrual. (1)

Desejos por alimentos mais palatáveis:

Os comportamentos motivados por comida são modulados por um sistema cerebral chamado de mesolímbico (sistema de recompensa). Vários estudos convergem a hipótese de que a via mesocorticolímbica é sensível a estímulos estressantes, ou seja, se torna hiperativada em momentos estressantes.

Durante esses eventos, a produção de dopamina (um neurotransmissor) é aumentada, a liberação de dopamina ativa regiões envolvidas no sistema de recompensa. Essa sinalização desempenha um papel importante na motivação de buscar o alimento e no aumento no desejo de obter um estímulo gratificante.

Isso porque a dopamina é a responsável por regular o valor de recompensa dos alimentos e pela motivação para obtê-los.

Além disso, alguns autores sugerem que esse desejo por alimentos palatáveis é maior na fase e que a progesterona apresenta um pico de secreção, enquanto o estradiol possui amplitude secundário. (1)

Retenção hídrica:

Geralmente as queixas de retenção hídrica ocorrem no inicio da fase lútea, quando os hormônios estrogênio e progesterona ainda estão aumentados.

Ate onde se sabe, a retenção hídrica acontece porque o estrogênio possui um efeito de aumento da permeabilidade vascular e vasodilatação. E com esse aumento da permeabilidade dos vasos, há o extravasamento de plasma para o interstício, causando edema e a sensação de inchaço.

Geralmente, esses efeitos de retenção hídrica desaparecem quando a produção hormonal cai e a menstruação desce, ou seja, com a queda brusca do estradiol e da progesterona.

Obs: é importante ressaltar que a alteração na ingestão alimentar pode contribuir/agravar a retenção hídrica.

Inflamação:

Durante o período pré-menstrual ocorre um aumento na inflamação. Estudos tem demonstrado que nesse período as concentrações de pcr,  a relação neutrófilos/linfócitos, a produção de interleucinas e interferon gama, assim como marcadores de estresse oxidativo estão aumentados, e a capacidade antioxidante esta diminuída, sendo relacionado então a sintomas como dor de cabeça, dores nas costas, cólicas abdominais, dores nas articulações, sensibilidades nos seios.

Referências bibliográficas:

1- Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de alimentação, nutrição & dietoterapia. 3a Ed. São Paulo: Editora Pitaya; 2016. 1308 p.

2- Saad G de azevedo, Léda PH de oliveira, Sá I manzali, Seixlack AC. Fitoterapia Contemporânea – Tradição e Ciencia na pratica Clínica. 2a Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. 441 p.

3- Cheng SH, Shih CC, Yang YK, Chen KT, Chang YH, Yang YC. Factors associated with premenstrual syndrome – A survey of new female university students. Kaohsiung J Med Sci [Internet]. 2013;29(2):100–5. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.kjms.2012.08.017

4- Wyatt KM, Dimmock PW, Jones PW, Brien PMSO. syndrome : systematic review. 1998;1375–81.